<?xml version='1.0' encoding='UTF-8'?><?xml-stylesheet href="http://www.blogger.com/styles/atom.css" type="text/css"?><feed xmlns='http://www.w3.org/2005/Atom' xmlns:openSearch='http://a9.com/-/spec/opensearchrss/1.0/' xmlns:georss='http://www.georss.org/georss' xmlns:gd='http://schemas.google.com/g/2005' xmlns:thr='http://purl.org/syndication/thread/1.0'><id>tag:blogger.com,1999:blog-3878926</id><updated>2011-04-21T23:40:08.968-03:00</updated><title type='text'>Recheio de quê?</title><subtitle type='html'></subtitle><link rel='http://schemas.google.com/g/2005#feed' type='application/atom+xml' href='http://recheiodeque.blogspot.com/feeds/posts/default'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3878926/posts/default?max-results=100'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://recheiodeque.blogspot.com/'/><link rel='hub' href='http://pubsubhubbub.appspot.com/'/><link rel='next' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3878926/posts/default?start-index=101&amp;max-results=100'/><author><name>Fernanda</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://bp0.blogger.com/_G7QdkBA8xiw/R_90yIdj-FI/AAAAAAAAAN4/I_yd7X61TQE/S220/Blusa+Florezinhas+PB++Lateral.JPG'/></author><generator version='7.00' uri='http://www.blogger.com'>Blogger</generator><openSearch:totalResults>146</openSearch:totalResults><openSearch:startIndex>1</openSearch:startIndex><openSearch:itemsPerPage>100</openSearch:itemsPerPage><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-3878926.post-6575220752050595403</id><published>2009-01-28T01:35:00.000-02:00</published><updated>2009-01-28T01:50:33.240-02:00</updated><title type='text'></title><content type='html'>&lt;meta equiv="CONTENT-TYPE" content="text/html; charset=utf-8"&gt;&lt;title&gt;&lt;/title&gt;&lt;meta name="GENERATOR" content="OpenOffice.org 2.1  (Win32)"&gt;&lt;meta name="AUTHOR" content="Fernanda V"&gt;&lt;meta name="CREATED" content="20090128;1235201"&gt;&lt;meta name="CHANGED" content="16010101;0"&gt;&lt;style&gt; 	&lt;!-- 		@page { size: 8.5in 11in; margin: 0.79in } 		P { margin-bottom: 0.08in } 	--&gt; 	&lt;/style&gt; &lt;p style="margin-bottom: 0in;" align="justify"&gt;Estranha essa estrada comprida e veloz. Sem tremas, a tranquilidade já não se encontra sem antes muitas voltas e muitos quereres e muitas coisas guardadas emboloradas cheias de mofo em volta de pequenos gestos de hipocrisia, de auto-sabotagem, de auto-idolatria disfarçada de um silêncio de não se ter o que dizer.&lt;/p&gt; &lt;p style="margin-bottom: 0in;" align="justify"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/p&gt; &lt;p style="margin-bottom: 0in;" align="justify"&gt;Todo o não dizer enfiado traquéia abaixo, sem ar, sem tubo, só apnéia, só midríase, sem grandes heroismos, sem grandes sonhos, aspirações, só muitas filhas e mulheres e pais e irmãos que se perderam uns dos outros entre esse mundo e qualquer outro que se acredita existir, mesmo que ele não exista, vidas que escorregam miséria abaixo, pertences que nunca mais serão entregues, que irão talvez encontrar outros pertences solitários e cheios de valor inestimável. A angústia de não poder dizer.&lt;/p&gt; &lt;p style="margin-bottom: 0in;" align="justify"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/p&gt; &lt;p style="margin-bottom: 0in;" align="justify"&gt;E chorar tanto depois de tanto tempo sem sentir nada e se perder no meio de si. Entre aquilo o que se é, aquilo o que se deseja ser e aquilo contra o qual se luta para não ser. Mas se é.&lt;/p&gt; &lt;p style="margin-bottom: 0in;" align="justify"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/p&gt; &lt;p style="margin-bottom: 0in;" align="justify"&gt;Tempos ingratos, sem verdade, sem brisa, sem tudo aquilo o que não volta e o que desejamos tanto (e secretamente, sempre) que voltasse, para que pudessemos cometer todos os mesmos erros, mas dessa vez sem sobrar nada por dentro, sem viés, sem nada, tudo tão escuro que arda os olhos. Suficiente pra quem vai ter sempre que conviver consigo, entre a culpa e uma noite pra sonhar com alguma coisa bonita e contínua. Da qual seja impossível recordar, mas que seja linda e em sépia.&lt;/p&gt; &lt;p style="margin-bottom: 0in;" align="justify"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/p&gt; &lt;p style="margin-bottom: 0in;" align="justify"&gt;Recuperar alguma coisa em uma galeria de obras inacabadas, todas faltando pedaços, porém cheias, porque chega, porque não se pode ter o que não foi dito, o que não ficou claro, porque nunca fica, porque tudo são pontos de vista, mesmo a ciência, mesmo a matemática, e um dia escrever uma carta. Uma pra cada um. Que já se foi e não pode mais responder. Que não soube o que aconteceu depois que  abandonou tanta coisa dentro de tanta gente. Uma sopa de soldadinhos de coração, que batem em retirada, rabinho encolhido pra debaixo do cobertor de tão pouca quantidade de vida mas já tão carregada de plágios e imitações baratas de poucos centavos daquilo que um dia foi, de fato, produzido.&lt;/p&gt; &lt;p style="margin-bottom: 0in;" align="justify"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/p&gt; &lt;p style="margin-bottom: 0in;" align="justify"&gt;Querer secar um oceano de importâncias entranhadas assim, de uma vez só, com um pedaço velho de pano de chão.&lt;/p&gt; &lt;p style="margin-bottom: 0in;" align="justify"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/p&gt; &lt;p style="margin-bottom: 0in;" align="justify"&gt;Difícil viver.&lt;/p&gt; &lt;p style="margin-bottom: 0in;" align="justify"&gt;Morrer, então, talvez nunca.&lt;/p&gt; &lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/3878926-6575220752050595403?l=recheiodeque.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3878926/posts/default/6575220752050595403'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3878926/posts/default/6575220752050595403'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://recheiodeque.blogspot.com/2009/01/estranha-essa-estrada-comprida-e-veloz.html' title=''/><author><name>Fernanda</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://bp0.blogger.com/_G7QdkBA8xiw/R_90yIdj-FI/AAAAAAAAAN4/I_yd7X61TQE/S220/Blusa+Florezinhas+PB++Lateral.JPG'/></author></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-3878926.post-220948815182823675</id><published>2007-03-19T18:45:00.000-03:00</published><updated>2007-03-19T18:55:36.076-03:00</updated><title type='text'></title><content type='html'>&lt;BR&gt;&lt;br&gt;&lt;b&gt;Canta essa música comigo&lt;/b&gt;&lt;br&gt;&lt;br&gt;&lt;br /&gt;A cidade, mal dá tempo.&lt;br /&gt;As pessoas, só nas conveniências.&lt;br /&gt;E não é sempre assim?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mas têm um charme singular (ambas). Um silêncio, uns cuidados meio mais ou menos, meio displicentes. Mas cuidado. Como quem cuida da calçada em frente de casa. A calçada, aliás, é irregular. Mas até isso é necessário pra beleza toda. Beleza com uma sofisticação simplória, um troço entre o cru e o artesanal, alguém explica melhor? Árvores se debruçando umas sobre as outras, de cada lado das avenidas. Bosques despretenciosos. Um museu famoso, as cores das flores, uma borboleta me seguiu de casa até o trabalho um dia desses. É como se a gente soubesse o que vai acontecer depois. Mas aí, bem na hora da nossa deixa, aparece lá no fundo uma pessoa que a gente não via há tanto tempo e improvisar vira o substrato dos dias. Que quase nunca são espetaculares. Mas são sempre cheios de coisas que não existem na vida real.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Curitiba tem um cheiro de novo. Dá vontade de usar a cidade inteira, até a última linha da última folha do caderno novo. Mas como se escreve nessa língua? Quando mal se chega, já se sabe, sem querer se chama os piás, os tigres e as outras espécies que chegam sem avisar e nos chamam pra churrascos, batatas, passeios, noitadas e outras gentilezas mil. É um sapato novo tão bonito e lustroso que se tem pena de gastar mas que, por isso mesmo, se torna um troço irresistível. Respirar fundo na floresta.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O calor dessas últimas semanas. Dizem que carioca em cidade fria só pode dar nisso. De vez em quando chove. E (nunca achei que fosse): é bom. Molha a barra da calça que acabou de voltar da lavanderia. Mas não tem importância. Tá na hora do meu ônibus mesmo. Que passa tão depressa pelo estádio: os rapazes todos empoleirados tentando conseguir um vislumbre de paixão. A paixão.&lt;br /&gt;Faz falta, essa porcaria. Não faz falta, o mar. Não faz falta, a comida de casa. Não faz falta, a informalidade. Mas a ternura. Essa a gente vai pegando emprestado, meio sem graça, de gente com quem não tem intimidade. Em doses homeopáticas. Às vezes faz efeito no meio da tarde e dá um barato enorme.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Andar sem pressa até uma das praças. Esqueço. Me esqueço. Nem lembro mais. Penso em todas as pessoas, as poucas pessoas, os poucos rostos, poucos passos, tudo parece deserto. Tanta gente querendo ir pra longe quando a calma dos dias tem valor inestimável. A gente diz tanta bobagem. Quanta besteira, quanta merda um indivíduo precisa falar pra estar exatamente onde quer estar? Acho que não precisei falar muito. Faz sentido, a noite, a dor, a textura espumosa e consistente da história futura. As condutas, indefinidas. Os planos, dependentes de milhões de partículas de variedades de variáveis de fatores incosistentes. Mas o que acontece. Ah, o que acontece. Isso, sim, é que cala as interrogações. Eu não sei se foi no momento certo ou se o resto todo é que estava por demais errado. Mas encaixam, as proporções, as vontades, os cotidianos cinzas ou ensolarados, tanto faz, há sempre paz. Qual o plural de paz?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A padaria, a lavanderia, a sorveteria, o mercado, a feirinha, o restaurante a quilo, o shopping e as rotinas, os bom dia's, o papo de elevador e de táxi, tudo se estabelece, como em qualquer lugar do mundo. É fácil e completo, quando você vê já está dentro. E é por isso que eu fico repetindo insuportavelmente que nunca é tarde. Nunca é. Pra mudanças ou pra reafirmações. Vivendo e morrendo é isso o que a gente compra quando decide buscar essa coisa que não sabe o que é. Mas é um preço e muitas vezes não sobra troco e se volta pra casa sem nada, sem nada palpável, mas com tanto, tão grande que não coube em nenhum lado a não ser o de dentro.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Então dance. Mas não me chame. Porque eu danço sozinha, posso dançar na sua frente, você vai rir, eu vou fechar os olhos e rir também, mas danço só. E descobri que é assim, exatamente assim, que se descobre o mundo.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/3878926-220948815182823675?l=recheiodeque.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3878926/posts/default/220948815182823675'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3878926/posts/default/220948815182823675'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://recheiodeque.blogspot.com/2007/03/cidade-mal-d-tempo.html' title=''/><author><name>Fernanda</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://bp0.blogger.com/_G7QdkBA8xiw/R_90yIdj-FI/AAAAAAAAAN4/I_yd7X61TQE/S220/Blusa+Florezinhas+PB++Lateral.JPG'/></author></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-3878926.post-116900507176554891</id><published>2007-01-17T01:20:00.000-02:00</published><updated>2007-01-17T01:44:20.483-02:00</updated><title type='text'></title><content type='html'>&lt;br&gt;&lt;br&gt;&lt;b&gt;Incidências&lt;/b&gt;&lt;br&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Sopra velas, veste roupas ao avesso, desaparece sem deixar rastros, esmaga 10 pessoas e depois volta tudo. sente medo de cair pra cima, fica sem nexo, sem reflexo, sem plexo. fim. não sobrou nada, nem entre os becos fugidios das lembranças. que, aliás, lembra tanto que erra (de novo) o caminho de volta pra casa. a distração é um antídoto alternativo à mediocridade. quer dizer, quando se é alérgico aos outros, os convencionais. palavra que, por si só, já resume uma certa náusea.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;disperdiçar horas e dias e anos fazendo backup de uma vida inteira. e enquanto se salva (a si e aos outros), o que se vive? ao redor tudo já saiu de moda, de compasso. se alimentar de hipocrisia. mas ir dormir e sonhar com o antônimo dela. (qual é?) quem busca a verdade vai pra forca. então é melhor mesmo se acostumar com as ilusões.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;quem pagou mais senta na melhor mesa e dança com a moça mais bonita da escola. é assim.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;ei. te chamei baixinho. pra perguntar: qual é o nome. da palavra. que não precisa falar mas conta tudo. pra quem não precisa ouvir pra saber.&lt;br /&gt;os sentidos se perderam das intenções.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;você me mandou uma página rasgada:&lt;br /&gt;querido diário. hoje aprendi a fingir que está tudo bem, que já até esqueci o que era e que não espero nada em troca. mas em compensação aprendi também que já esqueci mesmo o que era e que, depois que fui de bicicleta lá pra cima e vi a cidade inteira brilhando, tudo estava bem mesmo. mas quero entender melhor por que é que quando a gente se sente só -&lt;br /&gt;e essa parte estava rasgada. mas acho, amor, que eu não ia poder te ajudar nessa empreitada. a solidão é uma língua a parte. e a gente sempre acaba conseguindo traduzir tudo de volta pra nossa.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;a verdade é que não existe algo como a verdade. mas, a partir disso, o que perseguir?&lt;br /&gt;e trôpego, sôfrego, cambalear entre a promiscuidade de ideais e o cru absoluto.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;faltou luz, meu bem. fica conversando comigo até voltar. recebi correspondência: não consigo ler direito à luz de velas. ih, e se entra um bicho? melhor fechar a janela. &lt;br /&gt;se lembra quando a gente escreveu que os nossos sonhos não se esquecem da gente? e de quando ficou em pé olhando o mar e esperando ele se decidir se queria ficar perto ou longe da gente? o que foi que ele escolheu? até hoje não descobri. estava chovendo uns pingos grossos que molharam o papel onde escrevemos. sobre os sonhos, sobre os sonhos. (atualmente, parece que tudo é sobre a mesma coisa.) deixamos lá, ficamos vendo eles se diluíram metade na chuva, metade no mar. a fome era muita: cantarolamos umas marchinhas de carnaval pra enganar o estômago. não foi? depois juntamos as coisas e fomos embora, a areia grudava no pé e até hoje não consegui tirar tudo o que ficou preso em mim daquele dia.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;mas tudo isso, isso tudo, pra me despedir. comemora por mim, a passagem do ano. que já passou e foi tão de mansinho que a gente não notou. e, por favor, me manda perguntas e um iluminador. pra eu ver se eu aprendo, de uma vez por todas.&lt;br /&gt;o que é indispensável nos dias de hoje.&lt;br /&gt;e o que eu tenho que saber.&lt;br /&gt;sobre esse troço volátil que é a vida.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/3878926-116900507176554891?l=recheiodeque.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3878926/posts/default/116900507176554891'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3878926/posts/default/116900507176554891'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://recheiodeque.blogspot.com/2007/01/incidncias-sopra-velas-veste-roupas-ao.html' title=''/><author><name>Fernanda</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://bp0.blogger.com/_G7QdkBA8xiw/R_90yIdj-FI/AAAAAAAAAN4/I_yd7X61TQE/S220/Blusa+Florezinhas+PB++Lateral.JPG'/></author></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-3878926.post-116023937412723843</id><published>2006-10-07T13:29:00.000-03:00</published><updated>2006-10-07T14:22:30.433-03:00</updated><title type='text'></title><content type='html'>&lt;br&gt;&lt;b&gt;Le premier bonheur du jour&lt;/b&gt;&lt;br&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ficou tudo tão inapropriado que uma gota quente submergiu de dentro das células de dentro dos vasos de dentro das vísceras e veio escoar-se a si própria por entre os cílios, cheios de rímel à prova d'água. A sensação de abandono era tamanha que não restou alternativa senão abandonar tudo aquilo: tomar coragem, impulso, um último gole de whisky e correr, muito veloz, até encontrar a janela aberta. Saltar sobre o parapeito e voar pra bem longe. Prometer-se descobrir quem era o último, e que cheiro, que cor teria o nada depois dele.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Tocavam umas canções tão bonitas da françoiz breut que dançar e se lembrar de tudo era inevitável, bem devagar, e sorrir tão comprido quanto a distância entre uma vontade e o prazer.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Tive um sonho: a gente chorava com medo do inseto e ele chorava com medo da gente. Só que a gente acordou e foi comer cuca de banana com suco de maracujá fresco pra se acalmar e recuperar a força pra arrastar os movéis de um canto pro outro até o fim dos tempos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Me ajuda a lavar essa louça toda? Prometo que depois a gente fica a tarde toda molhando as plantas até dar a hora da chuva, que eu finjo não gostar. Dizem que é pra te manipular, mas você olha o meu cabelo molhado, a roupa ficando transparente, me aperta contra o seu peito e diz que é tudo charme, que eu nasci e vou morrer fazendo charme, e eu me controlo pra não achar graça, falo pra você não fugir do assunto, você não diz nada e aperta os olhos, aperta a chuva e você olha bem através dela, abre a boca não porque tem sede mas porque eu sabia e a provisão vem sempre de cima. (menos música: vem da onde, música?) eu digo vamos pra dentro porque tenho medo dos raios, e desses eu tenho, não é charme, você sorri. arranca um ramo de capim limão pra fazermos chá e me leva pra dentro, me leva pro barco de papel, porque só assim a gente consegue sair de casa no meio desse dilúvio. deixa eu pegar o guarda-chuva. esfriou, é melhor você levar teu casaco. mas agora já saímos, vamos perder a hora. (pai, quando se perde a hora, pra onde é que ela vai?) então deixa, qualquer coisa você veste o meu casaco. mas aí você é que vai ficar com frio.&lt;br /&gt;não tem importância.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Dizem que nao tem solução, dizem que é assim mesmo, dizem tanta coisa que quase sempre é certa. Queria que perdessem a voz.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Tornar-se mais velho, mais chato, mais cansado. Injusto?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mais c'est pas pour ça. Tudo o que sobra, no final (que nunca é o fim, nunca, nem quando param de bater os corações), é o som indecifrável da tevê do vizinho, um passarinho desgarrado da família alardeando o desespero, uns pingos de sereno na planta da varanda, um barulho de motor e pneus de carro voltando pra casa muito depois da hora; alguém espera, ninguém espera. Tudo escondido por trás dos tijolos que vão se empilhando em cima dos nossos sobrenomes. O que sobra são essas coisas sozinhas. Ninguém suporta mais ouvir falar: gente sozinha, ideal sozinho, dormir sozinho, falar sozinho. Até virar quase um zero mesmo (a quantidade de anulações coletivas tende ao infinito).&lt;br /&gt;O vazio é um lodo espesso e intransponível que corre por dentro de encanamentos, artérias, postes, fios, veias, troncos de árvores. E vai se espalhando depressa, se estagnando por entre réplicas e tréplicas ou silêncios irreversíveis. A solidão é um troço que faz a gente abrir a geladeira sem estar com fome ou sair por aí com umas pessoas bem barulhentas pra tentar estar junto. Pra asfixiar o vácuo de dentro que não está bem lá dentro, e sim nas superfícies, nos contornos dos corpos, das coisas, nos dias nublados muito claros que contraem os olhos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Que nem quando chegamos. Tinha tanta coisa quebrada que tivemos de enrolar as pernas e os braços em papel bolha pra não acabarmos tendo de ir ao hospital levar ponto. Num emblema, dançamos uma valsa antes de começarmos a consertar o mundo. E prometemos dançar outra depois que acabássemos. Faz uns trinta e sete anos isso e ainda não dançamos a segunda valsa.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Tanta gente se separou desde então. De outro indivíduo, de si próprio, do mundo. Tanta depressão foi escrita, fotografada e filmada. Tanto sexo foi feito pra tentar tapar um buraco que ia rasgando tudo de um pólo ao outro da terra. Tanta mentira foi contada com aquela desculpa cretina de não magoar o outro. Que por enquanto chega-se ao extremo de não saber mais. Se ganha-se mais dinheiro pra realizar uns sonhos que vão exigir que se ganhe mais dinheiro. Se queijo mussarela engorda muito. Se vale à pena se sentir tão triste por tanto tempo pra depois ficar tudo bem (Se é que vai). Se rabisca-se todas essas conclusões desamparadas e se volta-se ao zero. mas onde fica mesmo, o zero?&lt;br /&gt;Já teve tanta coisa depois dele.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Regarde, les étoilles. Teve aquele beijo naquele show naquela noite que virou dia sem que a gente percebesse.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;(a verdade é que daqui a uns 40 anos vamos nos lembrar desse beijo. e, do resto, quase nada.)&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Podia ser tudo simples como nas ruas de cimento onde se aposta corrida de bicicleta. Joelhos ralados, mercúrio cromo, band-aid e pronto. No dia seguinte, corrida de bicicleta.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Agora é assim: nada combina com nada.&lt;br /&gt;Mas não se preocupa, vou voltar lá pra te buscar. Lá onde perdi:&lt;br /&gt; &lt;br /&gt;meu balão de papai noel pro céu&lt;br /&gt;minhas lágrimas pra água da piscina&lt;br /&gt;minha sandália pra correnteza do rio&lt;br /&gt;meus sorrisos pra cada uma das suas gentilezas, olhares, papéis de embrulho bonitos, escolhidos com carinho.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;meus caminhos&lt;br /&gt;pra cada porta que se abra longe daqui.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/3878926-116023937412723843?l=recheiodeque.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3878926/posts/default/116023937412723843'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3878926/posts/default/116023937412723843'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://recheiodeque.blogspot.com/2006/10/le-premier-bonheur-du-jour-ficou-tudo.html' title=''/><author><name>Fernanda</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://bp0.blogger.com/_G7QdkBA8xiw/R_90yIdj-FI/AAAAAAAAAN4/I_yd7X61TQE/S220/Blusa+Florezinhas+PB++Lateral.JPG'/></author></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-3878926.post-114798258949806261</id><published>2006-05-18T16:53:00.000-03:00</published><updated>2006-05-18T17:12:55.596-03:00</updated><title type='text'></title><content type='html'>&lt;br&gt;&lt;br&gt;&lt;b&gt;um dia chega&lt;/b&gt;&lt;br&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;cansaço, cansaço.&lt;br /&gt;porra, sabe, exaustão. de ficar rompendo com a linguagem o tempo todo. procurando a ciência nas condutas. as meias-palavras pra dar as notícias, um ritmozinho pequeno, verde, no cantinho da tela. que dê uma pontinha de esperança brilhando no olho da pessoa, acordando dentro do peito e faça a gente continuar.&lt;br /&gt;acontece que às vezes a gente sai tão pó porque perdeu. nesse caso, saber perder é cominutivo. um monte de pedaços de gente que vão-se embora (em si e no choro dos outros), mas que acabam se acumulando debaixo da nossa porta, contas que a gente paga com multa, fica na fila do banco, perde um tempo enorme em silêncio e burocracias: encontrar um espaço no armário pro luxo de guardar cada obstrução.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;depois escolhe a roupa com que vai sair de casa no dia seguinte. o dia em que te que agradecem alguma coisa que: imagina, não fiz mais do que minha obrigação. e é assim. continua, a vida, dizem.&lt;br /&gt;próximo, caixa livre.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;ficar achando tudo tão monótono: o alarme tocar todo dia na mesma hora, ter que sair cedo pra não pegar trânsito, ter que comer direito porque não dá tempo de não ter saúde. ou encontrar a saída: morrer não é o ideal. não é suficiente, morrer é banal. morrer é aquilo que a gente faz sempre que, pra não sofrer, contrata um exército de argumentos e de alegorias de auto-piedade pra poder ficar lá atrás de tudo, só ganhando dinheiro e quebrando as próprias pernas por aí. morrer é quando a gente deixa de. só que chega uma hora em que.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;todas as tendinites valem à pena. sim. dizer as coisas fora do seu campo semântico. fazer festas surpresas pelo mundo. deixar-se flutuar um pouco nos equívocos dos outros. todos os cacos de vidro, toda a maresia grudada na janela, todos os insetos esmagados e os líquidos deles escorrendo na sola do sapato novo.&lt;br /&gt;todos os atestados de óbitos que a gente entrega pras senhorinhas miúdas que há poucos minutos estavam ajoelhadas pedindo pelamordedeus.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;(essas coisas que fazem qualquer um achar que virou um deserto.)&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;só que ficar sentindo o vazio duro em volta do ar vai dar muito trabalho. vai ter que colecionar figurinha que nem criança pra tentar sentir o troço todo de novo e, enfim, conseguir começar de uma vez só. senão vai ficar entrando na água aos pouquinhos, molhar só a barriga, depois os antebraços, o rosto, a nuca, e não vai nunca aprender como é arriscar um choque térmico.&lt;br /&gt;ver que isso tudo é arcaico. essa sabedoria redundante, isso de ser melhor, de se tornar indispensável, de tentar dormir sem culpa. é só reprise de novela ruim. &lt;br /&gt;ninguém quer.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;o que se quer é além. a salvação em qualquer troço condenável, lamentável, a riqueza da escória. alguma coisa eterna que não dure mais do que cinco minutos pra não dar tempo de enjoar, de desconfiar, de desprezar. alguém inatingível na palma da mão.&lt;br /&gt;e, principalmente, não absorver nada, não reter coisa alguma. ainda assim, chegar ao fim do dia em iminência de tudo. de tanta coisa que tem dentro.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;uma vida que consiste em pausas pra reconsiderar as escolhas, de trás pra frente.&lt;br /&gt;entre as pausas, a ação em si: morrer, né.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;achar. rasgar. burlar.&lt;br /&gt;(morrer é um troço solitário pra caralho.)&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;não fingir que nada está acontencendo.&lt;br /&gt;isso, sim, isso é conseguir.&lt;br /&gt;estar lá na frente pra ver. pra descobrir o que vai ter depois.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;depois que não faltar mais nada.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/3878926-114798258949806261?l=recheiodeque.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3878926/posts/default/114798258949806261'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3878926/posts/default/114798258949806261'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://recheiodeque.blogspot.com/2006/05/um-dia-chega-cansao-cansao.html' title=''/><author><name>Fernanda</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://bp0.blogger.com/_G7QdkBA8xiw/R_90yIdj-FI/AAAAAAAAAN4/I_yd7X61TQE/S220/Blusa+Florezinhas+PB++Lateral.JPG'/></author></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-3878926.post-114038832592500183</id><published>2006-02-19T19:28:00.000-03:00</published><updated>2006-02-19T19:32:05.936-03:00</updated><title type='text'></title><content type='html'>&lt;br&gt;&lt;br&gt;&lt;b&gt;despertador.&lt;/b&gt;&lt;br&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;levantar-se antes do sol quase sempre quer dizer que é hora de emergir. assim: tornar-se emergência de si, porque o seu amor não tem mais muito tempo, não tem mais as mãos limpas, o olho doce, as roupas leves.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Um gole enorme de ar que sufoca mais do que a falta dele e, enfim, só por isso, perceber: o mundo girou sem precisar de você dentro dele. mas sem fazer alarde, sem mandar beijos no ar, sem discutir as repercussões disso, voltar a si. cumprir promessas, chegar no horário, saber.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;saber.&lt;br /&gt;saber.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;institucionalizar a própria auto-defesa, os medos infundados (não os são todos?), o sentir-se-ridículo-chorando-antes-de-dormir. parece difícil, requer coragem, dizer o que se sente. que diferença faz? uma luz forte que deixa a visão cheia de falhas, a verdade é isso. e é engordurada, pegajosa. tem cheiro enjoado de festa de criança pequena.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;no final, as cordas arrebentam, as molduras racham, as palavras. poxa.&lt;br /&gt;as palavras desaparecem. resta só um latifúndio improdutivo pra cobrir com querosene: assistir tudo queimar. dói um pouco, se for preciso, mas acaba. e depois? tornar-se nômade: abandonar; não é o que se deseja?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;amanhã tudo muda, invertem-se funções, desinventam-se escolhas, enfia-se um saco pela cabeça até não haver mais oxigênio pra alimentar o fogo que a gente tem nos olhos, que se espalha pela nuca, que se transfere entre as bocas. &lt;br /&gt;asfixia é hábito, anestesia é vício. e tempo é abelha: pica quando é incomodado.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;esperar tanto mas tanto que, de repente,&lt;br /&gt;não ter mais por quê.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;estar livre.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;ouvir um piano dedilhado. longe, quase nada. seguí-lo.&lt;br /&gt;seguir sempre.&lt;br /&gt;em frente.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/3878926-114038832592500183?l=recheiodeque.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3878926/posts/default/114038832592500183'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3878926/posts/default/114038832592500183'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://recheiodeque.blogspot.com/2006/02/despertador.html' title=''/><author><name>Fernanda</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://bp0.blogger.com/_G7QdkBA8xiw/R_90yIdj-FI/AAAAAAAAAN4/I_yd7X61TQE/S220/Blusa+Florezinhas+PB++Lateral.JPG'/></author></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-3878926.post-113504943370119834</id><published>2005-12-20T01:28:00.000-02:00</published><updated>2005-12-20T01:30:33.710-02:00</updated><title type='text'></title><content type='html'>&lt;br&gt;&lt;br&gt;&lt;b&gt;vou.&lt;/b&gt;&lt;br&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;aeroporto. samba. de orly.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;vai me esperar com umas tulipas, vai.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/3878926-113504943370119834?l=recheiodeque.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3878926/posts/default/113504943370119834'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3878926/posts/default/113504943370119834'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://recheiodeque.blogspot.com/2005/12/vou.html' title=''/><author><name>Fernanda</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://bp0.blogger.com/_G7QdkBA8xiw/R_90yIdj-FI/AAAAAAAAAN4/I_yd7X61TQE/S220/Blusa+Florezinhas+PB++Lateral.JPG'/></author></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-3878926.post-113098324359791458</id><published>2005-11-02T23:54:00.000-02:00</published><updated>2005-11-03T00:09:33.156-02:00</updated><title type='text'></title><content type='html'>&lt;br&gt;&lt;br&gt;&lt;b&gt;Finados&lt;/b&gt;&lt;br&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Não há mais investigação alguma&lt;br /&gt;a ser realizada.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/3878926-113098324359791458?l=recheiodeque.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3878926/posts/default/113098324359791458'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3878926/posts/default/113098324359791458'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://recheiodeque.blogspot.com/2005/11/finados-no-h-mais-investigao-alguma-ser.html' title=''/><author><name>Fernanda</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://bp0.blogger.com/_G7QdkBA8xiw/R_90yIdj-FI/AAAAAAAAAN4/I_yd7X61TQE/S220/Blusa+Florezinhas+PB++Lateral.JPG'/></author></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-3878926.post-113000015564270992</id><published>2005-10-22T14:52:00.000-02:00</published><updated>2005-10-22T15:01:26.350-02:00</updated><title type='text'></title><content type='html'>&lt;br&gt;&lt;br&gt;&lt;b&gt;Obstrução&lt;/b&gt;&lt;br&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Foi a primeira vez que escreveu seu nome na neve, sentindo o dedo queimar e se dessensibilizar. Tem experimentado borboletas em seu estômago, dia sim, dia não. Estamos fora de controle, percebeu? Com todas as armas, aquele arsenal disparando qualquer alarme por onde passávamos. Estávamos anestesiados. Foi preciso um holofote pra que saíssemos daquela negação estúpida e agora dá pra enxergar tudo porque a era da hipnose, ó, acabou.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Sintetizar é fácil, detalhar é fácil. Mas e dizer a verdade? Por via das dúvidas, queria ter escrito aquilo: não te dizer o que eu penso já é pensar em dizer. (As melhores idéias que já tive foram roubadas dos outros.) Mas é a única coisa que não cabe dentro do hiato. Porque sempre acaba da mesma forma: eu choro, você diz que me avisou.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mas não te avisaram: não se perde pessoas, o que se perde é um ritmo sincrônico. Há muitos anos ouvi: o nosso tempo já passou. Foi um prego que perfurou a minha membrana timpânica e transfixou a base do crânio. Quando puxei de volta não drenou nada. Mas dói até hoje. Faço compressa de água quente quando o dia termina; só melhora quando acordo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Acordei quase no final do filme. Quando ela diz pra ele: "pro seu pai só existiram duas mulheres no mundo:&lt;br /&gt;a sua mãe&lt;br /&gt;e todas as outras."&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Me deu saudades, isso.&lt;br /&gt;Dos tempos em que a gente amava em silêncio, de quando a neblina era bonita e tinha cheiro de camomila.&lt;br /&gt;Agora, tudo na periferia. É preciso muito barulho e esgotamento para se provar qualquer coisa. Virei a pessoa mais fotofóbica que conheço.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Decidi aderir à greve de importâncias. Só porque o luto ficou justificável, logo agora que não sei mais combinar tons de preto entre si. Fiquei deitada, recebendo desapego intravenoso. Você não quis me transfundir o seu, arranjei quem quisesse. (A verdade, que lamentável, é que sempre vou me importar.)&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Sobrou uma poça. De contradição e incerteza. Quem não é?&lt;br /&gt;Vamos continuar sendo orgulho e desmatéria, uma sucessão de eventos duvidosos que parecem integralmente novos. Mas são os mesmos de sempre. Fazem a gente pensar: como a nossa vida é medíocre. Articular palavras vai continuar sendo uma prática obsoleta. Conformar-se: promessas são quebradas antes de serem feitas.&lt;br /&gt;Ao menos não preciso interpretar mais nada. Despertar de um sonho ruim.&lt;br /&gt;Ironia: descobri como se diz "decepção" em ortografia.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Tem coisas que todo mundo sabe: ler música, tirar sangue de artéria, escolher maracujá. Tem coisas que não se ensina.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Queria estar acessível, queria ser transmutável. Mas me desmascararam.&lt;br /&gt;Escorri no vão.&lt;br /&gt;Entre o trem e a plataforma.&lt;br /&gt;Entre o que já foi e o que nunca mais.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/3878926-113000015564270992?l=recheiodeque.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3878926/posts/default/113000015564270992'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3878926/posts/default/113000015564270992'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://recheiodeque.blogspot.com/2005/10/obstruo-foi-primeira-vez-que-escreveu.html' title=''/><author><name>Fernanda</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://bp0.blogger.com/_G7QdkBA8xiw/R_90yIdj-FI/AAAAAAAAAN4/I_yd7X61TQE/S220/Blusa+Florezinhas+PB++Lateral.JPG'/></author></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-3878926.post-112924792795923784</id><published>2005-10-13T20:55:00.000-03:00</published><updated>2005-10-13T21:04:22.633-03:00</updated><title type='text'></title><content type='html'>&lt;br&gt;&lt;br&gt;&lt;b&gt;Os nervos vermelhos&lt;/b&gt;&lt;br&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;As pontas aparadas, deliberadamente. É ponta ou é aresta? De cabelo eu sei que é ponta, mas e de chapéu? Cantei que se não tivesse 3, não seria o meu. Porque foi o dia mais quente da primavera.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Nós duas estalando, fritando, nos liquefazendo enquanto deslizávamos, em câmera rápida, entre os postes de luz apagada, porque já era dia. De mãos dadas, duas meninas de mãos dadas, não nos importamos com o que significa hoje em dia. Porque as nossas pupilas, ai, as nossas pupilas. Tão grandes que ninguém percebia que o olho dela era claro e o meu, não. Só me lembro que tudo foi passando, passando, o sol batendo nas janelas, as faxineiras se aventurando lá no alto pra limpar os vidros, a lagoa acordando, a hípica, tudo, mas tudo muito veloz. E depois acordei numa salinha; a enfermeira veio me chamar, disse que eu ia ter alta. Tentei perguntar a um rapaz o que é que tinha me acontecido.&lt;br /&gt;Ele não sabia.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Voltei pra casa. Senti uma exaustão que não fazia sentido, e comi um pãozinho com manteiga porque já devia estar há muito tempo em jejum. Me deitei. Nem-sei-quantas horas depois o telefone me acordou. Fui me lembrando, devagarzinho, me lembrando. Quanta merda. Estava com febre, um pouco. A cabeça em combustão espontânea. Acendi uma vela pra São Tomé porque, se eu não visse, nunca ia conseguir crer.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Dizem os mais velhos que o problema do mundo é falta de fé.&lt;br /&gt;Acho que o problema da fé é a falta do mundo. Inventaram esses recipientes que se fecha a vácuo (pros biscoitos não ficarem moles, sabe?) mas alguma coisa se inverteu e quem ficou duro mesmo fomos nós. Se você prestar atenção, dá pra escutar o barulho do indivíduo do lado sendo mordido, parece salgadinho de criança. Mas também, uma vez que a gente é quebrada, entra em contato com a saliva quente e também derrete. E foi por isso que te chamei naquele dia pra ver um filme do Lynch. Ver se a gente parava de ser tão rígida e se tornava à prova d'água quando chovesse, já que todos os meus guarda-chuvas entortam. Ou então somem mesmo. Teve aquele dia que os três foram ao maracanã e cada um levou o seu guarda-chuva. Era torrencial, disseram que era culpa do Nelson Rodrigues. E aí todos os 3 esqueceram seus guarda-chuvas lá, o time deve ter vencido.&lt;br /&gt;Tá vendo como eu não me esqueço das histórias? Eu também amo muito vocês, sempre, pra toda a vida. Vou deixar isso escrito em algum lugar, com a minha letra, não importa se é cafona. Agradecer por todos os pedaços de bolo de laranja com chá de capim limão. Fico em carne-viva só de pensar. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Agora, e se o tempo for um fio mesmo?&lt;br /&gt;Se for, não há mais solução e certamente tem alguém feliz com isso; acho que até já sei quem. Fui balançando a cabeça, olhando pro chão, pensando: estou me repetindo, estou me repetindo. Então fui encontrar com eles no restaurante mas, quando cheguei, sentei no bar. Não falei com ninguém porque queria fazer uma promessa antes. &lt;br /&gt;Sentei naquele banco alto, que deixava os pés balançando, e olhei lá dentro dos líquidos de cada garrafa na prateleira. Falei: nunca mais vou topar nada. Acho que ninguém ouviu; melhor assim, sem testemunha. Pra não vir ninguém catar os meus pedaços depois, e dizer: você sempre soube que isso ia acontecer, que coisa horrível de se escutar. Mas quanto a você, tenta, sim. Nunca entendo nada do que você me escreve mesmo. E me desculpa se nunca te deixei me dar um beijo. Devia ter deixado.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O menino, tão preocupado:&lt;br /&gt;- Doutora, é que minha mãe tem muito problema de nervos&lt;br /&gt;- Mas ela tem algum outro problema, pressão alta, diabetes?&lt;br /&gt;- Não, só de nervo mesmo.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/3878926-112924792795923784?l=recheiodeque.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3878926/posts/default/112924792795923784'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3878926/posts/default/112924792795923784'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://recheiodeque.blogspot.com/2005/10/os-nervos-vermelhos-as-pontas-aparadas.html' title=''/><author><name>Fernanda</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://bp0.blogger.com/_G7QdkBA8xiw/R_90yIdj-FI/AAAAAAAAAN4/I_yd7X61TQE/S220/Blusa+Florezinhas+PB++Lateral.JPG'/></author></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-3878926.post-112880691069083652</id><published>2005-10-08T18:07:00.000-03:00</published><updated>2005-10-08T18:28:30.696-03:00</updated><title type='text'></title><content type='html'>&lt;br&gt;&lt;br&gt;&lt;b&gt;Que me adora&lt;/b&gt;&lt;br&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Eles voam como se não soubessem, falam como se não disessem. Mas (quem sou eu?) não consigo muito tempo olhar, me dá náuseas: eles entre a existência e a não; acham que sabem, pensam que entendem. Nada. Imagem é tudo, então: dá um nojo. Engraçado, sempre que saio dali bebo três litros d'água, não sei o que desidrata mais, se são as doenças ou as curas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Nada no lugar. Não corro quando estou com pressa, tiro o relógio e tudo. Páro, troco o pé. Não volto atrás, mesmo que me arrependa. Me arrependo muito. Dizem que eu sou corajosa, dizem que eu sou medrosa, dizem que eu sou tanta coisa. Mas quando sou eu quem vai dizer, quem sou eu? Ela se pendura em mim, aquela tragédia do querer. Mas você não saberia, porque acordo, de acordo com os livros, com parestesia em todos os lugares, acordo tarde demais. Pra conseguir mudar as coisas. Não era assim, antes. Nada era. Está bom assim? Não quero ter que tomar midazolam de novo. A dor nunca mostra algo de bom.&lt;br /&gt; &lt;br /&gt;Ainda procuro desculpas pra não escorregar. Ainda procuro formas de usar as fôrmas certas. Ainda procuro. O quê? Como antecipar. Promete que vai me trazer todas as respostas do mundo? Se não puder, não tem problema, compro pela internet mesmo, quanto será que custa?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Depois que me desfaço em disfarces, que viro uma prosopopéia dos sonhos dos outros, eles gritam: mais um, mais um. Mas de novo, não. Não vou me humilhar que nem ela fez, apesar de que tem gente que gosta. Exagerar no discurso, na bebida, na maquiagem, na vontade, até virar outra pessoa, e ir embora por uns tempos. Morrer longe, muito longe de casa. Que é quando se faz círculos em torno de si mesmo, quando se tem energia pra sugar o que estiver ao redor. Tudo muito fantástico, naturalmente. Especialmente quando tem alguém pra te despir de tudo o que ficou pra trás.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Tô morrendo de vontade. Rasgar as texturas e classificá-las em "é", "não" e "por quê". Depois dançar sobre estilhaços de vidro.&lt;br /&gt;Entrar numa música que você não vai ouvir. Pra (de propósito) não me encontrar mesmo. E, quando ela terminar, mergulho dentro de uma água muito limpa, pra me ocupar espiando cavalos marinhos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Porque é isso mesmo, ser humano: ficar enganando o vazio de dentro mesmo com gente brilhando em volta. Nunca ter a certeza de estar dentro da própria rota, da própria pele. E, às vezes, conseguir preencher tudo aquilo com a simplicidade de acreditar em alguma coisa, em alguém. Mas depois, não se iluda: volta tudo. Sempre volta. Até o dia em que acabar. Se é que acaba. E, enquanto isso, ignorar. A culpa, a culpa, a culpa. O tempo perdido. O caminho de volta. Qualquer indício de nostalgia.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Deixar a nossa vida inteirinha no shuffle.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Porque, na realidade, a gente é só aquilo (pó de estrela).&lt;br /&gt;E todo mundo quer a mesma coisa.&lt;br /&gt;Esquecer.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/3878926-112880691069083652?l=recheiodeque.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3878926/posts/default/112880691069083652'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3878926/posts/default/112880691069083652'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://recheiodeque.blogspot.com/2005/10/que-me-adora-eles-voam-como-se-no.html' title=''/><author><name>Fernanda</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://bp0.blogger.com/_G7QdkBA8xiw/R_90yIdj-FI/AAAAAAAAAN4/I_yd7X61TQE/S220/Blusa+Florezinhas+PB++Lateral.JPG'/></author></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-3878926.post-112836227161758818</id><published>2005-10-03T14:53:00.000-03:00</published><updated>2005-10-03T14:57:51.623-03:00</updated><title type='text'></title><content type='html'>&lt;br&gt;&lt;Br&gt;&lt;b&gt;99%&lt;/b&gt;&lt;br&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Fiz a pergunta mais relevante:&lt;br /&gt;- quando você vai na galeria onde tem a leonardo da vinci, você desce pela rampa ou pela escada?&lt;br /&gt;Você abriu a boca pra dizer a primeira sílaba da resposta. Não saiu. Eu ri. (Não de você, eu nunca rio de você.) Perguntou que tipo de pergunta era aquela e passaram horas e até hoje não sei a resposta e, sabe o quê, fico preferindo deixar assim só pra poder deitar na grama, olhar os aviões sumindo e te imaginar descendo ora pela escada, ora pela rampa. Eu vou até lá pra procurar algum recado de você pra mim dentro dos livros. De vez em quando encontro. Depois procuro alguma coisa pra comer. Qualquer uma que não seja teratogênica. Existe, ainda? Perco a fome só de pensar. Mas, de qualquer jeito, quem é que ainda perde tempo se preocupando com a própria vida?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Preciso de grana. Não sei me lamentar. Desdenhar também não. Mas sei dirigir; depois me arrependo. Quase morri 8 vezes. Quando chego faço carinho na patinha dela. Que fica nervosa e vai embora. Mas de beijo na orelha ela gosta, quem não gosta? Alguém me ensina a puxar o saco dos outros. Vamos fazer um pacto pra quando formos bem velhinhas: eu vou no seu enterro e você vai no meu. Assim, ninguém fica sozinha. E ninguém pode se esquecer de viver.&lt;br /&gt;Pergunta qual é o ônibus que se pega pra áfrica. Enquanto isso, tem gente assinando documentos por mim, usando o meu dinheiro pra se divertir, me atribuindo a autoria de frases que eu não poderia falar. Porque não tenho conhecimento de causa. Porque estou desmanchando em ausências. Buscando pessoas imperfuráveis, onde posso ser solvente e soluto, alternadamente. Pra residir em um, somente um lugar.&lt;br /&gt;Um dia ainda consigo, você vai ver. E não vai mais sobrar nenhum grão de remorso. Aí, sim, vão sentir saudades.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Meu amor, na encruzilhada, o que é que você vai fazer? É uma das perguntas proibidas. Um dia mando a lista, em ordem decrescente: &lt;em&gt;Il est interdit d'interdire&lt;/em&gt;. Não se assusta: vão chegar todas em fotografias. Em envelopes de camurça. Na realidade é fácil descobrir, ó: o que é mais importante pra você?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;(Mas nem tudo se simplifica dessa forma, eu sei.) As ruas todas precisam umas das outras: a igreja em uma se sustenta com o dízimo dos habitantes da outra, que levam os filhos à escola em uma terceira e que, por sua vez, recebe a merenda de uma empresa na quarta. Há também um beco. E se a gente fosse por ele? Escolhesse a saída que não existe. Como que fica a nossa história? Quem vai contar?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Então, se uma coisa sempre precisa de outra, mesmo que sejam incompatíveis (e na maioria das vezes são), ninguém está realizado com nada. Só as pessoas que têm sorte, mas estas não contam, não há relação de causa e efeito. Que nem quando a gente botava sempre a mesma roupa pros jogos da copa, afinal aquela roupa estava dando sorte. E, se a gente perdesse, era porque não-era-pra-ser. E, se não se está contente, não vai dar nunca pra responder a clarice. Que, quando era pequenina, perguntou: "depois que se é feliz, o que acontece?"&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mas pensa pelo lado bom: se você memoriza tudo só pra poder contar pra ele e se ele não existe mais, vai sobrar muito espaço na sua cabeça. Mais um artifício, viu só? Talvez um dia a gente descubra como se faz pra transformar todos eles em fogos bem bonitos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Nenhuma dessas conclusões revela ou releva um achado, não é? Então pergunta pra doutora: quanto tempo vai demorar pra cicatrizar.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Termina logo, abruptamente, nada de quadro incidioso ou crônico. Um rompante.&lt;br /&gt;Mas não é sobre amor. Nem tudo é.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/3878926-112836227161758818?l=recheiodeque.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3878926/posts/default/112836227161758818'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3878926/posts/default/112836227161758818'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://recheiodeque.blogspot.com/2005/10/99-fiz-pergunta-mais-relevante-quando.html' title=''/><author><name>Fernanda</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://bp0.blogger.com/_G7QdkBA8xiw/R_90yIdj-FI/AAAAAAAAAN4/I_yd7X61TQE/S220/Blusa+Florezinhas+PB++Lateral.JPG'/></author></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-3878926.post-112740662216321250</id><published>2005-09-22T13:25:00.000-03:00</published><updated>2005-09-22T13:34:08.920-03:00</updated><title type='text'></title><content type='html'>&lt;br&gt;&lt;br&gt;&lt;b&gt;Anjo da guarda&lt;/b&gt;&lt;br&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Todo mundo esperando uma segunda chance pra refazer as besteiras ou então uma distração do sabor amargo que foi se depositando aos poucos, enquanto se despia muito vagarosamente e alteradamente. Pra sentir alguma outra coisa que não seja isso.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Nos últimos resíduos, a palavra que pinga sobre as nossas cabeças, e que a gente evita pronunciar pra não admitir que tem: esperança. De um dia inventarem um lugar pra onde não se leva escombros. Pra onde a viagem não tem intercorrência, o percurso macio, sem turbulência, porque a gente voa acima de tudo. O que é uma armadilha, então, cuidado: colocar-se acima de tudo. Tem tanta gente morrendo disso.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Um mosaico de coincidências. Todos os órgãos, o céu, o jornal de ontem, a música bem na hora, as crianças com mais medo do que dor. Tudo fatalidade. Uma hora você escolhe o seu papel, porque a não-ficção é um risco doido, e foi proibida, parece que agora todo mundo tem que escolher o que vai ser. Como desgastar o brilho todo de uma vez só, pra depois lustrar novamente e telefonar pra mãe e choramingar - vem me buscar.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Tem faltado um dos sete elementos que não se compra e também não se desenvolve. Cadência. A única coisa não-linear sem prazo de validade é filme. O resto: primeiro é mágica, depois é absurdo. Os direitos ficam todos seqüestrados por um tempo que - das duas uma: ou não chega, ou não passa. O difícil é não perder o dos outros. Responsabilidade grande: guardar alguma coisa que não é sua. Tempo nasceu assim mesmo, sem sinonímia, recurso não-renovável. E, mesmo assim, a gente teima em empurrar ele de volta, pra dentro do tubo, não é? Pensamos assim: um dia ele cansa e vai ter de sobra. Pras segundas chances, pros primeiros erros, a coleção de arrependimentos. Que todo mundo jura que não tem. Tenho uma pergunta: por quanto tempo o indivíduo consegue ficar fraco sem perder a vontade de acordar no dia seguinte?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E qual é a função primordial da menina bem no meio?&lt;br /&gt;O nome dela é tão lindo que não consigo parar de falar. Fico repetindo, repetindo, pra ver se fica inscrito em mim, pra eu poder tomar coragem e ir até a sua casa lhe agradecer. Levo aquele cachecol que gastei uma noite inteira pra fazer, todo em ponto de cruz. Mas de repente melhor seria esperar até o próximo ano, o calor está chegando mesmo. Vê, a gente arranja desculpa pra tudo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Eu sei muito bem o que aconteceu: no dia em que eles se conheceram ele foi defendê-la mas ela estava acostumada a ser sempre forte, sozinha, nem percebeu, nem mesmo no final de tudo, quando se despediram, e ele sorriu. Antes disso, pela primeira vez em doze horas, sentou-se. Estavam a sós: ela apoiou os cotovelos da mesa e segurou a cabeça com as mãos, traduzindo a pessoa em estafa crua. Ele perguntou: te consome muito, né? Ela não respondeu, virou a cabeça devagar em direção a ele. Parecia cansado. Era mais jovem, mas dava a impressão de estar ali para protegê-la. Pois ninguém mais se deu ao trabalho. Mas, não, ela não percebeu. Olhou-o mais uma vez. Ele parecia gostar de jogar bola: cabeça de área, ela apostou. Deve ter um ciúme danado da irmã, se é que ele tem uma. Deve ser feliz.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;No meio disso tudo a avó diz: menina, vai dar uma volta, vai brincar, vai descobrir o mundo. Só que cada choro tem uma causa, ó: um dia foi porque a goiabada acabou, outro dia foi porque o gato sumiu, no outro foi porque o bicho picou e no outro foi só manha mesmo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;No meio disso tudo, o pai diz: menina, pensa bem, tem certeza de que é isso que você quer pra sua vida? Só que acabou escrevendo as cartas certas pras pessoas erradas, e não teve jeito, acabou entrando no antibiótico.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;É só dentro do carro, muito tarde, numa avenida estranhamente deserta. Só aí que a gente se esquece das peças que faltaram. Que a gente descobre. Porque resolveu fazer tudo aquilo. E porque amanhã vai fazer de novo. E de novo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E de novo.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/3878926-112740662216321250?l=recheiodeque.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3878926/posts/default/112740662216321250'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3878926/posts/default/112740662216321250'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://recheiodeque.blogspot.com/2005/09/anjo-da-guarda-todo-mundo-esperando-uma.html' title=''/><author><name>Fernanda</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://bp0.blogger.com/_G7QdkBA8xiw/R_90yIdj-FI/AAAAAAAAAN4/I_yd7X61TQE/S220/Blusa+Florezinhas+PB++Lateral.JPG'/></author></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-3878926.post-112682826336086575</id><published>2005-09-15T20:43:00.000-03:00</published><updated>2005-09-15T20:56:21.266-03:00</updated><title type='text'></title><content type='html'>&lt;br&gt;&lt;br&gt;&lt;b&gt;tarde, frio&lt;/b&gt;&lt;br&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Se não entenderem porque eu fiquei obnubilado quando te vi chegando sozinha daquele jeito não importa. Pedi uma caipirinha, mas não te deixei ver, ia parecer que eu era covarde.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Eu sou um covarde.&lt;br /&gt;E depois cheguei pertinho pra tentar me lembrar de todos os perfumes misturados que você renegava. Que eu distingüía, um por um, bem perto de onde as suas artérias pulsavam, e o que sobrava era algo cítrico-silvestre-com-amêndoa-e-hortelã. Em baixo de tudo a sua densidade que, na realidade, era tão delgada que arrebentava a cada cinco minutos e, com o tempo, foi ficando transparente, e dava pra ver por baixo de você, o que por muitos meses deixou as pessoas muito nervosas. Mas depois muito encantadas. Querendo mexer no seu cabelo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Se eu fizesse uma reestruturação na minha agenda de telefones, se eu conseguisse restaurar aquela foto da sua avó pequena, se eu editasse aquele vídeo que eu filmei de você arrumando o seu armário e tirando lá de dentro as inutilidades mais absurdas. E te entregasse isso tudo. Será que você se lembrava de quem eu fui?&lt;br /&gt;De quem a gente foi? Tá ficando tarde, sabe. Não vai dar tempo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Olhei pela janela: o professor estava falando sobre a queda dos juros, e você não se interessava, tentava, mas não conseguia, ficava descascando o esmalte da unha. Naquela hora você quase me viu e eu pensei que talvez fosse mesmo melhor não porque eu não tinha certeza se ia continuar querendo te compreender tudo de novo, desde o princípio. Porque nunca ia conseguir terminar e olhar e dizer: eu te entendo. Cheguei até a correr à farmácia e comprar acetona mas, quando voltei, você já tinha tirado tudo.&lt;br /&gt;A roupa. E entrado na piscina, mesmo com chuva, mesmo com medo de raio. Ninguém viu, só eu. Você lá, dentro d'água, debruçada na borda e falando um monte de coisas bem baixinho. Com uma das mãos fazia conchinhas, enchia de água e molhava a beirada: não sei se tentando esvaziar a piscina mais depressa do que a chuva enchia ou se tentando deixar o lado de fora mais molhado do que a chuva deixava. Vai ver que queria me falar de novo: ao invés de pôr a água pra fora, quando cheguei, pus pra dentro. não deixei cair uma gota, nenhuma, você ia ter ficado orgulhoso. Mas nem assim fazia sentido. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Quis dizer que tinha ficado contente ao saber que você ia voltar a estudar as profecias do seu trajeto e desemaranhar o barbante de um lugar. O mesmo lugar, pro qual você sempre voltava quando acabava o combustível. Você me dizia assim: só quero ver o mar.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Depois pôs a roupa alinhada do trabalho e avisou que não agüentava mais ficar dentro de casa, que ia assistir um filme do Bergman. Não quis que ninguém fosse junto. Quando voltou, tinha muito mais gente, só que você, não. Só luz. E pele e gestos e opiniões e jogo sem jogar. Eu nunca sabia definir o seu charme, e eu detestava essa palavra, por isso não dizia nunca. Não ter muita idade não significa muita coisa, afinal. Boa nem ruim. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Percebi que não tinha mais nada meu, nem retrato, nem nada. Fiquei com o orgulho ferido, quis procurar algum calor na moça bonita que tinha se mostrado interessada outro dia. Mas as coisas não são assim.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Eu sempre vou misturar os pronomes dos teus e dos seus e dos meus. Você nunca vai se lembrar de nada. Vou ficar olhando pras minhas mãos, te espiando atrás das esquinas que você dobra, nos cruzamentos que você não fecha. Me perguntando, todo o tempo, o que eu teria feito, outrora.&lt;br /&gt;Com o nosso. Que era tão nosso.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/3878926-112682826336086575?l=recheiodeque.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3878926/posts/default/112682826336086575'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3878926/posts/default/112682826336086575'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://recheiodeque.blogspot.com/2005/09/tarde-frio-se-no-entenderem-porque-eu.html' title=''/><author><name>Fernanda</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://bp0.blogger.com/_G7QdkBA8xiw/R_90yIdj-FI/AAAAAAAAAN4/I_yd7X61TQE/S220/Blusa+Florezinhas+PB++Lateral.JPG'/></author></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-3878926.post-112647769759625201</id><published>2005-09-11T19:27:00.000-03:00</published><updated>2005-09-11T19:28:17.600-03:00</updated><title type='text'></title><content type='html'>&lt;br&gt;&lt;br&gt;&lt;b&gt;De ótica&lt;/b&gt;&lt;Br&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Um dia a menina começou a anotar os números e as quantidades e os pesos e os metros de todos os passos apartamentos dando festas janelinhas acesas às 3 da manhã gomo-de-tartaruga ônibus pra surfista semente na fatia de melancia. e passou anos achando aquilo a coisa mais importante da vida, difundiu entre os amigos, que também saíam por aí contando tudo, compulsivamente, pra qualquer um. todos os segredos e as bebedeiras. depois cansou e inventou que as formas e maneiras eram mais relevantes. passou a adjetivar as pessoas os momentos as músicas. tudo muito claro amargo pesado irresponsável libidinoso devastado amarelo terúrico tenro esquematizado.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;depois de uns anos se esqueceu.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;hoje coleciona os mais diferentes barulho de risos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;amanhã, quem sabe.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/3878926-112647769759625201?l=recheiodeque.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3878926/posts/default/112647769759625201'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3878926/posts/default/112647769759625201'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://recheiodeque.blogspot.com/2005/09/de-tica-um-dia-menina-comeou-anotar-os.html' title=''/><author><name>Fernanda</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://bp0.blogger.com/_G7QdkBA8xiw/R_90yIdj-FI/AAAAAAAAAN4/I_yd7X61TQE/S220/Blusa+Florezinhas+PB++Lateral.JPG'/></author></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-3878926.post-112597699830653507</id><published>2005-09-06T00:22:00.000-03:00</published><updated>2005-09-06T00:26:09.086-03:00</updated><title type='text'></title><content type='html'>&lt;br&gt;&lt;br&gt;&lt;b&gt;A solução:&lt;/b&gt;&lt;br&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mandar por email a discografia inteira dos seus insucessos que por pouco não se desintegraram entre os outros, nas estantes dos tempos de vacas gordas em que a gente ganhava ouro branco sem motivo. Todo mundo ficou tão triste de uma hora pra outro que um dia desses parece até que passou pra mim. Fiquei olhando pra baixo um tempão e aproveitei que ele foi comprar água pra chorar um bocado. Depois tomei um banho bem frio e lavei o cabelo com xampu de camomila. Pra escapar pra dentro da cabeça, pelos poros, pra acalmar os curtos-circuitos. Ei, descobri com quantas canoas se faz um pau. Que eu sou a sua vitrine pra escória que está se arrastando e deixando pingar imundice bem no espaço entre as pedras portuguesas. O seu laboratório pra quando você quer tirar retrato em macro das micro-mazelas do nosso povo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Eu, que me arrumei toda. A base era pra homogeneizar, um trator que sedimenta tudo até desconstruir os quebra-molas da nossa superfície; o rímel que vai se aderindo aos cílios, da raíz às pontas, até não sobrar nada que pudesse interferir no olhar da mulher que eu não sou, nunca fui. Os pós em cores propositadamente escolhidas, combinadas, colocadas sem colóquio nenhum, mas tudo muito mensurado e devagar e cheio de sentimentalismo entrelaçado, que nem na música clássica, nos concertos do chopin (os melhores pra se maquiar). A boca tão desenhada que quase nunca precisa de mais alguma coisa. A não ser fugir dos seus beijos. O sapato que você gostava. Esperei, esperei. Tomei um comprimido de metoclopramida pra ver se eu melhorava. Fiquei reciclando travessão e depois tentei disdizer tudo. Desde o começo. Pra, então, descobrir: quando é que vai começar a vida de verdade. Prometer as coisas dá um trabalho enorme.&lt;br /&gt;Chegou uma hora que bastou. Ninguém espera pra sempre.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Existe todo um vocabulário que eu não conheço. Mas, em compensação, os transeuntes passam creptando e eu percebo. Têm cólica biliar e eu percebo. Descompensam do diabetes e eu, adivinha. Que nem quando você me ligou lá do outro lado pra contar que o seu pulmão colabou, e ficou pequenininho, espremido entre a maca dos bombeiros e o seu baço. Eu não me contive e ri no meio da história porque você nem sabe aonde fica o baço. Você ficou com a maior vergonha do mundo e me perguntou: - afinal, pra que serve o baço?&lt;br /&gt;Interrompi a explicação pela metade e me lembrei de um negócio que tinha tudo a ver:&lt;br /&gt;- Formato de olho deve ser que nem impressão digital...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mas dia desses te dou o mapa de você por dentro, tá bom? Me lembra. De tirar a água do fogo antes que haja uma explosão que transforme toda a casa numa telona branca. Eu vou ficar sozinha, acordar com a música da tevê ligada no canal de desenho animado. E depois de cuidar de tanta gente que sai de dentro de tanta ambulância, da gente quem é que vai?&lt;br /&gt;Fiquei cansada de juntar dinheiro. Vou comprar aquele sofá feio mesmo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mas o formato sempre depende de quem molda, entende? Por isso que tá tão disforme essa massa te engasgando aí. Por isso que não existe plural pra "contorno de olho". E, finalmente, por que é que as coisas impalpáveis são as que mais esmagam?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Espero que ele não fique bravo: joguei fora a flor. Estava linda. Mas não ia ficar olhando pra ela lembrando que ele tinha ido embora. E que não ia voltar nunca mais. Mostro a minha cicatriz nova, no ombro, e ele dá um beijo bem em cima dela. Tomei três pontos, eu digo. E a gente vai até o último andar, de escada rolante, enquanto fico me lembrando de quando eu ia à praia do leblon antes de ela ser poluída.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Daqui a pouco vou ser bem clara em relação a tudo o que em sinto em relação a todas as pessoas com quem já me relacionei.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;(&lt;br /&gt;só não sei se eles vão saber. vão querer. vão viver pra ver&lt;br /&gt;.)&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/3878926-112597699830653507?l=recheiodeque.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3878926/posts/default/112597699830653507'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3878926/posts/default/112597699830653507'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://recheiodeque.blogspot.com/2005/09/soluo-mandar-por-email-discografia.html' title=''/><author><name>Fernanda</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://bp0.blogger.com/_G7QdkBA8xiw/R_90yIdj-FI/AAAAAAAAAN4/I_yd7X61TQE/S220/Blusa+Florezinhas+PB++Lateral.JPG'/></author></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-3878926.post-112500619283096164</id><published>2005-08-25T18:40:00.000-03:00</published><updated>2005-08-25T23:59:54.686-03:00</updated><title type='text'></title><content type='html'>&lt;br&gt;&lt;br&gt;&lt;b&gt;Ampulheta. Ou:&lt;br&gt;O dia em que eu cantar Chico Buarque pra não te deixar dormir&lt;/b&gt;&lt;br&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Do começo até o fim da consulta, eu e você, a gente fica só jogando sinuca com os olhos. Sempre nunca falar nada: deve ter aprendido isso em algum filme japonês. Ou seja qual for a nacionalidade daquele cinema em que uns sujeitos ficam sentados durante uma hora e meia pra tentar encontrar beleza em overdoses e pra ouvir silêncio. Mentira, porque sempre tem alguém se mexendo na poltrona, alguém com pigarro de gripe ou de cigarro, alguém comendo. Silêncio mesmo não existe. Ou pelo menos assim eu acreditava - até eu começar a te freqüentar. Você é essa grande quadra polivalente deserta num campus universitário longínquo, aonde eu vou quando a noite vem, pra tentar dar uns murros em absolutamente nada e escoar os líquidos todos que estão aqui dentro de mim, se estagnando à toa. Então, se eu quiser, me deixa chorar, tá bom? Não diz que é anti-ético.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Teve um dia que tava chovendo e você deixou o agasalho pendurado atrás da cadeira. Quando você foi ao banheiro juntei tudo o que você já tinha desembolsado, todos os seus cheques, todas as suas notas, moedas e coloquei no bolso do seu casaco. Fiquei esperando pra ver o que acontecia. Mas passaram cinco ou seis semanas e você continuou vindo normalmente, sem dizer nada. Nem assim, nem se eu admitir que não fiz nada por você, que é assim que as coisas são mesmo mas que, não sei, tem algum instrumento desafinado. E mesmo que interrompa o concerto mil vezes e mande todo mundo afinar, um por um, nunca descubro qual é. Pronto, foi por isso que te devolvi o dinheiro. Você chegou a guardar de novo ou deixou a máquina-de-lavar triturar tudo e sentou no chão pra poder assistir pela janelinha?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Todo mundo acha que está violando correspondência quando falo dos nossos encontros. Então não conto mais nada a ninguém. Agora eles pensam que tenho um grande segredo. E você pensa que eu tenho um grande segredo. E, olha, eu não queria dizer pra não dar o braço a torcer, mas é verdade, eu tenho mesmo. Mas não é nada que eu não tenha te confessado, quando estava na vez do meu olho jogar boliche com o teu.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mas eis que, nos últimos sete minutos do último encontro, você resolve dizer. E me conta tudo sobre as tuas vidas passadas. Engraçado, né, que em todas elas você trabalhava com algodão e terminava morrendo de bissinose. Eu disse que pelo menos não era câncer, e te perguntei se você sabia que churrasco dava câncer. E você não ficou tão surpreso e disse que fazia sentido porque o carvão é altamente cancerígeno. Mas aí soou aquela campainha que você conhece: terminou o encontro. Não é como se a gente estivesse fazendo algum progresso, de qualquer forma.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Às vezes, muito ocasionalmente, a gente engana o tempo e volta a ser o que era antigamente: sem precisar de hora marcada, sem fazer barulho pra tapar os buracos sem diálogo. Sem essa dor que a gente não consegue apontar - é aqui que dói, ó. Mas é tão raro que sempre que acontece eu faço questão de olhar pra cima. Pra constatar que existe um teto e não vai desabar um temporal, inundando tudo, sobre mim e sobre você. Que me olha como se estivesse me preparando uma festa surpresa e me pergunta coisas muito complicadas que eu descubro serem, na verdade, muito fáceis de se responder. A gente fala de umas coisas tão bonitas sem precisar pensar, e ninguém sente medo de nada. Só que isso dura, no máximo dos máximos, quarenta minutos. Depois parece que um esquece como se fala a língua do outro. De novo. Aliás, pra que serve mesmo a linguagem? Nem lembro mais.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;É aqui que você pensa que me investiga, não é? Acha que eu não sei, que eu não percebi até hoje. De repente, um dia, eu apago tudo isso. Só pra ver se você fala, se você ouve, se você deixa.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mas, não. Esquece toda essa prova, mais uma, que você tem contra mim. Sabia que eu tenho estudado geometria todo dia antes de dormir? Pra ver se um dia eu ganho a aposta. Aquela que a gente fez desde que começou a soltar pipa com os olhos. Foi pipa, boliche ou sinuca? Sempre me esqueço. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Agora. Que é intervalo pra gente tomar uma coca posso até dizer quem eu sou. Pouco me importa se você quer que eu diga, se não quer, foda-se. Sabe essa vontade que você sente? Essa de entrar lá dentro mesmo, com pleonasmo e tudo, com roupa e tudo, dentro de tudo, só pra olhar, só pra sentir? Então. É isso que eu sou. Essa sua vontade. Que (não importa onde você esteja. com quem você durma. todas as verdades que você não diz.) nunca vai te deixar em paz. Nem quando você pensar que os estudantes foram pra casa pra passar as férias e que você finalmente pode dormir. Porque eu vou lá. Saltar e te iluminar.&lt;br /&gt;Quando a noite vier.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/3878926-112500619283096164?l=recheiodeque.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3878926/posts/default/112500619283096164'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3878926/posts/default/112500619283096164'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://recheiodeque.blogspot.com/2005/08/ampulheta.html' title=''/><author><name>Fernanda</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://bp0.blogger.com/_G7QdkBA8xiw/R_90yIdj-FI/AAAAAAAAAN4/I_yd7X61TQE/S220/Blusa+Florezinhas+PB++Lateral.JPG'/></author></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-3878926.post-112439461923435962</id><published>2005-08-18T16:48:00.000-03:00</published><updated>2005-08-18T16:54:52.173-03:00</updated><title type='text'></title><content type='html'>&lt;br&gt;&lt;br&gt;&lt;b&gt;Sobre não dar as costas a quem não tem culpa&lt;/b&gt;&lt;br&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Enquanto ficou ali parada, visivelmente esperando acabar a música, agiu como se estivesse pensando que teria que ser perfeito. Tem umas pessoas assim: obcecadas com tudo. Dizem que ela é uma histérica mas, coitada, os perfeccionistas sofrem um bocado. Os hipócritas são mais felizes.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A vontade era me virar pra trás e dizer só assim: você escreve pra caralho. Mas nunca seria suficiente, não é? Todos os elogios do mundo. Deixa pra lá.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mas não adianta, você nunca vai desvendar aquelas pessoas que falam as coisas pela metade, que choram de rir, que te abraçam como se fosse despedida. Que se expressam mais ainda quando ficam quietas. Já eu, não. Porque já contei tanto segredo, mas tanto, que virei uma mentirosa porque tive que começar a inventar mistério. Mas eu juro que não foi culpa minha, que foram as circunstâncias, que eu nem sei bem como tudo começou. Um dia ainda vou ser presa por isso: porte ilegal de histórias.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Por exemplo, café eu não gosto, aliás eu detesto; mas quero. Muito. Pra tirar esse cheiro. De podre com iodo com urina com sangue com necrose. Que vem de gente que eu amo, que eu toco, que eu não conheco, nunca tinha visto, mas que eu seguro na mão e que segura de volta com força e chora e sangra e me pede coisas que eu não posso fazer não posso dar não posso esboçar nenhuma reação nem dar informações que não sejam vagas e inconclusivas como pedir calma pedir paciência dizer que não vai doer, eles me pedem e eu peço a eles, assim funciona o comércio entre os que só querem sobreviver e os que se sentem responsáveis por tudo o que acontece e o que não. Mas que desgraça, sabe. Isso da gente ficar se enganando desse jeito.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Nos encontramos. Me contou dos seus amores, rumores, tumores. Tudo tão dilacerante e eu só pensando como ela ficava linda até quando chorava. A gente fumou um troço que primeiro deu vontade de rir, depois sono e depois deu fome. Falei um monte de besteira. Mas sabe, lindinha, agora não adianta mais. Menina linda. Da próxima vez você nem vai sentir. Parece que essa anestesia é diferente das outras: ela se acumula. Que nem vacina, já tomou?, você fica imunizada contra os agentes agressores. Porque foi isso o que fizeram: violência. Agora deixa sair o pus todo de dentro que depois melhora. Vou te mandar um potinho de doce de banana pra você não se esquecer daquilo que a gente conversou sobre a vida. Tá bem?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Depois vem o que eu fiz no dia seguinte.&lt;br /&gt;Todo mundo me avisou, preocupado: não faz.&lt;br /&gt;Mas fiz. E agora já era.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Quando cheguei você estava com uma concentração tão grande que até dei meia-volta pra não estragar. Meu coração passou pro lado direito, sem mais nem menos. E dei meia volta de novo.&lt;br /&gt;Entrei de mansinho, sem fazer barulho, e falei: tá bonito aqui...&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/3878926-112439461923435962?l=recheiodeque.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3878926/posts/default/112439461923435962'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3878926/posts/default/112439461923435962'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://recheiodeque.blogspot.com/2005/08/sobre-no-dar-as-costas-quem-no-tem.html' title=''/><author><name>Fernanda</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://bp0.blogger.com/_G7QdkBA8xiw/R_90yIdj-FI/AAAAAAAAAN4/I_yd7X61TQE/S220/Blusa+Florezinhas+PB++Lateral.JPG'/></author></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-3878926.post-112302616032863015</id><published>2005-08-02T20:34:00.000-03:00</published><updated>2005-08-02T20:48:28.183-03:00</updated><title type='text'></title><content type='html'>&lt;br&gt;&lt;br&gt;&lt;b&gt;As Coisas que vão Pro Céu&lt;/b&gt;&lt;br&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- É verdade, não existem pessoas melhores.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Foi a última frase que eu me lembro de ter ouvido. Porque logo depois você apareceu de novo, me puxando pela mão, com pressa, vestindo um sorriso levado que eu não via desde. A gente saiu dali: as conversas muito convenientes, as pessoas muito chatas, a comida muito sem sal. E saímos mundo abaixo, escrevendo "lave-me" até nos táxis, até nos ônibus, e pegamos as bicicletas e fomos cobrar pedágio grátis dos carros que entravam: escrevíamos no papelzinho os signos das pessoas, o nome de seus animais de estimação e o lugar mais bonito que elas tinham ido. Às vezes a gente pedia pra soletrarem alguma coisa. Por exemplo, Liechtenstein, que não tem exército até hoje. Devolvíamos pros motoristas e eles acabavam achando engraçada a nossa seriedade. Um segredo: acho que eles guardam até hoje aquele recibo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Chegaram flores: é pra mim? Não podem, não tenho mais endereço. Não queria mesmo. Você riu com um deboche charmoso quando eu falei assim, desdenhando; sem querer comprar. Mas comprando.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Você era o rapaz mais lindo do quarteirão e um dia eu comecei a sonhar que eu tinha que ficar nas pontinhas dos pés pra olhar através da sua janela, espiar o seu banho, como o seu shampoo fazia espuma e como você inclinava a cabeça pra trás e fechava os olhos e quase sorria, quase morria, quase me via no seu espelho. Saía do seu assovio um blues antigo, que na época eu nem conhecia, achava que só existia ali, na sua boca, na minha pálpebra cerrada. Depois você começou a me sussurrar umas coisas quando eu passava. Que eu tinha os cílios mais bonitos que você tinha visto, e que você queria um beijo meu de borboleta. Mas aí você namorava uma loira, depois uma morena, depois uma loira de novo. Será que era de propósito? Aquele olho comprido esticado pra mim. Que não entendia nada. Eu ficava só descendo as escadas da frente do meu prédio como se fosse amarelinha. Com o meu casaco de ovelhinha, pensando como será que era ser uma arraia.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Faz tanto tempo isso.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Veio o telefone sem fio, veio o dvd, vieram os cinemas com muitas salas, chegaram os extraterrestres e difundiram a telepatia. Vimos tudo abraçados, olhando pela tv. E pela nossa janela, que todo dia dava pra lua. Você sempre me tratando diferente de todas as loiras, de todas as morenas, eu era uma água cristalina que você encontrava depois de tantas horas debaixo do sol. E antes de dormir a gente ia roubar goiaba do vizinho.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Só que você começou a ir embora e eu fui ficando cinza.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E foi só quando ele disse:&lt;br /&gt;- Você é todo o meu amor.&lt;br /&gt;Que consegui parar de tremer.&lt;br /&gt;Lembrei de quando a gente cantava a música do djavan como se fosse uma piada com o nome de uma cachoeira.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Fiquei sentida: não percebeu que eu não tenho mais medo de dirigir na avenida brasil. A gente devia beber guaraná pra comemorar porque álcool eu não posso mais. Por causa do fígado e das enzimas que eu não tenho; acho que nasci sem.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Existe um truque pra não chorar nem um tiquinho.&lt;br /&gt;Ficar ali fazendo a maior força pra fingir que tudo aquilo é só um filme, e quase ver o diretor orientando a gente, você passando o texto, o moço da câmera ajeitando um ou outro detalhe técnico. Aquele montão de figurante sendo maquiado tantas vezes que já nem sabiam com que cor eles tinham nascido. Tudo muito subliminar e fictício, a dois metros de acontecer.&lt;br /&gt;É quase choro. Mas não é.&lt;br /&gt;E nem vai ser.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;É tudo filme.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/3878926-112302616032863015?l=recheiodeque.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3878926/posts/default/112302616032863015'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3878926/posts/default/112302616032863015'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://recheiodeque.blogspot.com/2005/08/as-coisas-que-vo-pro-cu-verdade-no.html' title=''/><author><name>Fernanda</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://bp0.blogger.com/_G7QdkBA8xiw/R_90yIdj-FI/AAAAAAAAAN4/I_yd7X61TQE/S220/Blusa+Florezinhas+PB++Lateral.JPG'/></author></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-3878926.post-112215573550107146</id><published>2005-07-23T18:54:00.000-03:00</published><updated>2005-07-23T19:12:52.526-03:00</updated><title type='text'></title><content type='html'>&lt;br&gt;&lt;br&gt;&lt;b&gt;As coisas que vêm do céu&lt;/b&gt;&lt;br&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Tem uns meteoritos caindo ali no vidro do carro estacionado. Parece que, sempre que o automóvel dorme por mais de uma semana, fica mesmo em coma. Nem de mim ele se lembra, e quem engasga, olha, acaba sendo eu. Que sempre termino sendo só as coisas que eu nunca fui mesmo. Quanta incerteza. Enquanto isso se tenta convencer os humanos de que ainda vale à pena do outro lado. Onde os dias não são um depois do outro, naquela seqüência sempre certa, sempre igual. Todo mundo fica rezando muito forte pra ser esquecido aqui embaixo. Engraçado como a gente ainda gosta da vida.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;No final do dia, um segundo antes de me desligar, naquele momento límpido onde todo mundo é sincero consigo, a violação das prerrogativas pra continuar passa de crime a oferenda. E é aí que eu fico ouvindo barulho de copo brindando, gente rindo e reflexo de fogo de artifício na água. (Teve uma vez que tomei banho naquilo, foi quando descobri que a pele era um troço impermeável, e fiquei com raiva, fiquei esfregando pra ver se entrava, pra ver se sentia, pra ver se queimava.) Mas o meu cachorro sente medo, então eu prefiro não, porque aprendi de verdade, dessa vez: a gente tem que respeitar os medos dos outros.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;(Um dia joguei uma moedinha numa fonte e pedi pra ser corajosa.)&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Agora, delírio é uma coisa e alucinação é outra. Então por que é que eu arranjei esse plano de sair de você? Queria que não fosse dessa forma: uma meia-palavra valendo mais que uma meia década delas. A gente fica - que nem na música: feito poeira se escondendo pelos cantos. É triste mas pelo menos a gente tem tudo sendo pó.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Talvez eu espalhe uns cartazes pela cidade pra ver se alguém encontrou os meus amigos.&lt;br /&gt;De toda forma, duvido que devolvam: ou foi roubo, ou perdi.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/3878926-112215573550107146?l=recheiodeque.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3878926/posts/default/112215573550107146'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3878926/posts/default/112215573550107146'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://recheiodeque.blogspot.com/2005/07/as-coisas-que-vm-do-cu-tem-uns.html' title=''/><author><name>Fernanda</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://bp0.blogger.com/_G7QdkBA8xiw/R_90yIdj-FI/AAAAAAAAAN4/I_yd7X61TQE/S220/Blusa+Florezinhas+PB++Lateral.JPG'/></author></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-3878926.post-112062084589312657</id><published>2005-07-06T00:33:00.000-03:00</published><updated>2005-07-06T00:34:05.896-03:00</updated><title type='text'></title><content type='html'>&lt;br&gt;&lt;br&gt;&lt;b&gt;Não tem nem palavra pra&lt;/b&gt;&lt;br&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Você falou que namorava o jimmy page há 30 anos atrás e eu, olha só isso, acreditei. Pus uma flor bem amarela atrás da sua orelha, e ela não ficava, se lembra? As coisas evoluíram, passaram a ser menos definitivas. Mas e daí?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Deve ter alguém te falando grosserias durante o dia pra você nem ter querido falar sobre nada no jantar de ontem. Por que é que você nunca me conta essas coisas? As que verdadeiramente te rasgam. Você diz que eu sei como se trata mulher, como se entende mulher. Mas, olha, eu não sei, não. Não entendo essa dor contínua que vocês sentem. E nem essa coisa de que a gente tem que adivinhar tudo. Nada é transcendental como no filme. Mas eu não vou te falar isso; senão, perde. Eu, você, o momento vai embora. Aliás, o nosso passou já. Aposto que você nem sentiu. Onde será que eu vou morrer?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Você sempre tem as histórias mais bonitas. Um dia faço uma exposição com todos os teus sorrisos, a maioria inclassificável. Só que aí eu me lembro, porra!, que você não existe. Que um dia me prometeu que apareceria de vestido verde e salto baixo naquele lugar estranho onde eu gosto de comer cheesecake de vez em quando. Mas até hoje, nada. Eu peço a conta cabisbaixo, vou embora sozinho, me sentindo tão estúpido.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Misturo umas bebidas e uns remédios e escrevo trocando as pernas, ando confundindo os pronomes. Me lembro vagamente de quando tudo era tão óbvio e eu te respirava enquanto você dormia. À minha frente, as coisas agora são duplicadas e dançam. Merda, o quarto começou a rodar e todo mundo sabe o que isso significa.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;É provável que eu não esteja lá pra assistir o teu declínio, viu, linda. Mas porque eu não ia deixar você cair. Nunca.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Já quanto a mim.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/3878926-112062084589312657?l=recheiodeque.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3878926/posts/default/112062084589312657'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3878926/posts/default/112062084589312657'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://recheiodeque.blogspot.com/2005/07/no-tem-nem-palavra-pra-voc-falou-que.html' title=''/><author><name>Fernanda</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://bp0.blogger.com/_G7QdkBA8xiw/R_90yIdj-FI/AAAAAAAAAN4/I_yd7X61TQE/S220/Blusa+Florezinhas+PB++Lateral.JPG'/></author></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-3878926.post-111958036982857740</id><published>2005-06-23T23:28:00.000-03:00</published><updated>2005-06-23T23:32:49.833-03:00</updated><title type='text'></title><content type='html'>&lt;br&gt;&lt;br&gt;&lt;b&gt;Os Efeitos Colaterais&lt;/b&gt;&lt;br&gt;&lt;br /&gt;Se a gente continuar repetindo as mesmas frases, se continuar fingindo os mesmos erros, vai tudo terminar encalhado no final de uma arrebentação comprida e gelada. É traiçoeira essa ausência de palavra depois de tudo ter acontecido. Um campo minado de possíveis caminhos, todos com o mesmo fim. Às vezes parece que eu enxergo lá longe, tão longe que fica tudo branco em volta, como se fosse um pântano com neblina, não sei bem, e não posso explicar como é porque senão começam a definhar as nossas respostas, elas fazem uma fila e vão cada uma na sua vez, até sobrar uma que não faça sentido algum sem as outras por perto.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Uns goles de vinho talvez resolvam. Podem bastar pra dizimar o povo heróico que ficou aqui depois de tanta derrota, tantas baixas. As moças todas enviuvaram; mas disseram que álcool mata esse bichos - não custa tentar.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Queria pedir: me desculpa aí a falta de jeito, a falta de graça, a falta de vergonha pra pedir desculpas. É que aquele dia, depois que a gente se sentou no banco velho, caindo aos pedaços, e viu o litoral do país inteiro dali e ficou conversando sobre política, eu cheguei em casa e resolvi largar tudo pra ficar com você. Mas depois mudei de idéia e voltei pro trabalho, onde eu não consegui terminar nada porque ficava matutando as piadinhas que tinha feito de mim. Porque, no fundo, eu detesto você. Detesto o fato de você existir e ser tão palpável. Foi por isso que te mandei tudo de volta e falei pra você ir embora, voltar pra sua casa e esquecer a cor que tem o meu olho quando faz sol. Mas mesmo assim queria que você me perdoasse: ser tão de-vidro-fosco.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;As pequeníssimas gentilezas de mão beijada são o que faz os dias serem mais sobrevivíveis. O resto fica como já estava: até onde a passividade vai?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Não querer mudar os móveis de lugar: comodismo é mesmo um vírus letal.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Por que é que eu tenho a sensação que toda vez que ele me dirigir a palavra eu vou me sentir no direito de mudar tudo?&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/3878926-111958036982857740?l=recheiodeque.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3878926/posts/default/111958036982857740'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3878926/posts/default/111958036982857740'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://recheiodeque.blogspot.com/2005/06/os-efeitos-colaterais-se-gente.html' title=''/><author><name>Fernanda</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://bp0.blogger.com/_G7QdkBA8xiw/R_90yIdj-FI/AAAAAAAAAN4/I_yd7X61TQE/S220/Blusa+Florezinhas+PB++Lateral.JPG'/></author></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-3878926.post-111898269577799748</id><published>2005-06-17T01:27:00.000-03:00</published><updated>2005-06-17T01:31:35.783-03:00</updated><title type='text'></title><content type='html'>&lt;br&gt;&lt;br&gt;&lt;b&gt;Este texto não existe&lt;/b&gt;&lt;br&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Não é que esteja saindo da órbita, deixando pedaços de mim aleatoriamente no único lugar que freqüento, me justificando pra qualquer um por (cretinamente) tudo, precisando desesperadamente daquela capa de aço que não chega. Não é isso, nada disso. É que parece que ninguém mais enxerga além daquilo que a gente antigamente lia nas enciclopédias. Vai lá procurar as coisas que eu vejo. E depois vai ver as coisas que eu sinto. Depois tenta explicar tudo, tudo, tudo. Direitinho, sem gaguejar, sem parar pra tomar um arzinho ou pra tentar segurar a lágrima dentro da garganta. Sem repetir verbetes inócuos como tudo, sem e coisa. Tudo sem coisa. As coisas sem tudo o que a gente sonhou que elas seriam: isso é que é solidão. Depois ter doença que não tem cura, quase todo dia, sempre antes de dormir. (Eu já parei de apagar a luz, de tanto medo.) Ela disse: esse caranguejo regendo o teu ano te esculhambou. Agora paga.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Desviar a atenção da tal da esperança. Senão ela pega e morre. Tem que deixar ali no fundinho mesmo, agonizando, sem saber pra que lado da existência quer ir. Será que alguém sabe, dentro do horror todo? Um dia melhora. (Olha ela querendo ter alta, ir pra casa, brincar com os sobrinhos.) A pior sensação deve ser ficar irresgatável, porque quem tá embaixo cava, quem consegue subir, escala. Mas tem sempre o pessoal do meio, coitados. E, antidepressivos que nada, no final das contas só existem 2 pessoas capazes de salvar alguém. Depois disso, você só vai querer ficar com eles pra sempre, escreve o que eu estou dizendo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mas chega a madrugada, de novo. Fica tudo ali, dentro da garganta. O mundo inteiro que só quem é da gente vê. Ela é invisível, a capa de aço. Vai chegar pelo correio.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Porque, acredita, não são nada.&lt;br /&gt;Nada.&lt;br /&gt;Esses dramalhões cotidianos que a gente vive.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/3878926-111898269577799748?l=recheiodeque.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3878926/posts/default/111898269577799748'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3878926/posts/default/111898269577799748'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://recheiodeque.blogspot.com/2005/06/este-texto-no-existe-no-que-esteja.html' title=''/><author><name>Fernanda</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://bp0.blogger.com/_G7QdkBA8xiw/R_90yIdj-FI/AAAAAAAAAN4/I_yd7X61TQE/S220/Blusa+Florezinhas+PB++Lateral.JPG'/></author></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-3878926.post-111836754192436147</id><published>2005-06-09T22:34:00.000-03:00</published><updated>2005-06-09T22:39:13.043-03:00</updated><title type='text'></title><content type='html'>&lt;br&gt;&lt;br&gt;&lt;b&gt;Só mesmo&lt;/b&gt;&lt;br&gt;&lt;br /&gt;- eba, mãe, eba, vai terminar!&lt;br /&gt;- vai terminar o quê, amor?&lt;br /&gt;- vai terminar, mãe! vai terminar!!&lt;br /&gt;e saiu pulando pela casa.&lt;br /&gt;mas parou bruscamente. voltou correndo:&lt;br /&gt;- peraí. o que é isso aí, mãe?&lt;br /&gt;- o quê? isso que a mamãe trouxe, dentro da sacola?&lt;br /&gt;- é.&lt;br /&gt;- é só o jornal de hoje, filho.&lt;br /&gt;- xovê aqui.&lt;br /&gt;ficou olhando um tempão as manchetes. não sabia ler ainda.&lt;br /&gt;- tá escrito assim, mãe, ó: vai terminar.&lt;br /&gt;deu um sorriso enorme, de dente pequeno, e pulou de novo, casa adentro.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/3878926-111836754192436147?l=recheiodeque.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3878926/posts/default/111836754192436147'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3878926/posts/default/111836754192436147'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://recheiodeque.blogspot.com/2005/06/s-mesmo-eba-me-eba-vai-terminar-vai.html' title=''/><author><name>Fernanda</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://bp0.blogger.com/_G7QdkBA8xiw/R_90yIdj-FI/AAAAAAAAAN4/I_yd7X61TQE/S220/Blusa+Florezinhas+PB++Lateral.JPG'/></author></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-3878926.post-111816385062119848</id><published>2005-06-07T14:01:00.000-03:00</published><updated>2005-06-07T14:04:26.076-03:00</updated><title type='text'></title><content type='html'>&lt;br&gt;&lt;br&gt;&lt;b&gt;Pára, que isso é besteira.&lt;/b&gt;&lt;br&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;: Tá bom, eu páro.&lt;br /&gt;: Prometo, sim.&lt;br /&gt;: Agora? Agora não.&lt;br /&gt;: Hoje também não.&lt;br /&gt;: Quando? Não sei quando. Quando der.&lt;br /&gt;: No dia eu te aviso, não te preocupa.&lt;br /&gt;: Não, assim não dói. Só dói quando eles também dóem.&lt;br /&gt;: Eles, ué. Todo mundo que chega.&lt;br /&gt;: É assim, por exemplo, sabe quando você tem uma febre alta e os nervos sobem até flutuarem sob a pele? Dá vontade de deitar e dormir pra ver se passa...&lt;br /&gt;: Nunca sentiu? Como se os pingos do chuveiro cortassem cada poro; mas você olha e não entende, porque não tem nenhuma ferida aberta, sangue, cicatriz, nada.&lt;br /&gt;: Exatamente: tudo sensível. Parece que qualquer coisa machuca.&lt;br /&gt;: Pois é; é desse jeito que dói: febre com banho. Só que sem febre nem banho. A perna, coberta pela calça jeans, fica atacada por formiga que não pica.&lt;br /&gt;: Não, não pica. Só fica ali mesmo, formigando.&lt;br /&gt;: Acho que não sinto mais nada, não. Só isso. Aliás, sinto mais um negócio por dentro que, quanto mais os outros dóem, mais aperta.&lt;br /&gt;: Onde? É mais na pálpebra, eu acho. Mas no peito também.&lt;br /&gt;: Passa, depois passa.&lt;br /&gt;: Quando eles ficam bons. Ou, pelo menos, quando vão pra longe.&lt;br /&gt;: Não, nunca precisei tomar remédio pra passar.&lt;br /&gt;: É, eu sei, não deve ser nada grave mesmo.&lt;br /&gt;: Tá, vou pensar em outra coisa.&lt;br /&gt;: Vou parar com isso.&lt;br /&gt;: Prometo. Já disse.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/3878926-111816385062119848?l=recheiodeque.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3878926/posts/default/111816385062119848'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3878926/posts/default/111816385062119848'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://recheiodeque.blogspot.com/2005/06/pra-que-isso-besteira.html' title=''/><author><name>Fernanda</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://bp0.blogger.com/_G7QdkBA8xiw/R_90yIdj-FI/AAAAAAAAAN4/I_yd7X61TQE/S220/Blusa+Florezinhas+PB++Lateral.JPG'/></author></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-3878926.post-111721647840823128</id><published>2005-05-27T14:51:00.000-03:00</published><updated>2005-05-27T15:06:18.906-03:00</updated><title type='text'></title><content type='html'>&lt;br&gt;&lt;br&gt;&lt;b&gt;Fim do começo&lt;/b&gt;&lt;br&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Sentia falta do jeito como a mão se afundava pordetrás do pescoço, trazendo um rosto pra perto do outro: os beijos que não terminavam, nem quando acabavam. Ficavam sempre interrompidos, atropelados por um assunto que era sempre o mesmo, que não se esgotava nem depois do silêncio oportuno que ficava no carro durante a voz do brasil. Engraçado como sempre fica alguma coisa por dizer pras pessoas de quem se gosta. Mesmo que seja alguma coisa ruim. Um dia vou te levar pra salvador e a gente nunca mais vai voltar.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Os cachorros latindo lá embaixo de tudo. Antes de cheiro virar gosto, antes de sonho virar história da carochinha; vergonha pensar naquelas coisas: hoje tão banal. Tirou a La Traviatta da cabeça. Carregou nas costas tudo o que não dava pra explicar, mas que era tão, mas tão triste. Tinha um grande intervalo entre a réplica e a tréplica, que tornava o ar irrespirável, o toque repulsivo, lembrava que o mundo era aquilo mesmo, cheio de bandidos. Queria voltar pra casa porque talvez lá ainda restasse alguma coisa que fosse lembrar onde tinha deixado o isqueiro. Não que fumasse mas é que eletricidade não tinha mais. Saía por aí, pra dirigir à noite: as lâmpadas do túnel tinham sido roubadas. De novo. Começo do fim.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A forma como cabia dentro do abraço inteiro, e alguma coisa brilhava do rosto mais do que a luz na crista da onda. As artérias pulsavam tanto que doía, mas uma dor boa; esticava os dedos pra fazer cafuné e ganhar beijos difusos, profusos, confusos.&lt;br /&gt;Será que desejo virou planta que tinha que ter sido regada todo dia? Não tinha nada escrito no pacotinho onde vieram as sementes.&lt;br /&gt;Talvez tenha se convencido repetindo as mesmas frases vazias. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Deixou uma mensagem que, na verdade, queria dizer: Cuida de mim. Mas, não, quanta complicação, meu deus. Ao invés disso, falou:&lt;br /&gt;meu alazão morreu de sede; me esqueci dele lá, guardado dentro da gaveta que nunca mais deu tempo, vontade de abrir.&lt;br /&gt;mas, sabe, ao menos guardei comigo teu coração.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Pode ser, afinal, que queria dizer muito mais assim, complicado.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/3878926-111721647840823128?l=recheiodeque.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3878926/posts/default/111721647840823128'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3878926/posts/default/111721647840823128'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://recheiodeque.blogspot.com/2005/05/fim-do-comeo-sentia-falta-do-jeito-como.html' title=''/><author><name>Fernanda</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://bp0.blogger.com/_G7QdkBA8xiw/R_90yIdj-FI/AAAAAAAAAN4/I_yd7X61TQE/S220/Blusa+Florezinhas+PB++Lateral.JPG'/></author></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-3878926.post-111609179616308506</id><published>2005-05-14T14:28:00.000-03:00</published><updated>2005-05-14T15:58:14.136-03:00</updated><title type='text'></title><content type='html'>&lt;b&gt;A lista mais relida do mundo&lt;/b&gt;&lt;br&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Sabia que seria traída tantas vezes, tanto tempo, em olhar gesto beijo cheiro conversa cheia de pontinho de luz colorida em dia frio. O vento no cabelo, os sorrisos inoportunos, as palavras (ai, as palavras) de mel das outras. Mas, ainda, não sentia nada espetando-lhe a sola dos pés (pra fora da coberta). Por isso ia pros lugares que só ela achava bonitos, mesmo quando ninguém mais acordava naquele dia, pra dirigir 60 km. Se extraviava entre as cartas que escrevia com caligrafia caprichada e as agressividades que não transbordavam a beiradinha do olho.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Um: teve um dia que, ao invés de ir trabalhar, andou no sentido contrário e pegou o bonde para santa teresa. Escolheu uma rua muito íngrime, retalhada de paralelepípedos falhados, e tirou da bolsa refinada um par de saltos ainda mais. Pensou que talvez seria hora de aprender a usá-los. Equilibrou-se a manhã inteira, a tarde inteira, tocando por dentro umas valsinhas francesas. Tentou converter polegadas em centímetros, libras em quilogramas, assim, só pra fingir. Todo minuto tem alguém fingindo alguma coisa.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Dois: fez uma lista com todos os motivos para ir embora de uma vez. Hoje ou amanhã, sem dizer nada a ninguém. Resolveu que letra de fôrma seria mais apropriada mas, quando olhou no verso, achou engraçado: tinha uma lista de feira. Apoiou o cotovelo num dos degraus azulejados pra escrever. Quando os ítens esgotaram-se, todos, colocou assim, embaixo de tudo: como é que se faz pra errar pouco, bem pouco?&lt;br /&gt;Só que esqueceu o papel no bolso da calça e, mais tarde, quando entrou no mar pra lavar o calor, a água molhou as palavras, borrou as razões, e também as verduras e as frutas. Então o choro dela molhou o atlântico, que era sempre tão austero diante dos arrependimentos. Começou a achar que tudo no mundo é irreversível. Que teria que ficar presa (com tachinha, no mural de cortiça) até deletar tudo o que tinha ficado no fundo da memória. Ou pra sempre, porque sempre se lembrava de tudo. A não ser do papel no bolso da calça.&lt;br /&gt; &lt;br /&gt;Três: tinha um casal saindo do sebo. A namorada era meio gordinha mas ele gostava dela tanto mas tanto que ficou tão feliz e ficou tão linda e virou um mito pra um monte de gente. Escreveram uma poesia, pintaram um quadro, fizeram até cinema, dizem. Será que existe alguma homenagem mais bonita que cinema?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A coisa de querer ser os outros: não conseguiu disfarçar quando foi descoberta tentando se transferir pros compartimentos alheios: deu risinho amarelo, levantou, foi embora. Tinha tanta vergonha de parecer fascinada que foi correr uma maratona na 28 de setembro, que lugar.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Encontrou com um menino lindo. Sugeriu que brincassem de marco-polo porque, na realidade, era peixinho fora d'água. O pequeno sabia a dos pintinhos venham cá, sabia a do elefantinho, sabia a da galinha choca. Sentiu-se um pouco vazia, muito boba, muito velha, por não poder ensinar-lhe novidades. Inventou uns animais com super-poderes, um marshmellow no espeto do churrasco. Costurou a noite em gargalhadas com moldura de dente de leite. Foi dormir sem inquietude.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;No dia seguinte resolveu fazer compra de esmalte; saiu da loja com 7. Porque nunca tinha feito compras de nada, estabelecido a relação entre aquelas frivolidades na vitrine com o dinheiro que trazia dentro da bolsa. Comida não conta. Precisava comprar pão, remédio pra pressão e, se pudesse, os sorrisos dos pedestres: Por que será que tudo resolveu simplesmente faltar?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Podia ouvir o tilintar comemorativo dos copos de cristais através da parede de vidro de um daqueles restaurantes. E achou que, na rua, todo mundo estava tão bonito; devia de ser alguma ocasião especial.&lt;br /&gt;Mas tinha medo que pensassem que ela fosse desequilibrada. Sobre os saltos, é claro. Porque, às vezes, alguém dizia uma palavra ou uma frase gozada, e ela ria. Depois percebia que ninguém mais tinha rido. Porque não fora nada; só diálogo. Mas havia dias em que até o céu se levantava engraçado. E aí tinha que aproveitar pra não ficar competindo nada: se todo mundo é pó de estrela de que adianta?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Perguntaram como ela havia aprendido a andar de saltos. Tão elegante. Sorriu e deu de ombros: tinha momentos em que não precisava mesmo de mais ninguém.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/3878926-111609179616308506?l=recheiodeque.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3878926/posts/default/111609179616308506'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3878926/posts/default/111609179616308506'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://recheiodeque.blogspot.com/2005/05/lista-mais-relida-do-mundo-sabia-que.html' title=''/><author><name>Fernanda</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://bp0.blogger.com/_G7QdkBA8xiw/R_90yIdj-FI/AAAAAAAAAN4/I_yd7X61TQE/S220/Blusa+Florezinhas+PB++Lateral.JPG'/></author></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-3878926.post-111567454558034256</id><published>2005-05-09T18:31:00.000-03:00</published><updated>2005-05-09T23:11:35.626-03:00</updated><title type='text'></title><content type='html'>&lt;br&gt;&lt;br&gt;&lt;b&gt;Chip no cérebro&lt;/b&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- O que é que eu preciso fazer pra você acreditar que eu te amo?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Sei lá, me implanta um marcapasso cardíaco.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/3878926-111567454558034256?l=recheiodeque.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3878926/posts/default/111567454558034256'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3878926/posts/default/111567454558034256'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://recheiodeque.blogspot.com/2005/05/chip-no-crebro-o-que-que-eu-preciso.html' title=''/><author><name>Fernanda</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://bp0.blogger.com/_G7QdkBA8xiw/R_90yIdj-FI/AAAAAAAAAN4/I_yd7X61TQE/S220/Blusa+Florezinhas+PB++Lateral.JPG'/></author></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-3878926.post-111521903869398968</id><published>2005-05-04T11:44:00.000-03:00</published><updated>2005-05-09T23:11:18.700-03:00</updated><title type='text'></title><content type='html'>&lt;br&gt;&lt;b&gt;Recuperação de vida inteiras&lt;/b&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Sobrou aqui comigo um restinho de culpa . Me transmitiu por respirar tão alto perto de mim. Ou por me emprestar aquela toalha pra secar o rosto. O ministério não tinha proibido esse tipo de coisa? Mas não faz mal, já me acostumei a não ter mais sono e, por isso, me esquecer das tuas feições. Das de todo mundo, aliás; desde aquele dia em que você usou uma bota amarela, um sobretudo, andou de mãos abertas sobre o meio-fio enquanto contava um caso qualquer. Não sei mais prestar atenção no que as pessoas dizem.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Muita coisa na iminência de escorregar da minha boca. Dá nisso: cuidar de grávida. Ouvir batimento cárdio-fetal no silêncio dos assuntos finados. Se eu contar ninguém acredita: o sorriso grande que ela deu. Quando ouviu. Junto comigo. Tum-tá.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Não tem nada que eu precise agora. Só não mente pra mim. Que eu sei que ela vai morrer. Vê, já começou. Responde só com voz, presença só com corpo. Assim não vale à pena. Vir até aqui pra entender o que é degradação. Porque despedida me consome: me recuso. Pois então, de que serve? Abrir mão de tudo pra estar aqui.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ser magistral. Orquestrar os sonhos dos outros sem que percebam a manipulação. Sem que acordem no meio da noite querendo mudar de posição pra mandar embora o pesadelo. Irrigar os micrômetros do solo onde a chuva rompeu com a gravitação universal. Onde existe tanta violência debaixo das costelas, a maioria delas proeminente. Chegam todos os dias com um novelo de problema. Tudo acumulado, resultando em uma modalidade não documentada de dor. Um ineditismo de anormalidades. As filas, as faltas, os erros: tudo nos olhos. Culpa de quem mesmo? Não me lembro. Nessa terra de gente humilde (que vontade de chorar), amnésia é dádiva.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Levar pra casa a tal da ética atravessada de um lado ao outro do tórax. Um projétil-de-arma-de-fogo, esse negócio de não denunciar absurdos em nome de uma delicadeza tão relativa, tão abstrata. Ser condescendente com tudo aquilo. Ficar incandescente, isso sim. Perder a fome. Querer dizer assim: é foda. Pra todo mundo que passar. E, se perguntarem o quê: tudo. Tudo é.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/3878926-111521903869398968?l=recheiodeque.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3878926/posts/default/111521903869398968'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3878926/posts/default/111521903869398968'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://recheiodeque.blogspot.com/2005/05/recuperao-de-vida-inteiras-sobrou-aqui.html' title=''/><author><name>Fernanda</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://bp0.blogger.com/_G7QdkBA8xiw/R_90yIdj-FI/AAAAAAAAAN4/I_yd7X61TQE/S220/Blusa+Florezinhas+PB++Lateral.JPG'/></author></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-3878926.post-111472028879067341</id><published>2005-04-28T17:30:00.000-03:00</published><updated>2005-04-28T18:34:28.193-03:00</updated><title type='text'></title><content type='html'>&lt;br&gt;&lt;br&gt;&lt;b&gt;Então, por favor,&lt;/b&gt;&lt;br&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Atraso. Mas meu relógio tinha enguiçado, parecia; tinha que ficar olhando as horas naqueles painéis de rua. Ou no visor do celular. Às vezes até no punho das outras pessoas, de relance, naquela discrição-inconveniente&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O problema é que era um dia tão sozinho. E queria conversar sobre, não sei, futebol.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Entrei no ônibus procurando uma fisionomia mais ou menos familiar. Nada. Nem o moço, sempre o mesmo, que costumava se oferecer pra segurar minha mochila. Nem estava pesada. Mas eu tinha um medo danado de o estetoscópio partir. Escutar coração quebrado. Entrou um rapaz com uma pasta comprida. Algum trabalho lá dentro gritava assim "alguma coisa-design!" Pensei que talvez fosse alguém que eu (re)conhecesse. Mas não. Entrou um executivo com fone no ouvido. Fiquei achando bacana ouvir a distorção da música dos outros. Nem deu vontade de sentir saudades da minha. Escutei só as sílabas que faltavam pra arredondar a métrica. (Nunca consegui rimar tisne com cisne.) Tinha uma menina rosa, sentada, rosa sapato, rosa bolsa, rosa carteira. Acho que nunca tive alguma coisa assim, que fosse muito rosa. Mas me deu um desejo enorme de voltar pra casa, e descobrir se alguém tinha feito geléia de goiaba pra eu passar no croissant. Tem umas coisas que a gente só come quando é pequena. Depois, não sei. Parece que engorda.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Entrou um moço branco também, dos cabelos às barras da calça. Fui até ele perguntar se estetoscópio quebrava assim, sem mais nem menos. Reparei que ninguém cedeu o lugar pra que ele sentasse. Então achei melhor não apurrinhá-lo com bobagem. Me disseram que cidade grande é assim mesmo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Queria uma superação. Não exatamente uma superação. Um exagero tampouco. Queria que tivesse uma palavra pra super-reações. Que nem em inglês. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;De repente senti falta dos teus comentários meio cretinos. Por exemplo, eu. "Eu detesto quando as propagandas vêm com os verbos no imperativo. Detesto. Mas eu gosto de uma boa frase de efeito (quanta bobeira). Mas, enfim, qual é a diferença entre um slogan e um argumento?"&lt;br /&gt;Sabe? Esse tipo de coisa que eu queria conversar. Além de futebol, é claro.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Foi quando começou a chover torrencialmente. Fui lá pra trás assistir todo mundo que saía do ônibus abrir o guarda-chuva muito afobadamente. Não era maldade. Ou era? Não era. Porque a minha vez estava chegando. Fiquei ensaiando tudo o que eu faria o resto do dia inteiro pra não perder o guarda-chuva. Que era do meu pai. Que tinha me levado numa sala quente e úmida na noite anterior. Que construíram agora há pouco, no meu prédio. E a melhor coisa é sauna, depois chuveiro gelado, depois sopa, depois banho frio. Depois abrir a janela pro vento e ficar sob as cobertas pro sono. Queria dizer pro rapaz designer: nossa, ontem morri de choque térmico. Mas ele tinha saltado já. Bem antes do que imaginei.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Não tem importância, penso em outra coisa. Olho o mar todo furado de chuva. As pessoas continuam correndo na ciclovia, uma meia-dúzia de gatos encharcados fica em baixo da pontinha da tenda dos quiosques. Todos com cara de espera. Só fui conseguir um lugar pra sentar no final de copacabana. E deu pra colocar uma música pra tocar. De dentro da mochila diretamente até os ouvidos. Assim não ia molhar. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Quando saltei, eu, o estetoscópio e o guarda-chuva do meu pai, descobri uma coisa importante: a tangerina tá na época. Fiquei lembrando do dia em que a gente comprou umas 8 ali, naquela feira mesmo, e ficou sem barriga pra almoçar. Ou com barriga demais.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Acho que o mundo é dividido entre as coisas que eu sempre quis e as coisas que eu ainda não sei que quero. Eu sempre quis dizer tudo de uma vez só.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mas deixa, que eu dia eu conto. A tal história da minha vida.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/3878926-111472028879067341?l=recheiodeque.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3878926/posts/default/111472028879067341'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3878926/posts/default/111472028879067341'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://recheiodeque.blogspot.com/2005/04/ento-por-favor-atraso.html' title=''/><author><name>Fernanda</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://bp0.blogger.com/_G7QdkBA8xiw/R_90yIdj-FI/AAAAAAAAAN4/I_yd7X61TQE/S220/Blusa+Florezinhas+PB++Lateral.JPG'/></author></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-3878926.post-111369505243610131</id><published>2005-04-16T20:42:00.000-03:00</published><updated>2005-04-16T20:44:12.436-03:00</updated><title type='text'></title><content type='html'>&lt;br&gt;&lt;br&gt;&lt;b&gt;Irmãs&lt;/b&gt;&lt;br&gt;&lt;br /&gt;- Vou cobrar taxa, hein, pelo uso das minhas coisas de papelaria&lt;br /&gt;- Que vai pela areia?&lt;br /&gt;- É, de papelaria&lt;br /&gt;- Ah, de papelaria!&lt;br /&gt;- Ué. Grampeador e papel não são coisas de papelaria?&lt;br /&gt;- São, sim. É que entendi que vai pela areia.&lt;br /&gt;Achei engraçado.&lt;br /&gt;Ela riu também.&lt;br /&gt;- Você vai no show?&lt;br /&gt;- Não e sim.&lt;br /&gt;Olhei pra ela com cara de pergunta.&lt;br /&gt;- É complicado, não dá pra explicar. &lt;br /&gt;- Tá bom então.&lt;br /&gt;- Você vai?&lt;br /&gt;- Eu não. Tenho que estudar.&lt;br /&gt;- É, eu também.&lt;br /&gt;- Se você tem que estudar, então não deve ir, né?&lt;br /&gt;- É.&lt;br /&gt;Fiz outra cara de pergunta. Mas entender, não. Desisti. Ela olhou pros pequenos ovinhos que tinham sobrado. Só tinham sobrado dois, com recheio de coco.&lt;br /&gt;- Troca um de recheio de coco por um de recheio de nutela?&lt;br /&gt;- Hum. Ta.&lt;br /&gt;- Não gosto dos com recheio de nutela.&lt;br /&gt;- Não gosto dos com recheio de coco.&lt;br /&gt;- Vai sair mais tarde?&lt;br /&gt;- Acho que vou.&lt;br /&gt;- Ué. Não tinha que estudar?&lt;br /&gt;- É, mas vou só no cinema.&lt;br /&gt;- Ah, ta.&lt;br /&gt;Foi ela quem fez cara de pergunta. E foi embora, com seu papel grampeado.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/3878926-111369505243610131?l=recheiodeque.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3878926/posts/default/111369505243610131'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3878926/posts/default/111369505243610131'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://recheiodeque.blogspot.com/2005/04/irms-vou-cobrar-taxa-hein-pelo-uso-das.html' title=''/><author><name>Fernanda</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://bp0.blogger.com/_G7QdkBA8xiw/R_90yIdj-FI/AAAAAAAAAN4/I_yd7X61TQE/S220/Blusa+Florezinhas+PB++Lateral.JPG'/></author></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-3878926.post-110714465358191314</id><published>2005-01-31T02:09:00.000-02:00</published><updated>2005-01-31T04:12:32.220-02:00</updated><title type='text'></title><content type='html'>&lt;br&gt;&lt;b&gt;Sobre o contínuo esquecimento dos contornos borrados&lt;/b&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Aquela vez escrevi assim:&lt;br /&gt;"hoje perdi capacidade distingüir normal patológico." Entreguei à moça do correio e torci pra você me desculpar a mediocridade. Eu só tinha grana pra 6 palavras. Não dormia há 3 dias, tinha 340 páginas pra ler. Em 24 horas. Merda de vida.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mas nunca deixei de ter domínio sobre aquelas constatações bonitas que eu fazia de madrugada e projetava no teto, em cima da nossa cama.&lt;br /&gt;Te espiava dormindo. Eu, dormindo. Te espiava. Dormindo também.&lt;br /&gt;Depois era a sua vez.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Queria ser mais empreendedora das minhas vontades. Você quase perdeu o controle todo quando eu disse isso. Fiquei até com medo, um tico. Mas foi sutil, fingiu não dar muita importância praquele drama todo. Achei bonito. Espremeu tudo dentro. Quase tudo. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Depois chegou na janela. Ficou em pé no parapeito. Tomou impulso e tentou cair. Mas não conseguiu de novo. Voou pra longe, bem longe. &lt;br /&gt;Corri até a janela pra te ver, olhar pra você me olhando lá do alto. Tentei me lembrar daquela poesia pra te gritar, aquela que você me disse que gostaria de ouvir de baixo pra cima. Porcaria de memória. Não veio. Fiquei com raiva, cerrei os punhos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O vento te soprou pralém do meu alcance visual. Você sempre quis saber onde terminava o azul todo; e se as nuvens eram mesmo frias como eu tinha dito. Mas não havia nuvens nesse dia. Havia aviões aos montes. Daqueles que passam na praia com faixas propagandistas. Achei que de repente você pudesse pegar uma carona de volta.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Pus o Coltrane pra tocar e fui fazer comida. Quis que você estivesse por perto com o alho dourando. Te ouvir falar que aquele cheiro te dava fome. Que a gente come pelo nariz. Me perguntar por que é que eu nunca choro quando corto cebola. E depois me atazanar com as proporções das fôrmas, a diferença entre o mel e o melado, me perguntar se eu já encontrei a tal da araruta. Eu só queria saber por que os bolos solam. Sempre termino dizendo uma coisa dessas, e a gente lava a louça junta.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Na verdade, quanta coisa eu já falei que, teoricamente, não interessava. Estavam pensando que eu me sentia sozinha por causa daquela maluquice que eu inventei: que cada ser humano tem que abraçar outros 10 por dia pra não ter câncer. Talvez isso interessasse. Mas eu não tinha dinheiro pra escrever sobre o que estavam pensando de mim. Porque a gente tinha combinado que sempre que não tivesse tempo ia falar que não tinha dinheiro. Fiquei um monte de anos achando aquilo a coisa mais engraçada do mundo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mas então. Tinha um pessoal preocupado comigo, e o que eu achava? Eu não achava nada. Não tinha dinheiro pra ficar pensando nessas bobagens. Tinha que pensar como eu ia fazer pra ir do centro até em casa em 10 minutos, pra poder tomar um banho, dar a comida do cachorro e pegar o carregador do celular. Tinha mais umas 20 coisas que acabei tirando da lista. Pensei que era melhor não me iludir.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Você entrou pela porta um pouco antes do almoço ficar pronto. Perguntou se eu já tinha recordado a poesia. Eu tinha desistido, pedi pra você me contar. Debochou, disse que a minha memória não era mais a mesma. Implorei pra você contar. Não quis. Deitou no tapete e ficou rindo. Eu disse que não estava achando a menor graça. Mas até que estava. Falei pra você sair daquele chão empoeirado e tomar um banho, pra gente poder almoçar. Veio me beijar e foi lá pra dentro, cantarolando o jazz que eu tinha posto pra me fazer companhia.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Outro dia sonhei que li no jornal que tinham encontrado a pessoa mais repugnante do país. Logo abaixo tinha uma foto minha, e uma entrevista completa, que eu não me lembrava de ter concedido. Umas coisas que era bem capaz mesmo de eu ter falado. Fui até a cômoda no escritório pegar uma tesoura pra recortar a matéria. Pra te mandar junto com o próximo telegrama. Mas quando voltei não estava mais lá. Era outra pessoa, outro assunto. Acordei com uma sede danada e pela primeira vez me arrependi de nunca ter dormido com um copo d’água do lado. Agora imagina como eu teria ficado pobre se tivesse te escrito essa besteira.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Anjo. Dia desses teve a maior ressaca. Você teria gostado de ver. Sabe o que eu descobri. Que tem tanta gente nessa vida que eu já amo e que ainda nem conheci. Tenho me declarado pruns estranhos que me vendem coisas, me dão informações, me tratam bem. Me sinto contente. Uma calma absurda dentro de tanto caos. Não tenho tido pressa. Nem aquelas dores de cabeça.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Da próxima vez que a gente se vir vou te cantar uma música do Caetano. Só porque você sempre achou que eu detestava tudo o que ele fazia. Bem. Nem tudo. Nem sempre.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E também, né, tem coisas que mudam.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/3878926-110714465358191314?l=recheiodeque.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3878926/posts/default/110714465358191314'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3878926/posts/default/110714465358191314'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://recheiodeque.blogspot.com/2005/01/sobre-o-contnuo-esquecimento-dos.html' title=''/><author><name>Fernanda</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://bp0.blogger.com/_G7QdkBA8xiw/R_90yIdj-FI/AAAAAAAAAN4/I_yd7X61TQE/S220/Blusa+Florezinhas+PB++Lateral.JPG'/></author></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-3878926.post-110619169149792940</id><published>2005-01-20T01:27:00.000-02:00</published><updated>2005-01-20T01:28:11.496-02:00</updated><title type='text'></title><content type='html'>&lt;br&gt;&lt;b&gt;Porque sim&lt;/b&gt;&lt;br&gt;&lt;br /&gt;Apaguei um post.&lt;br /&gt;Tinha muito nele.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/3878926-110619169149792940?l=recheiodeque.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3878926/posts/default/110619169149792940'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3878926/posts/default/110619169149792940'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://recheiodeque.blogspot.com/2005/01/porque-sim-apaguei-um-post.html' title=''/><author><name>Fernanda</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://bp0.blogger.com/_G7QdkBA8xiw/R_90yIdj-FI/AAAAAAAAAN4/I_yd7X61TQE/S220/Blusa+Florezinhas+PB++Lateral.JPG'/></author></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-3878926.post-110446461269444534</id><published>2004-12-31T01:41:00.000-02:00</published><updated>2004-12-31T01:43:32.696-02:00</updated><title type='text'></title><content type='html'>&lt;b&gt;Calendário&lt;/b&gt;&lt;br&gt;&lt;br /&gt;Nem mesmo as asas de vidro &lt;br /&gt;Blindado&lt;br /&gt;Da ave que nos dava carona&lt;br /&gt;Dão conta do peso, do fardo&lt;br /&gt;Que hoje de manhã ela&lt;br /&gt;Começou a carregar&lt;br /&gt;&lt;br&gt;Perguntei tantas vezes o nome dela&lt;br /&gt;Tirei-a pra dançar em todas as festas&lt;br /&gt;Só pra sentir mais uma vez aquele perfume&lt;br /&gt;O único que eu gostei até hoje&lt;br /&gt;Só pra ouvir a sonoridade de todas aquelas letras juntas&lt;br /&gt;Porque era diferente&lt;br /&gt;Quando ela dizia&lt;br /&gt;&lt;br&gt;Os nossos pés na areia branca tentando ver&lt;br /&gt;Alcançar&lt;br /&gt;O balão vermelho&lt;br /&gt;Desaparecendo no céu&lt;br /&gt;Apertei a mão dela forte&lt;br /&gt;Tive medo que ela chorasse&lt;br /&gt;&lt;br&gt;Pois nunca sei o que fazer&lt;br /&gt;Quando elas choram na minha frente&lt;br /&gt;&lt;br&gt;Outro dia&lt;br /&gt;De madrugada&lt;br /&gt;No banco da praia&lt;br /&gt;Um homem de terno lia o jornal&lt;br /&gt;&lt;br&gt;Talvez não haja sentido&lt;br /&gt;Ler jornal de madrugada&lt;br /&gt;Na praia de terno&lt;br /&gt;&lt;br&gt;Mas há pessoas vivendo momentos inexplicáveis&lt;br /&gt;Extraordinários&lt;br /&gt;Todo o tempo&lt;br /&gt;&lt;br&gt;E o mundo era mesmo só isso&lt;br /&gt;Até que ela me acordou, às duas da manhã,&lt;br /&gt;E falou no meu ouvido:&lt;br /&gt;Eu nunca gosto do jeito que as coisas terminam&lt;br /&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/3878926-110446461269444534?l=recheiodeque.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3878926/posts/default/110446461269444534'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3878926/posts/default/110446461269444534'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://recheiodeque.blogspot.com/2004/12/calendrio-nem-mesmo-as-asas-de-vidro.html' title=''/><author><name>Fernanda</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://bp0.blogger.com/_G7QdkBA8xiw/R_90yIdj-FI/AAAAAAAAAN4/I_yd7X61TQE/S220/Blusa+Florezinhas+PB++Lateral.JPG'/></author></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-3878926.post-110150114439446034</id><published>2004-11-26T18:31:00.000-02:00</published><updated>2004-11-26T18:44:52.313-02:00</updated><title type='text'></title><content type='html'>&lt;br&gt;&lt;b&gt;Negações&lt;/b&gt;&lt;br&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Estão me congelando, tenho a impressão. Perguntaram por que é que eu me contesto desse jeito. Não há resposta alguma a altura de meu silêncio altruísta. Me calo pra não gerar culpas insípidas, só por isso. Mas não entendem, não precisam entender. Não se importam mais.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Não durmo há tanto tempo, não tenho mais contado histórias sobre os chorinhos que eu andava ouvindo. Não sei mais que cor vai com que dia, que música vai com que mar. Os pares despareados. Pares que nunca o foram. Será que a gente força todas as coisas belas?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Desaprendi.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Não consigo mais ouvir o que os outros dizem sobre mim. Mesmo que eles gritem o som se tornou tão tóxico que me deixou cambaleante, tudo roda roda roda, não consigo mais me levantar daqui. Chorar e gritar algum nome: pedir ajuda. Pra arrumar essa merda toda. Que ficou desde o momento em que eu fechei os olhos. Até agora.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Não existe: a única coisa que tenho vontade de comer. Do outro lado do mundo, numa daquelas ilhazinhas do pacífico. Onde eu vou estar sempre. Sozinha. Com gente que eu não conheço bem, mas que me faz tão viva. Até hoje, quando tenho a sensação de que tudo não passou de uma invenção, escrevo pra eles. E me lembro como se faz pra não compreender. Por que esperam coisas que ninguém prometeu.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Eles nunca responderam.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Comprei uns envelopes bem bonitos pra transportar a minha vida pra longe. Mas não sei se consigo.&lt;br /&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/3878926-110150114439446034?l=recheiodeque.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3878926/posts/default/110150114439446034'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3878926/posts/default/110150114439446034'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://recheiodeque.blogspot.com/2004/11/negaes-esto-me-congelando-tenho.html' title=''/><author><name>Fernanda</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://bp0.blogger.com/_G7QdkBA8xiw/R_90yIdj-FI/AAAAAAAAAN4/I_yd7X61TQE/S220/Blusa+Florezinhas+PB++Lateral.JPG'/></author></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-3878926.post-110074930880500732</id><published>2004-11-18T01:38:00.000-02:00</published><updated>2004-11-18T01:41:48.806-02:00</updated><title type='text'></title><content type='html'>&lt;br&gt;&lt;b&gt;Aquelas lágrimas doídas no banco da praça&lt;/b&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Está acima da questão de ser ou não um tabu. Porque um dia chega o dia em que você não quer estar lá para ver. Por enquanto, nebulosidade. As palavras ficam retidas num soluço-engasgo seco. Seco. Um deserto. Entre duas bocas. Você sempre baixa os olhos nessas horas. Logo você que sempre gostou de brincar (com fogo) de “se”. De ser. Cansou do lado lúdico de adivinhar onde ficam as constelações que vão te trazer as respostas. E eu já te surpreendi, repreendi. Você raramente exagera, mas acho que bebeu um pouco demais. Você diz que pode, dessa vez. E eu tenho a impressão de já ter ouvido isso antes. Você dança sozinha, taça na mão, salto agulha no pé. E eu nunca te vi assim: de salto agulha. Tão linda. O salto quebra e você nem percebe. Você desliza na varanda, olhos fechados, ao som da sinfonia que você sabe de cor, e que escutamos juntos naquele dia, no teatro reluzente. Foram tantos os silêncios que a gente compartilhou nessa vida curta; os concertos foram os meus preferidos. Você se vira de súbito e me pergunta como se diz qualquer coisa em outra língua. Eu respondo. E você repete. E repete. E repete. Dança. Deixa cair o copo. É mais leve do que ele. Chega ao meu ouvido e me diz: “Pode ser que eu seja tudo.”&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Talvez eu nunca venha mesmo a compreender essa dor retrógrada que você sente. Talvez você também não. Joga em mim uns olhos castanhos cheios de diálogos inverossímeis. Te conheço do avesso, mas sei pouco sobre você. Que é tão sensorial, vive tudo em sinestesias. Chora em metáforas. Sem demais explicações. É força e luz durante 30 anos mas escolhe um dia pra despejar fantasmas. Se decompõe dentro do que permanece obscuro. Eu nunca soube usar uma panela de pressão. E de repente enxerguei que você era uma. Foi quando aprendi a desarticular as palavras, gestos, contextos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Você me racha ao meio. Toda vez que chora escondido, que escreve às minhas custas, que me conta sonhos decifráveis. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A verdade é que eu não tenho certeza se quero ouvir. O que você (não) tem pra me dizer. Ao invés, te assisto patinar nos azulejos enluarados. Pode ser que a música mude às vezes; não, muda. Muda muito. O tempo inteiro. Eu é que permaneço ali, estático, pra que nada se sobreponha. Não perder no ar os teus contornos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Você importa muito. E é por isso que eu.&lt;br /&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/3878926-110074930880500732?l=recheiodeque.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3878926/posts/default/110074930880500732'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3878926/posts/default/110074930880500732'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://recheiodeque.blogspot.com/2004/11/aquelas-lgrimas-dodas-no-banco-da-praa.html' title=''/><author><name>Fernanda</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://bp0.blogger.com/_G7QdkBA8xiw/R_90yIdj-FI/AAAAAAAAAN4/I_yd7X61TQE/S220/Blusa+Florezinhas+PB++Lateral.JPG'/></author></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-3878926.post-110014003785739021</id><published>2004-11-11T01:25:00.000-02:00</published><updated>2004-11-11T00:33:54.853-02:00</updated><title type='text'></title><content type='html'>&lt;br&gt;&lt;br&gt;&lt;b&gt;Ultra-som&lt;/b&gt;&lt;br&gt;&lt;br /&gt;tenho vontade:&lt;br /&gt;te ver por dentro:&lt;br /&gt;ser radiologista.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/3878926-110014003785739021?l=recheiodeque.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3878926/posts/default/110014003785739021'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3878926/posts/default/110014003785739021'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://recheiodeque.blogspot.com/2004/11/ultra-som-tenho-vontade-te-ver-por.html' title=''/><author><name>Fernanda</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://bp0.blogger.com/_G7QdkBA8xiw/R_90yIdj-FI/AAAAAAAAAN4/I_yd7X61TQE/S220/Blusa+Florezinhas+PB++Lateral.JPG'/></author></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-3878926.post-109928011843460494</id><published>2004-11-01T00:34:00.000-03:00</published><updated>2004-11-01T00:35:18.433-03:00</updated><title type='text'></title><content type='html'>&lt;br&gt;&lt;br&gt;&lt;b&gt;Casco&lt;/b&gt;&lt;br&gt;&lt;br /&gt;Não serve pra muita coisa. Essa é a verdade. Me disseram que é doído dizer essas coisas assim, sem uma preparação. É que detesto os atenuantes. Me deixam nervosa. Então engulo todas as porcarias do mundo. Só porque fiquei falando sem parar quando os outros queriam dormir. No dia seguinte estavam todos ácidos comigo. Eu nem me lembrava mais por quê.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;É. Caminho a passos largos praquela conclusão de que não há mais motivo. Sempre descubro as minhas idéias originais escorridas das bocas dos outros. A minha tridimensionalidade toda liquefeita num beco sujo, no lixo hospitalar. (Se ele não chegar depressa é capaz de eu gritar aqui mesmo.) Vem uma sede imperativa que não passa nunca. Bebi 5 litros de água em um dia. Admitir o fracasso é primeiro passo. Pra quê?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;(Será que só a vida dos outros é medíocre?)&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Me intoxico de camadas intransponíveis de açúcar espesso. Dentro de mim fica tudo mascavo. Transpiro grão por grão enquanto escuto absurdos por aí. Coisas que eu devia fazer pra me tornar acessível. Pra quem? Mais pra mim do que para qualquer outro ser que eu ame enlouquecidamente. Esfarelar os meus ossos e dentes toda vez que eu ficar nervosa. Dirigir a palavra apenas a quem não me recrimina. Distribuir sorrisos a qualquer um que me olhe nos olhos. Pela coragem, pela audácia. Tenho uma atração magnética por gente ousada. Provavelmente porque também sou a boazinha da história toda. E culpa é um sentimento recorrente. Mas acredito que ainda sirva pra alguma coisa. Certamente não pra virar protagonista de romance, tema de peça, modelo de escultura. Alguma coisa nobre. Sem arte, sem graça. Mas com um propósito, uma consciência de pluma.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Devia anotar mais o que me faz boicotar as próprias dívidas. Esmiuçar as vontades. Uma vontade nunca é só uma vontade. Querer tem sempre várias vertentes. Desdobramentos. A gente é que tem preguiça de encontrar. Às vezes as vontades erradas prevalescem. E sai tudo errado. Mas é assim mesmo, a vida.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Precisa de senha?&lt;br /&gt;Minha força azedou. Vou ter que pôr fora. Amanhã compro mais.&lt;br /&gt;Mas já falo isso há umas três semanas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Preciso me livrar daquele ambiente onde todo mundo se hipnotiza pelo espelho em frente. Tenho medo de começar a achar normal.&lt;br /&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/3878926-109928011843460494?l=recheiodeque.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3878926/posts/default/109928011843460494'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3878926/posts/default/109928011843460494'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://recheiodeque.blogspot.com/2004/11/casco-no-serve-pra-muita-coisa.html' title=''/><author><name>Fernanda</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://bp0.blogger.com/_G7QdkBA8xiw/R_90yIdj-FI/AAAAAAAAAN4/I_yd7X61TQE/S220/Blusa+Florezinhas+PB++Lateral.JPG'/></author></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-3878926.post-109579197278440070</id><published>2004-09-21T15:37:00.000-03:00</published><updated>2004-09-21T15:39:32.783-03:00</updated><title type='text'></title><content type='html'>&lt;br&gt;&lt;b&gt;Desarticulação&lt;/b&gt;&lt;br&gt;&lt;br /&gt;Antes eu soubesse como se faz para ser holográfica. Porque as imagens dependem de tantas variáveis que ainda não descobri. E já está tarde pra sair à procura delas; então me boicoto esquecendo a minha fala, a minha deixa. Por que será que ninguém te deixa quando você quer se desperceber? Distrair-se das próprias projeções. Algumas horas de focos luminosos sob a testa e de improvisos sobre todos os assuntos indesejáveis. Para depois regurgitar o desejo de ser volátil. Xingar, gritar, descascar-se em insultos. Mentalmente. Perturbação e melancolia. Ciclo inevitável?&lt;br /&gt;&lt;br&gt;Um caldeirão de sombras em devaneio. Eu revestida de luz e trilhas. Primeira vez: fato. Se eu assinar em baixo, minha caligrafia termina tremida, um pouco inconstante, minha assinatura não tem a menor graça, e eu nunca soube desenhar um F bonito. Mas, se for imprescindível, assino. Um dia ainda paro de ver tudo como sendo a coisa mais importante. Compro uma caneta iluminadora, ao invés de cinco. Porque gasto tanto.&lt;br /&gt;&lt;br&gt;O problema de ser tão angular pode mesmo ser esse: ter tantos vértices. Aliás, por que guardar tudo isso que a gente não usa? Meu respeito por tanta gente de repente venceu. O receituário de cinqüenta anos atrás também já não serve mais. Chego em casa concordando comigo. Você sabe o quanto me custa. Você é testemunha das minhas tentativas. Todas uma frustração só. Mas vou continuar tentando. Porque sou boba. E indigna de tanta arrogância. Você, no fundo, me acha arrogante.&lt;br /&gt;&lt;br&gt;E eu. Eu, se tivesse coragem, te dizia assim: não tente fazer com que eles te pensem desinteressante. Tente fazer com que eles te detestem. Porque aí, talvez, você consiga. Porque ninguém mais te compreende. Mas acho que estou começando a.&lt;br /&gt;&lt;br&gt;(Puxa, sou mesmo arrogante.)&lt;br /&gt;&lt;br&gt;Acabo me surpreendendo querendo que você esteja comigo, esperando a madrugada passar. Esquecer, afinal. O dia fica todo em islandês. A Björk às vezes canta essas coisas lindas que eu não entendo. Você me diz coisas que estão além das fronteiras da minha percepção sensorial. Que me fazem chorar como último recurso.&lt;br /&gt;&lt;br&gt;Geralmente a vida vai. Por alguns dias ela é. Mas hoje tudo voltou ao normal.&lt;br /&gt;&lt;br&gt;Só que não vou te falar disso. Acho que te digo muito. E te escrevo quase nada.&lt;br /&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/3878926-109579197278440070?l=recheiodeque.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3878926/posts/default/109579197278440070'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3878926/posts/default/109579197278440070'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://recheiodeque.blogspot.com/2004/09/desarticulao-antes-eu-soubesse-como-se.html' title=''/><author><name>Fernanda</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://bp0.blogger.com/_G7QdkBA8xiw/R_90yIdj-FI/AAAAAAAAAN4/I_yd7X61TQE/S220/Blusa+Florezinhas+PB++Lateral.JPG'/></author></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-3878926.post-109548651437743980</id><published>2004-09-18T02:45:00.000-03:00</published><updated>2004-09-18T02:53:03.356-03:00</updated><title type='text'></title><content type='html'>&lt;br&gt;&lt;br&gt;&lt;b&gt;Não&lt;/b&gt;&lt;br&gt;&lt;br /&gt;Eu não quero e pronto. Diz pra eles pararem de me forçar. Por favor.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/3878926-109548651437743980?l=recheiodeque.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3878926/posts/default/109548651437743980'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3878926/posts/default/109548651437743980'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://recheiodeque.blogspot.com/2004/09/no-eu-no-quero-e-pronto.html' title=''/><author><name>Fernanda</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://bp0.blogger.com/_G7QdkBA8xiw/R_90yIdj-FI/AAAAAAAAAN4/I_yd7X61TQE/S220/Blusa+Florezinhas+PB++Lateral.JPG'/></author></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-3878926.post-109504447319820822</id><published>2004-09-13T00:57:00.000-03:00</published><updated>2004-09-13T00:01:55.420-03:00</updated><title type='text'></title><content type='html'>&lt;br&gt;&lt;b&gt;Ausências impermeáveis&lt;/b&gt;&lt;br&gt;&lt;br /&gt;As pedrinhas do rio já não eram mais aquelas que, em idos tempos, se acumulavam às toneladas nas margens, no fundo, na terra ao redor. E ganhavam mais vida do que a própria correnteza. Que era forte e incisiva e derradeira. E me levou embora tantas vezes. Mas só quando eu quis. A não ser em uma ou duas ocasiões em que me distraí ouvindo as casualidades alheias. Eu disse que eu queria comprar um cordão daqueles de contas redondas. Tudo começou mais ou menos assim. Mas nem sempre os diálogos começam. Nem sempre alguma coisa remete à linguagem e o corpo se sente limpo e a boca se lava de verdades tenras. Nem sempre.&lt;br /&gt;&lt;br&gt;Tenho esse vício de roubar as frases, as fases dos outros. O que é imperceptível às minhas tentativas, às minhas execuções. Mas que certamente enfraquece todas as minhas intenções. Os impulsos seqüestrados de gente que enxerga melhor que eu (que não tenho um pingo de grau, nem de bom senso, nem de vergonha na cara). Me falta tanto. Sobretudo o controle daquilo que eu escrevo falo sinto penso vivo bebo. No final, tudo sai às minhas custas. A raiva de uns, a gasolina de outros. Uma imundice. Tanto que sempre vou me deitar passando mal.&lt;br /&gt;&lt;br&gt;Agora ontem à noite. Entrelaçados, os lábios colados, impublicidades embrulhadas entre as abstrações sussurradas (detesto essa palavra) e você me perguntando as horas. De repente foi por isso que te escolhi. Testar todas as temperaturas das cores que eu visto, tenho, sou. Fechar os olhos: é esse o objetivo de toda entrega, não? Te permitir explorar todo esse museu que eu tenho por dentro. Me despir vestindo tudo de um resumo das coincidências que eu pensei. E depois querer gravar as suas réplicas. Fazer um documentário sobre aquilo tudo. Te dizer que você vai fazer a capa do meu livro. Que eu não pretendo escrever. Porque nunca consigo a luz certa, o ângulo irresistível, aquelas imagens escandalosamente belas. As matizes certas(, porque eu gosto dessa palavra no feminino). Tenho vergonha das minhas fotografias. Mas, mesmo assim, precisava de uma lente macro pra conseguir reproduzir a sintaxe das pessoas. As raízes de toda aquela dor, e de onde vem esse cultivo pelo sombrio. A busca pelo o que é obtuso. Tanta gente triste, quimicamente triste, culturalmente triste. Os por quês. Que estão sempre faltando. Lacunas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E chegar à feira, pensando em todas as coisas indizíveis, e dizer:&lt;br /&gt;- Moço, me vê um contexto, por favor?&lt;br /&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/3878926-109504447319820822?l=recheiodeque.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3878926/posts/default/109504447319820822'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3878926/posts/default/109504447319820822'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://recheiodeque.blogspot.com/2004/09/ausncias-impermeveis-as-pedrinhas-do.html' title=''/><author><name>Fernanda</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://bp0.blogger.com/_G7QdkBA8xiw/R_90yIdj-FI/AAAAAAAAAN4/I_yd7X61TQE/S220/Blusa+Florezinhas+PB++Lateral.JPG'/></author></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-3878926.post-109486271902053095</id><published>2004-09-10T21:30:00.000-03:00</published><updated>2004-09-10T21:31:59.020-03:00</updated><title type='text'></title><content type='html'>&lt;br&gt;&lt;br&gt;&lt;b&gt;Ela colocou na minha frente um prato cheio de pedacinhos de bolo. Eu não podia. Mas aceitei.&lt;/b&gt;&lt;br&gt;&lt;br /&gt;- Será que isso tudo o que a gente está passando é realmente necessário?&lt;br /&gt;- Em outros tempos eu te diria que sim. Hoje não sei mais.&lt;br /&gt;- Eu também não sei mais. Não sei mais até que ponto toda decepção é aprendizado.&lt;br /&gt;- Talvez não seja. Talvez nunca tenha sido.&lt;br /&gt;- Então essa história de amadurecimento seria só uma justificativa inventada?&lt;br /&gt;- É. Uma desculpa pra inviabilizar a nossa ira fundamentada em uma colcha de retalhos de coisas pequeninas.&lt;br /&gt;- Mas são justamente os detalhes que te fazem amar ou odiar. &lt;br /&gt;- Sim, é verdade. E também são eles que sedimentam a indiferença.&lt;br /&gt;- Sabe... eu nunca pensei que a indiferença me fosse um troço tão palpável.&lt;br /&gt;- Indiferença é pesado. Eu não posso dizer que sou indiferente a alguma coisa. Ou a alguém.&lt;br /&gt;- A pior coisa é justamente isso: a consciência de ser indiferente.&lt;br /&gt;- Em relação a ele?&lt;br /&gt;- É claro. A quem mais?&lt;br /&gt;- Eu queria inventar um rastreador de indiferenças.&lt;br /&gt;- Há, essa é boa. Mas será que ele teria utilidade prática?&lt;br /&gt;- Pelo menos a gente saberia quem é que se importa.&lt;br /&gt;- Quem é que se importa se a gente for atropelada por uma van desesperada.&lt;br /&gt;- Exatamente. E só aí seria possível saber em quem confiar.&lt;br /&gt;- Amiga?&lt;br /&gt;- O quê?&lt;br /&gt;- Eu acho que não ia sobrar muita gente.&lt;br /&gt;- Eu sei. É por isso que não inventaram até hoje.&lt;br /&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/3878926-109486271902053095?l=recheiodeque.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3878926/posts/default/109486271902053095'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3878926/posts/default/109486271902053095'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://recheiodeque.blogspot.com/2004/09/ela-colocou-na-minha-frente-um-prato.html' title=''/><author><name>Fernanda</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://bp0.blogger.com/_G7QdkBA8xiw/R_90yIdj-FI/AAAAAAAAAN4/I_yd7X61TQE/S220/Blusa+Florezinhas+PB++Lateral.JPG'/></author></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-3878926.post-109452427301805494</id><published>2004-09-07T00:30:00.000-03:00</published><updated>2004-09-06T23:45:21.320-03:00</updated><title type='text'></title><content type='html'>&lt;br&gt;&lt;br&gt;&lt;b&gt;Quis sair&lt;/b&gt;&lt;br&gt;&lt;br /&gt;Mas não pude. Ele quis mais um pedaço de mim. Me amordaçou, amor-da-çou. Sou. Um pó colorido que ele está cheirando sempre que eu saio do banho. Razão da qual ele já me explicou. Umas mil vezes, aliás. Lilás. O lenço amarrado na minha boca. Eu rio. Num rio profundo, gelado, de água parada (é possível?) e ele me diz: o seu riso é o barulho mais gostoso do mundo. Mais que rolha estourada de champagne barato.&lt;br /&gt;Ninguém entende o fato de eu não beber. E sobreviver a esse mundo cão. (Que, de tão rouco, já não late mais.) E rodar, e inspirar e transpirar. Toda essa imundice negra que se finge ignorar. O cigarro dos outros fuma o meu cabelo, toda tal vez. Talvez o contrário. Mas sempre. Chegar e lavar: obrigação. Sempre. Não beber. Opção. A liberdade. Será que ela existe? Transitar no sub-mundo e não beber. Gostar de Lynch e não beber. Arte contemporânea e não beber. Bukowski, não beber. Não entendem. Engraçado, eu não sinto necessidade. Desejo, necessidade, vontade. As 3 palavras mais fortes. Mais fortes que a gravidade? Ah, a gravidade, eu me lembro. Indescritível. Todos os porres que eu não tomei e mais os que você tomou, e os dele também. E o pó colorido também. Eu não preciso saber, tenho certeza. Me lembrar do nada cabendo inteirinho dentro de mim. Eu, a continuidade do ar atmosférico. Cair, cair. O silêncio mais absoluto que eu já vi na vida. Chorar, gritar, rir, cair. Tudo em silêncio. Junto. 3 vezes. Quantos metros somados? Duzentos e cinqüenta metros. 250. Fora os quatro mil, do avião. Mas aí são outros quinhentos. 500, podiam ter sido 500. A metade nunca basta. Nada nunca basta. Só cair. Entre dois abismos. (No lugar mais longe possível, com as cores que eu nunca tinha visto.) A única vez em que eu pensei: é isso, pronto, é só isso. E beber, pra que serve mesmo?&lt;br /&gt;&lt;br&gt;Tem pessoas, né, que são uns brilhos. Foi isso o que ele disse. Ele é dessas pessoas que dizem coisas que não se vê. Não se vê dizer. E não se vê o que é dito. Mas, afinal, o que se vê? Queria estar lúcida. Sóbria.&lt;br /&gt;&lt;br&gt;Mas, não. Ele quer que eu fique.&lt;br /&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/3878926-109452427301805494?l=recheiodeque.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3878926/posts/default/109452427301805494'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3878926/posts/default/109452427301805494'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://recheiodeque.blogspot.com/2004/09/quis-sair-mas-no-pude.html' title=''/><author><name>Fernanda</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://bp0.blogger.com/_G7QdkBA8xiw/R_90yIdj-FI/AAAAAAAAAN4/I_yd7X61TQE/S220/Blusa+Florezinhas+PB++Lateral.JPG'/></author></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-3878926.post-109416429265102896</id><published>2004-09-02T18:31:00.000-03:00</published><updated>2004-09-02T19:44:44.336-03:00</updated><title type='text'></title><content type='html'>&lt;span style="font-size:85%;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;b&gt;Silenzio, no hay banda&lt;/b&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Então, se o silêncio é a tela branca da música, e eu faço música e faço palavra, quer dizer, compro palavras pra fundi-las entre si, talvez a compensação venha sob forma de pincel. Pintar tudo de branco. O instrumento, esses escritos todos, todos os meus pertences. (Já pensei nisso tantas vezes.) Tenho essa relação de amor e ódio com o branco. Mas dessa vez tentarei me manter neutra.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Não aprendi a me calar na hora certa. Assim, como quem não aprende a assobiar. Faço silêncio em todas as arestas inconvenientes do dia. Só sei suportar silêncio se não tiver que sustentar um diálogo em cima dele. Se não estiver compartilhando esse negócio de existir com mais ninguém. E, mesmo assim, se já tiver ouvido todo o jazz que tenho aqui.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mas entre o eu de cá e o você de lá, não sei, não.&lt;br /&gt;Já sonhei com uma conversa inteira protagonizada pelos nossos olhos. E mãos e expressões. De repente você subia na mesa e gritava: todo mundo aqui já perdeu! E se sentava de novo, e olhava pra mim, doce. Não existia nenhuma irritabilidade em tudo aquilo. Passava muito tempo. E ninguém acendia cigarros. Quando o silêncio se torna incômodo e não se sabe o que dizer acendem-se cigarros. E aí eu teria ido embora. Cigarro é imagem demais pra mim. E olha que eu gosto de Warhol, Haring, Lichtenstein. Mas aí você me olhava, e sem me julgar. Nunca tinha visto um olhar sem julgamento implícito antes.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O silêncio costumava ser uma forma de testar a audácia das pessoas, o instinto de preservação em relação a seus próprios mistérios. A coragem de manter uma situação teoricamente inviável. Porque quando não se diz nada é como se se dissesse qualquer coisa. E qualquer coisa (a gente sabe): nunca é suficiente. Mas ali, não. Não havia a memória de uma linguagem, nem de convenções pré-existentes, dessas que as mães ensinam às filhas: é feio encarar as pessoas. Então não havia o conceito de silêncio desconfortável.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O espaço entre a gente era uma lâmina de ausência de som tão minha quanto sua. E isso tinha textura de maria-mole. Eu me lembrei de todas aquelas festas juninas com as bandeirolas já caindo no fim da noite. As tranças das meninas já assimétricas, um lado não correspondia ao outro. As caipirices só aparecem mesmo no final. Você riu.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A palavra era um par de óculos escuros em breu completo. Era um desses bens de consumo que a gente não se lembra que existem.&lt;br /&gt;Mas no final eu quebrava tudo aquilo: chamava o garçom. (Não tinha o seu despudor de subir na mesa.) Moço, me vê um milk-shake de baunilha. Bastante calda de caramelo, por favor.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O silêncio é uma ilusão.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/3878926-109416429265102896?l=recheiodeque.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3878926/posts/default/109416429265102896'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3878926/posts/default/109416429265102896'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://recheiodeque.blogspot.com/2004/09/silenzio-no-hay-banda-ento-se-o-silncio.html' title=''/><author><name>Fernanda</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://bp0.blogger.com/_G7QdkBA8xiw/R_90yIdj-FI/AAAAAAAAAN4/I_yd7X61TQE/S220/Blusa+Florezinhas+PB++Lateral.JPG'/></author></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-3878926.post-109201459554993749</id><published>2004-08-08T22:21:00.000-03:00</published><updated>2004-08-08T22:23:15.550-03:00</updated><title type='text'></title><content type='html'>&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;b&gt;Dispnéia&lt;/b&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt; Estava envelhecendo em progressão geométrica. A aspereza que o mundo trazia lhe derramava litros de leite talhado narinas adentro. Apodrecia sem perceber. Quando deu por si, já era envolta em rachaduras separando uma metade da outra. No meio o quê? Tudo aquilo que sabia. E que a tornava hemi, semi, dicotômica. Abençoada seja toda a ignorância humana. Ela pensou.&lt;br /&gt;Andou resmungando por aí que vivia por duas. Encarnava personagens de livros diferentes. O que tornou a vida difícil, as horas mais curtas. O cansaço lhe serpenteava em lascas de ferro. Pesado. Pesava. Percebeu que não conseguia mais correr até o ônibus. Passou a levantar mais cedo, teria que andar. Bem-de-va-ga. R. Até o ponto. Uns três dias depois não conseguia mais. Subir escada. Lavar a louça. Até pentear os cabelos. Se lembrou da moça do filme: esta vida é um calvário. O ar faltava, cada vez mais. Pensou que talvez não fosse o oxigênio inesgotável. Achava por bem classificá-lo com maior cautela, rearranjá-lo entre os gases nobres.&lt;br /&gt;Sentia a falta dele. Tanto.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O estômago era queimação. O doutor lhe tinha dito que não estava digerindo direito os alimentos. E que o esôfago não tinha proteção. Imaginou que talvez fosse feito de algodão, o tal esôfago... Tome este remédio aqui que vou lhe passar, e você vai se sentir bem melhor. Chama-se omeprazol. Ela olhou bem pra cápsula: metade verde, metade branca. Duas metades. Que nem eu, pensou. Engoliu-a a seco, sem água, sem nada.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Cantarolou um pedaço de um choro antigo. Seu avô tinha-lhe grudado à mente naquele dia, já era a quarta vez que pensava nele.&lt;br /&gt;Não sabia dizer se os fios novos que lhe brotavam na fronte eram mesmo brancos ou se era o reflexo da luz do banheiro.&lt;br /&gt;Queria dizer umas quantas palavras novas fossem necessárias. Pra girar tudo de volta, de onde havia começado. Foi bem aqui, nessa hora, que ele voltou.&lt;br /&gt;O oxigênio.&lt;br /&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/3878926-109201459554993749?l=recheiodeque.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3878926/posts/default/109201459554993749'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3878926/posts/default/109201459554993749'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://recheiodeque.blogspot.com/2004/08/dispnia-estava-envelhecendo-em.html' title=''/><author><name>Fernanda</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://bp0.blogger.com/_G7QdkBA8xiw/R_90yIdj-FI/AAAAAAAAAN4/I_yd7X61TQE/S220/Blusa+Florezinhas+PB++Lateral.JPG'/></author></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-3878926.post-109111310828901282</id><published>2004-07-29T11:55:00.000-03:00</published><updated>2004-07-29T12:03:23.816-03:00</updated><title type='text'></title><content type='html'>&lt;b&gt;Tinta fresca&lt;/b&gt; &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Queria te dizer agora todas as coisas que não consigo quando estou na tua frente.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Tá tudo acabando, parece.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/3878926-109111310828901282?l=recheiodeque.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3878926/posts/default/109111310828901282'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3878926/posts/default/109111310828901282'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://recheiodeque.blogspot.com/2004/07/tinta-fresca-queria-te-dizer-agora.html' title=''/><author><name>Fernanda</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://bp0.blogger.com/_G7QdkBA8xiw/R_90yIdj-FI/AAAAAAAAAN4/I_yd7X61TQE/S220/Blusa+Florezinhas+PB++Lateral.JPG'/></author></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-3878926.post-109027267874673701</id><published>2004-07-19T18:30:00.000-03:00</published><updated>2004-09-04T16:56:13.343-03:00</updated><title type='text'></title><content type='html'>&lt;b&gt;Vidro oco&lt;/b&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Falta pouco. E aí eu vou fugir em você. Juntar todos os nossos cacos vazios e atirá-los em um caldeirão em ebulição. Deixar tudo borbulhando que nem fondue. O que eu não sei se é a melhor opção. Mas certamente é a que me hipnotiza.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Eu não sei mais pra que servem todos esses amigos que eu contabilizo. Se são só os meus que eu quero. Controlo minha saudade deles que nem se controla peso. No cabresto, na ponta do lápis. No canto do olho. Todo cuidado é pouco, senão dispara.&lt;br /&gt;Me pergunto por que é que eu nasci desse jeito: com saudades de tudo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Na cidade ainda vão descobrir a cura da poluição sonora. Caixas de som gigantescas tocando absolutamente nada, no mais alto volume a que se pode atingir. Ondas de silêncio sensíveis apenas à voz que se deseja escutar. Resistentes a todo o resto. O antibiótico perfeito. Padrão ouro. Expressão que eu sempre achei bonita.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;No livro que eu leio o moço ficou cego no volante, enquanto esperava o sinal de trânsito abrir. Quase bati num cruzamento. Agradeci umas quinhentas vezes a alguém que eu não sei mais se existe. Anotei assim: descobrir o que existe e o que não.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Não sei mais aonde posso me perder. Já pensei tanto em ser mais leviana que me esqueci o que significa.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Dia desses errei o caminho de casa. Preferia dizer menos bobagem. Preferia não saber as coisas sobre mim.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;i&gt;Just what you want to be you will be in the end.&lt;/i&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mas não acredito mais nisso.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/3878926-109027267874673701?l=recheiodeque.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3878926/posts/default/109027267874673701'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3878926/posts/default/109027267874673701'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://recheiodeque.blogspot.com/2004/07/vidro-oco-falta-pouco.html' title=''/><author><name>Fernanda</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://bp0.blogger.com/_G7QdkBA8xiw/R_90yIdj-FI/AAAAAAAAAN4/I_yd7X61TQE/S220/Blusa+Florezinhas+PB++Lateral.JPG'/></author></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-3878926.post-108603607184398714</id><published>2004-05-31T17:38:00.000-03:00</published><updated>2004-05-31T17:44:37.683-03:00</updated><title type='text'></title><content type='html'>&lt;br&gt;&lt;b&gt;A vida em 2 minutos&lt;/b&gt;&lt;br&gt;&lt;br /&gt;Aquele dia em que eu te encontrei no metrô. Coincidência termos ido parar na mesma estação, no mesmo minuto. As direções opostas tornaram possível que você me olhasse. E que eu não fugisse. Duas trilhas paralelas entre nossos corpos em pé. O mundo inteiro entre nós. E eu me senti segura.&lt;br /&gt;&lt;br&gt;Você ia pro sul. Usava um sapato que eu nunca tinha visto. Pensou um milhão de coisas enquanto esperava o trem. Que eu vi. Quase concordei, quase dei palpite. Quase.&lt;br /&gt;Um grupo de surdos-mudos conversavam animadamente perto de você. Gesticulavam rápido, riam em silêncio: uma linguagem bonita, sem atropelamentos. Você me perguntou se eu achava aquilo tudo justo. (O mundo.) Mas sem pronunciar sílabas, sem esboçar reações. Eu disse que não, bem baixinho, mas disse. Os seus olhos me sussurraram um monte de dúvida e angústia.&lt;br /&gt;&lt;br&gt;Eu esperava. Ia pro norte. Percebi o meu reflexo no chão. Fiquei ali, entre a minha imagem distorcida e aquilo que eu acreditava ser você. Não tinha coragem de te encarar por tanto tempo; lembrei da minha mãe dizendo que isso era feio. A voz aveludada da moça do auto-falante interrompeu a valsinha que ecoava no subterrâneo. Pra anunciar uma empresa de telefone celular qualquer. Um executivo conversava com uma moça do meu lado. Mas nada que eu pudesse entender. Tanto barulho acabou sendo o pano de fundo do nosso silêncio. Eu quis te contar do meu dia, das minhas viagens, da minha vida inteira.&lt;br /&gt;Você sabia alguma língua que eu não sabia. Talvez alemão.&lt;br /&gt;Mas um barulho maior nos seqüestrou o transe, calou todos os outros. Devia ser o trem. O vento balançou o seu cabelo e de todos os meninos que não falavam. (Nem ouviam.) Os nossos cabelos, aqui do lado de cá, todos intactos. Imóveis. O seu trem chegou. Você hesitou em ir embora. Que eu sei. Mas foi. Me deixou ali sozinha, no frio. Não faz mal, eu entendo. Mas não me peça pra esquecer aquelas coisas todas que você não me disse. As palavras suspensas na poeira deixada. Pelo trem que te levou pra longe.&lt;br /&gt;Longe é um lugar que eu não sei chegar.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E nem quero: a solidão só deve ser compartilhada uma vez. Depois vira outra coisa.&lt;br /&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/3878926-108603607184398714?l=recheiodeque.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3878926/posts/default/108603607184398714'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3878926/posts/default/108603607184398714'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://recheiodeque.blogspot.com/2004/05/vida-em-2-minutos-aquele-dia-em-que-eu.html' title=''/><author><name>Fernanda</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://bp0.blogger.com/_G7QdkBA8xiw/R_90yIdj-FI/AAAAAAAAAN4/I_yd7X61TQE/S220/Blusa+Florezinhas+PB++Lateral.JPG'/></author></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-3878926.post-108529270523562725</id><published>2004-05-23T03:06:00.000-03:00</published><updated>2004-09-04T16:59:16.460-03:00</updated><title type='text'></title><content type='html'>&lt;br&gt;&lt;br&gt;&lt;b&gt;Gravidade&lt;/b&gt;&lt;br&gt;&lt;br /&gt;A gestação da liberdade me tomba. Me leva ao chão, nariz e dentes, sem mãos espalmadas, de vontade de estar longe.&lt;br /&gt;&lt;br&gt;Acho que os limites são ilusão da minha cabeça submissa, meu cérebro lavado por seus músculos da face contraídos, voz firme e hipocrisia vestida elegantemente com máscara de porcelana e meia importada. Todas gotas engrossando a correnteza que me traz de volta ao ponto de origem. Justamente onde começou essa circunferência. A água lava embora todo o grafite que meu compasso rabiscou. Eu mais uma vez refém da minha constituição fisiológica. Meus tecidos me reprovam, meus movimentos respiratórios me censuram. Metade da minha genética toda armada-e-apontada. Inocula peçonha sem antídoto por trás desses olhos que aprenderam que não chorar é sempre mais digno. Porque é preciso manter a honra de fortaleza, a fama que me empenhei em construir esses anos todos. (Alguma coisa pra deixar de herança pra esses meninos, os tempos andam tão difíceis.) Tijolo após tijolo, os muros altos, as fechaduras sem chaves. Mas uma incrível vista para o mar. Não sei de onde tirei tudo isso: mulher não chora.&lt;br /&gt;&lt;br&gt;Tarde demais. Um estrondo se aproximou e ele se esvaiu em gestos mecânicos. Escorreu por entre meus dedos e não sobrou nem mesmo um milímetro de mim que não estivesse instantaneamente procurando por ele. Dentro dos armários, no ralo da pia, no visor do telefone. Qualquer superfície palpável. Mas nada. O mundo inteiro sem textura. Ele longe: cabeça, tronco e membros. O resto do meu sorvete derretendo, se desfigurando, sem gosto e sem sentido. A metade do meu bolo de chocolate ainda intacta. Cheia de pena e carinho perdido. Foram pro lixo.&lt;br /&gt;&lt;br&gt;Não, eu não tenho pressa. Eu tenho um velocímetro estagnado em 60 aqui dentro. Por isso ultrapasso o permitido. Por isso saio atropelando as mentiras dos outros por aí. Elas andam desavisadas, de mãos dadas com fatos inegáveis (não sei mais quem é quem). Brincam de gato-mia em cima do meio fio e na faixa de pedestre. Sempre que o sinal está aberto para mim. &lt;br /&gt;&lt;br&gt;Se pudesse não estaria mais. Aqui.&lt;br /&gt;Estaria olhos sem culpa, mãos vermelhas de segurar alças de bolsas. Alguns poucos discos. E uma única fotografia de um momento que um dia julguei ser de união. Hoje já não sei mais. &lt;br /&gt;Se quero ser tudo isso mesmo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/3878926-108529270523562725?l=recheiodeque.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3878926/posts/default/108529270523562725'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3878926/posts/default/108529270523562725'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://recheiodeque.blogspot.com/2004/05/gravidade-gestao-da-liberdade-me-tomba.html' title=''/><author><name>Fernanda</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://bp0.blogger.com/_G7QdkBA8xiw/R_90yIdj-FI/AAAAAAAAAN4/I_yd7X61TQE/S220/Blusa+Florezinhas+PB++Lateral.JPG'/></author></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-3878926.post-108519371810695723</id><published>2004-05-22T00:41:00.000-03:00</published><updated>2004-09-04T16:58:08.346-03:00</updated><title type='text'></title><content type='html'>&lt;b&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Vó, te gosto tanto&lt;/b&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;que o centésimo post desta coleção esporádica de textos amadores é a sua carta ao Joaquim. Segredo: quando eu tinha uns 13 anos queria me casar com ele. Hoje já me &lt;a href="http://ubbibr.fotolog.net/amadorismo/?pid=8124750"&gt;fizeram&lt;/a&gt; esquecer do Joaquim. Ainda bem que você lembrou. Como sempre.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Joaquim,&lt;br /&gt;Acabei de ler sua Pereré pão-duro... Sempre falei tereré... Me amarro nesse seu jeito suburbano de escrever... Sou sua tiete. Provavelmente os meus antepassados tenham contribuido para a sua atual releitura de maneiras curiosas de dizer verdades antigas... Namorava eu um rapaz de outra cidade, por correspondencia, foi logo depois do pombo correio... Devo dizer que sou antiguinha. Meu tio, um portuga muito brincalhão e austero a um só tempo, certa vez, saiu-me com esta: não vá de burzeguins ao leito! Nunca soube ao pé da letra o que quis me dizer. Faltou-me coragem para escutar o que não queria ouvir... Devo dizer que sou tímida. Mas nunca esqueci a advertência... Qualquer versão se encaixava como uma luva à situação vivida na época... Não queria também dormir de touca. Certa de que meu tio querido tirara um sarro com a minha cara, casei com o namorado... Sou feliz.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Vivendo muito tempo na terra da garoa, fiquei por esse tempo por fora das coisas cariocas... E eis que surge você, atualizando o que está fora de moda mas, ainda, bem vivo na lembrança dos que o viveram... Sou coadjuvante nas suas crônicas, juntando as minhas memórias às que você tem esquecido... Encosto caras e vozes, novidades e lançamentos, modismos e cores nas suas recordações... Era criança e lia Nelson Rodrigues em "A vida como ela é", comprava a enorme revista "Grande Hotel", corria ao encontro da "Vaca leiteira" para comprar o leite espumante e o pacote de manteiga gelada e saborosa, que lá se ia apitando para chamar a freguesia, esperava toda a tarde a passagem da carrocinha amarela para comer o melhor sorvete, um na ida e outro na volta... Ela passava duas vezes em frente à nossa porta e era irresistível... Ah! e o guará, melhor refrescante não há.... E Cascadura, o Arte e Instrução (entra burro, sai ladrão), o C.Souza Marques (Cachorro Sem Matrícula). E a água de colônia Cashemere Bouquet que perfumava todos os brotinhos, e o namoro com beijo na boca, o primeiro beijo terminava com o nome sussurrado igualzinho aos beijos da rádio-novela das oito; o tempo passa, passa, a barba cresce e depois eu te faço ela, eu te faço...(cadeira de barbeiro). E o Trem da Alegria, hoje sinônimo de maracutaia, com o Heber de Boscoli, a Iara Salles e o Lamartine Babo... Tem mais, muito mais...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Você, Joaquim, atualiza a saudade... Que bom que você existe.&lt;br /&gt;Beijos no seu coração... pra ser moderninha!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/3878926-108519371810695723?l=recheiodeque.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3878926/posts/default/108519371810695723'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3878926/posts/default/108519371810695723'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://recheiodeque.blogspot.com/2004/05/v-te-gosto-tanto-que-o-centsimo-post.html' title=''/><author><name>Fernanda</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://bp0.blogger.com/_G7QdkBA8xiw/R_90yIdj-FI/AAAAAAAAAN4/I_yd7X61TQE/S220/Blusa+Florezinhas+PB++Lateral.JPG'/></author></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-3878926.post-108415069276822764</id><published>2004-05-09T21:55:00.000-03:00</published><updated>2004-05-09T22:18:38.463-03:00</updated><title type='text'></title><content type='html'>&lt;br&gt;&lt;b&gt;Sobre o intragável&lt;/b&gt;&lt;br&gt;&lt;br /&gt;- Vocês estão pensando em se mudar pra cá?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ela deixou que ele respondesse:&lt;br /&gt;- É. Mais ou menos.&lt;br /&gt;- Bom, esse apartamento aqui é bem amplo, bem arejado. Vocês queriam um andar alto, não é?&lt;br /&gt;- É. Algum lugar de onde não se ouça o barulho da rua.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O elevador chegou. Abri a porta gentilmente:&lt;br /&gt;- Décimo quarto andar.&lt;br /&gt;Eu falei, sorri.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Eu gosto desse bairro. – Ela falou, pela primeira vez, enquanto eu abria a porta. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Percebi: tinha uma luz imensa dentro de si. Mas uma luz apagada. Nada parecido com o que havia restado dela nas minhas memórias adolescentes. &lt;br /&gt;Ele sorriu pra ela. Os olhos azuis de anjo indissolúvel. Era médico, obstetra.&lt;br /&gt;Entramos os três.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Bom, aqui a gente tem uma sala ampla, piso de tábua corrida, com sinteco. Os antigos donos fizeram uma reforma enorme 3 meses antes de saberem que teriam que ir pra fora. Então o apartamento tá novo. Consertaram vazamento, infiltração, descupinizaram...&lt;br /&gt;- Tem varanda? – ele interrompeu&lt;br /&gt;- Tem, sim. Venham ver, a vista é muito boa.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E quando chegamos lá comentei, sem pensar:&lt;br /&gt;- Que bom que vocês decidiram vir olhar apartamento por aqui.&lt;br /&gt;Ela falou que&lt;br /&gt;- A gente não quer mais nada com aquela gente, aquele lugar...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Apertou os olhos. Ela engolia o choro a cada cinco passos. Ele tinha olhos e mãos pacientes, a abraçava. Era uma fortaleza. O carinho era inesgotável. Eu tive inveja, eu que me afogava nas luzes etílicas de festas frenéticas (sempre os homens errados). Mas logo lembrei-me da dor que ela sentia. Devia sentir. E a inveja dissipou-se. Sobrou a pena.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ela também se lembrava de mim:&lt;br /&gt;- Você estudou com meu irmão, não?&lt;br /&gt;- Estudei, sim. Como é que ele está?&lt;br /&gt;- Bem. Tem um escritório no centro. Família. Tudo normal. Eu lembro que ele ia almoçar bastante na sua casa no ano do vestibular.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Eu me lembrava também. Eu me lembrava do irmão dela constantemente. Mais do que deveria.&lt;br /&gt;- É verdade. Eu morava tão perto da escola. Sempre acabava indo um pessoal almoçar lá em casa.&lt;br /&gt;- E agora, você tá morando aonde?&lt;br /&gt;- Ah, bem pertinho daqui. Uns dois quarteirões.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ela me olhou abatida, emagrecida, distante. Mas continuava simpática, interessada, talvez por natureza, talvez forçosamente. O marido inspecionava os demais cômodos, enquanto ela se perdia entre nosso assunto mundano e a vista para o mar.&lt;br /&gt;- Que bom. Bem perto da corretora então.&lt;br /&gt;- É, prático, na verdade. E posso fazer tudo a pé por aqui.&lt;br /&gt;- E as pinturas? Continuam?&lt;br /&gt;- Ah. Não. Às vezes tenho vontade, rabisco uma coisa ou outra. Mas pintar mesmo... nunca mais.&lt;br /&gt;- Hum. Pena. Seus quadros eram muito bonitos, tinham muita cor, muita verdade&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Fiquei lisonjeada. Provavelmente enrubesci.&lt;br /&gt;Ela não disse mais nada. Não me perguntou se eu era casada, se pensava em me casar, por que é que não havia me casado. Nem de filhos, nem de namorado. Como perguntavam (e perguntariam) todas e quaisquer mulheres do passado que hoje em dia esbarram em mim. Achei honroso da parte dela. Memorável.&lt;br /&gt;De repente me surpreendeu novamente:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Quanto detalhe morre depois que as coisas perdem razão de ser. Eu nem me lembrava mais do barulho das ondas.&lt;br&gt;&lt;br /&gt;Procurei me ater ao som que ela remeteu:&lt;br /&gt;- É realmente o único que se ouve daqui de cima.&lt;br&gt;&lt;br /&gt;Ela me olhou de novo. Os esforços para permanecer de pé eram visíveis, quase pedia ajuda. Começou a chorar. Tive vontade de abraçá-la. Mas ele. Ele chegou depressa e o fez como ninguém poderia. Afundou-a em seu tórax comprido, era muito mais alto que ela. Me olhou por cima do ombro dela, fez um sinal negativo com a cabeça, contradizendo um sorriso sereno, discreto, um esboço de calma. Quis que eu não me preocupasse, não me impressionasse. Perguntou baixinho se ela queria ir embora. Ela disse que queria.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Escuta, a gente volta na semana que vem. Gostei muito daqui, viu?&lt;br /&gt;- Ah, que bom. Mantenham contato. Eu te dei o meu cartão?&lt;br /&gt;- Deu, sim. Obrigado. Desculpe qualquer coisa.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E ele, de repente, se desconcertou. Depois dessa frase. Desculpe qualquer coisa. Eu quis chorar também.&lt;br /&gt;- Você sabe, não é? Como a vida é complicada... – ele quase lamentou.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Eu fiz que sim:&lt;br /&gt;- Não tem nada não. Qualquer coisa me liguem.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ela virou a cabeça para se despedir de mim, esfregou os olhos vermelhos, fundos, de dor transbordante. Me disse um tchau sem som, uma despedida que eu nunca tinha visto igual.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Nunca mais soube deles.&lt;br /&gt;&lt;br&gt;E voltei a pintar.&lt;br /&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/3878926-108415069276822764?l=recheiodeque.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3878926/posts/default/108415069276822764'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3878926/posts/default/108415069276822764'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://recheiodeque.blogspot.com/2004/05/sobre-o-intragvel-vocs-esto-pensando.html' title=''/><author><name>Fernanda</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://bp0.blogger.com/_G7QdkBA8xiw/R_90yIdj-FI/AAAAAAAAAN4/I_yd7X61TQE/S220/Blusa+Florezinhas+PB++Lateral.JPG'/></author></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-3878926.post-8844719649803193289</id><published>2004-05-06T11:58:00.000-03:00</published><updated>2009-05-06T11:59:47.173-03:00</updated><title type='text'></title><content type='html'>&lt;span class="Apple-style-span" style="border-collapse: separate; color: rgb(102, 102, 102); font-family: Verdana; font-size: 10px; font-style: normal; font-variant: normal; font-weight: normal; letter-spacing: normal; line-height: normal; orphans: 2; text-align: left; text-indent: 0px; text-transform: none; white-space: normal; widows: 2; word-spacing: 0px;"&gt;Vó,&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Outro dia te vi na calçada. Você, sentada no banco de concreto virado pro mar, penteava os cabelos de mel de uma outra menina distraída. Ela brincava com os próprios dedos, se entretinha com essas coisas bobas a que as crianças costumam se ater. Mas meu carro passou rápido (não era eu no volante). Não consegui gritar. Acenar. Nada, não deu tempo. Engoli as suas duas letras exclamativas, que são mais minhas do que suas, são mais minhas que de qualquer outro neto - vó!. Olhei pra frente de novo, mas fiquei lá atrás, meus cabelos nas suas mãos, quando eu ainda não tinha tanta pressa. E você não precisava de corticóide pra controlar bronquíolos nervosos. Tudo se resumia a um momento isolado.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;As minhas intimidades sem senhas, meus sonhos todos de clara em neve. Principalmente à tarde, quando eu lambia as pontas dos dedos depois que o bolo ia pro forno. (Até hoje gosto de massa crua.) E o resto leve, o ar respirável. Sem a culpa, essa culpa pesada dos fracassos pequeninos que eu coleciono. Não fazia questão de roupa, brinquedo, boneca. Mas eu queria tanto um cachorro. E isso era insubstituível: nem peixinho de feira, nem gato de rua, nem mesmo o cãozinho da vizinha. Quando a gente é pequena tudo parece mais importante do que devia ser. Os impactos deixam cicatriz, porque somos mais vulneráveis, mais essência, mais matéria. Às vezes as circunstâncias me deixavam doente. Quando minha mãe foi pra Cuba, quando roubaram aquele nosso filhote de gato. Mas aí você me carregava pra perto, longe dos acontecimentos. Logo eu mudava de nome, de corte de cabelo e ia morar na lua. Ou dentro da piscina da sua casa. Voltava a sorrir sincero, a falar com cor e a dançar as músicas que você cantava. E que depois tocavam dentro da minha cabeça. As suas histórias viravam filmes e eu dormia com os anjos. Brinquei com todos os bichos que você já teve. Gostava muito do Jambo, aquele cavalo de crina avermelhada, que seu pai tinha. Subi nele várias vezes, enquanto você não estava olhando. Também vesti aquela fantasia que você colocou escondida. Que seu pai te fez tirar, te fez chorar. Peguei emprestado o seu dinheiro pro picolé e comprei um pra mim também. Me lembro do seu professor de história, aquele que fazia perguntas e batia com a régua na mesa o número correspondente ao seu número na chamada. Te diziam: “quarenta, zero, senta”.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Depois veio a minha mãe, depois o meu tio, depois eu. Depois todas as minhas fantasias de carnaval, o dia em que eu aprendi a andar de bicicleta, as amoras que eu comia no pé, as jabuticabas, o jamelão, a minha roupa de festa junina, as nossas viagens pra serra, o meu vestido de 15 anos, o dinheirinho pro meu próprio carro. As suas rabanadas todo fim de ano.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Me lembro de tanta, tanta coisa. Mas agora o que eu faço com tudo isso? que me compõe, descompõe e me deixa desafinada. Às vezes deixo criar mofo, às vezes conto em voz alta, pra alguém que ainda não existe. Mas acho que um dia.&lt;br /&gt;Ainda vou fazer um filme.&lt;br /&gt;Sobre todas essas minúcias que a gente vivia.&lt;/span&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/3878926-8844719649803193289?l=recheiodeque.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3878926/posts/default/8844719649803193289'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3878926/posts/default/8844719649803193289'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://recheiodeque.blogspot.com/2004/05/vo-outro-dia-te-vi-na-calcada.html' title=''/><author><name>Fernanda</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://bp0.blogger.com/_G7QdkBA8xiw/R_90yIdj-FI/AAAAAAAAAN4/I_yd7X61TQE/S220/Blusa+Florezinhas+PB++Lateral.JPG'/></author></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-3878926.post-108303367822730594</id><published>2004-04-27T00:41:00.000-03:00</published><updated>2004-09-04T16:59:52.830-03:00</updated><title type='text'></title><content type='html'>&lt;br&gt;[O texto abaixo é translúcido, reflete nos outros que já foram aqui postados. E pela primeira vez em todo esse tempo não é meu. É do meu tio, irmão da minha mãe. A genética faz estardalhaços na minha frente de quando em quando. Ele (o autor) sempre querido, imerso em lembrança e carinho. Meu tio Arthur.]&lt;br /&gt;&lt;br&gt;&lt;b&gt;A luz vem sempre do céu&lt;/b&gt;&lt;br&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Chovia o suficiente para turvar a visão. No banco de trás do automóvel, o passageiro, sozinho, em terra estranha, foi levado a divagar. Perdido em pensamentos, se encontrava. O barulhinho da chuva, pipocando no vidro, o transportou para a infância. O menino embevecido, no silêncio da noite, com o brilho da lua. A fascinação pelas estrelas. Aqueles pontinhos de luz que agarravam  seu olhar. Passou o resto da vida mirando o céu. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O som estridente da buzina o trouxe de volta ao presente. Dentre em breve, receberia o merecido reconhecimento. Por alguns momentos, o cientista, cuja existência fora marcada pelo estudo dos corpos celestes, seria o astro. Nem em parte era orgulho, tomado que estava pela tensão. Resolvera aproveitar o foco dos holofotes para revelar ao mundo um grande segredo. Ninguém mais o sabia. Não o compartilhara sequer com o mais próximo dos colaboradores. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Desde pequeno revelara talento para as coisas do firmamento. Todas as sofridas etapas, necessárias à formação de um astrônomo de renome, foram vencidas por sua absoluta dedicação. Hoje era, de todos, o mais respeitado. Não teve filhos. Fez apenas da ciência sua eterna companheira. O observatório era seu lar. Encarava a solidão, resignado, pois, a cada êxito profissional, encontrava a compensação.  &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Foi o som do rádio que, desta vez, o despertou. A fala ininteligível o levou a tatear o bolso. O discurso, cuidadosamente escrito, estava lá. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Demorou a se convencer da validade científica de sua descoberta. Testou exaustivamente o resultado da pesquisa. Os asteróides sempre o encantaram. Corpos errantes que passeavam pelo espaço. Talvez com eles se identificasse. Afinal, sempre vagou pela vida, alheio às órbitas estabelecidas. Diferentemente dos outros meninos, as estrelas eram sua única brincadeira. Enquanto os rapazes namoravam ao luar, ele  se enamorava da lua. Mas foi pelos asteróides que se apaixonou. De muitos se suspeitou que pudessem  ameaçar a Terra. Só ele, contudo, vislumbrou a ameaça verdadeira. O choque com o nosso planeta era inexorável. Sempre o intrigara por que estaria tal asteróide sendo atraído em nossa direção. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O pedinte, batendo no vidro, o afastou dos devaneios. Vivenciou uma infância pobre. Infelizmente, comum no chamado Terceiro Mundo. Conhecia, por experiência própria, o que era viver na escassez. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Senhoras e senhores, o prêmio da União Internacional Astronômica é concedido ao mais importante astrônomo da atualidade.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt; O discurso foi esquecido no paletó. Não pronunciou qualquer palavra de agradecimento. Queria mesmo causar impacto. A medida em que falava, a platéia retribuía com absoluto silêncio. Até se ouvia o ruído das câmeras de televisão. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Não é apenas mais um asteróide. Este vem mesmo em nossa direção. Pelo tamanho, não há como destruí-lo. Nosso planeta explodirá em cacos.  Da humanidade, nada restará. Algo o traz ao nosso encontro, com uma força avassaladora, que o afasta de sua rota original. Pelos meus cálculos, estimo cerca de um ano até o fim dos tempos. Não foi difícil descobrir a origem da força atrativa, quando constatei que provinha, predominantemente, do continente africano. Senhoras e senhores, me envergonha dizê-lo, mas é a fome que pode provocar a extinção da humanidade. A força que atrai o asteróide é gerada pelos milhões de corpos, permanentes famintos, que habitam nosso planeta. Nesta revelação coloco em jogo toda a credibilidade científica que este prêmio ratifica. Só eliminando esta energia destrutiva poderemos afastar o perigo que nos ameaça. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Demorou até que os flashes começassem a espocar. Enquanto isto, o velho cientista encarava, pela última vez, a platéia. A passos lentos deixou o palco. Olhares atônitos o seguiam. Cumprira sua missão. Para a humanidade, a partir de então, solidariedade passou a  significar sobrevivência.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/3878926-108303367822730594?l=recheiodeque.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3878926/posts/default/108303367822730594'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3878926/posts/default/108303367822730594'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://recheiodeque.blogspot.com/2004/04/o-texto-abaixo-translcido-reflete-nos.html' title=''/><author><name>Fernanda</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://bp0.blogger.com/_G7QdkBA8xiw/R_90yIdj-FI/AAAAAAAAAN4/I_yd7X61TQE/S220/Blusa+Florezinhas+PB++Lateral.JPG'/></author></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-3878926.post-108178970542939581</id><published>2004-04-12T14:08:00.000-03:00</published><updated>2004-04-12T14:13:46.076-03:00</updated><title type='text'></title><content type='html'>(esse aqui é um inédito que escrevi pra edição da &lt;a href="http://www.fulanaebeltrana.blogger.com.br"&gt;Rosana&lt;/a&gt; lá no &lt;a href="http://www.blogautores.blogger.com.br"&gt;Blog Autores&lt;/a&gt; mas, só pra que&lt;a href="http://www.recheiodeque.blogspot.com"&gt; esse blog &lt;/a&gt;não fique tão desfalcado por &lt;a href="http://www.blogautores.blogger.com.b"r&gt;aquele&lt;/a&gt;, esse texto vai morar aqui também)&lt;br&gt;&lt;br /&gt;&lt;br&gt;&lt;b&gt;Miose&lt;/b&gt;&lt;br&gt;&lt;br /&gt;Aqui dentro tudo é luz. Desfiles automáticos de rostos destacados. Tudo o que a maquiagem é capaz de fazer. Sorrisos alinhados, olhos hidratados, bochechas saudáveis. Garrafinhas d’água sempre a postos. Atrás da cortina impera a pressa. Eu ouço choro, riso, elogio e ouço briga. Vida em excesso. Tudo em menos de um minuto. Depois (silêncio) elas sobem e caminham, algumas marcham, outras flutuam. Um quê mecanizado, sem sexo, sem poder de escolha. A definição em movimento de tudo aquilo que é blasé. Às vezes cabides, meramente. Mas não de plástico. Dessa vez não há mais plástico; há somente o pó dourado espalhado sob todos os seus poros. Reluzem sem precisar de sorriso, palavra ou movimento. A não ser o reflexo da marcha, aquele que nos acompanha já ao nascimento.&lt;br /&gt;&lt;br&gt;Brilham as danadas, vaga-lumes sem-sal. Gloss e glitter em quantidades profissionalmente calculadas. A inexpressividade fica toda submersa sob as cores, os tons, as dezenas (centenas?) de luminárias pendurados no teto. A claridade incomoda a platéia. Que acha tudo aquilo muito estranho e muito belo.&lt;br /&gt;&lt;br&gt;Nada é ridículo, impossível, inverossímil. Porque a ousadia está de acordo com a inovação. E qualquer combinação se torna plausível entre a intensidade da luz e do som. Sim, a música também. Sempre cheia de matizes que não foram previstas. O gênero faz questão de ser indeterminado, algo entre o jazz, a eletrobossa e o db. Alguma coisa poderosa, delimitada, que impulsione os corpinhos frágeis lentes fotográficas adentro.&lt;br /&gt;&lt;br&gt;Os flashes estrategicamente posicionados. São a linha de chegada, a recompensa final. Mas os piscas brancos, metálicos, histéricos, não conseguem se tornar predominantes. Não ofuscam o arsenal de luzes cor-da-pele que vêm dos focos de carne-e-osso. Os rostos realçados. Exóticos, poucas vezes belos. (Devem chamar menos atenção do que a vestimenta.) Mas emanando algum elemento químico inexplicável, que talvez só possa mesmo existir ali, na situação específica, sob olhares distintos. Olhares de críticos, de fãs, de reles curiosos. Olhares de quem parece ter ganho um ingresso e não estar minimamente satisfeito de estar. Ali. Algumas testas franzidas, pupilas contraídas: reflexos praticamente involuntários contra a luminosidade abundante.&lt;br /&gt;&lt;br&gt;A cor, a cor. Intensamente intraduzível. Um pouco de mico-leão, uma coleção de moedas recém-produzidas e um saxofone bem lustrado. Misturas. De estilos, raças e nuances. Mas nada insensato.&lt;br /&gt;&lt;br&gt;Depois dali, uma refeição – a primeira de um dia regado a comprimidos e cigarros. Apenas salada e um miúdo filé de peixe. &lt;br /&gt;Dourado, elas pedem.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/3878926-108178970542939581?l=recheiodeque.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3878926/posts/default/108178970542939581'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3878926/posts/default/108178970542939581'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://recheiodeque.blogspot.com/2004/04/esse-aqui-um-indito-que-escrevi-pra.html' title=''/><author><name>Fernanda</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://bp0.blogger.com/_G7QdkBA8xiw/R_90yIdj-FI/AAAAAAAAAN4/I_yd7X61TQE/S220/Blusa+Florezinhas+PB++Lateral.JPG'/></author></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-3878926.post-107923561166767290</id><published>2004-03-14T00:40:00.000-03:00</published><updated>2004-03-14T00:43:20.403-03:00</updated><title type='text'></title><content type='html'>&lt;br&gt;&lt;b&gt;O dia em que estourei seus egos como bolhas de sabão&lt;/b&gt;&lt;br&gt;&lt;br /&gt;Foi só então que descobri como seu assoalho é frágil, todo estruturado em papel maché. Dissolve em água. Ou em palavras duras como foram as minhas.&lt;br /&gt;Suas epidermes parecem precisar de polimento todos os dias para a reafirmação da sua (não tão) óbvia barreira de superioridade. Ou então perdem o brilho, tornam-se ressecadas, quebradiças. Nós aqui e você aí, filha. Não misture as coisas.&lt;br /&gt;Até o dia em que levei uma agulha que, pronto, bastou. Provou que vocês não são feitos de aço. São cristal fajuto, contrabandeado, comprado no mercado do Saara. Estilhacei-os com um único sopro. Vocês se apagaram todos.&lt;br /&gt;(Ah, a vaidade.)&lt;br /&gt;&lt;br&gt;A partir dali tornaram-se bichos. Mostraram unhas e dentes e a pele ferida. Com as marcas da minha faca descartável de festa infantil. Viraram vítimas, todos vítimas, pobres coitados, das minhas argumentações fundamentadas – que levei um ano para fundamentar. Choraram lágrimas peçonhentas e me apontaram o indicador em riste. Alegavam mágoa. Decepção.&lt;br /&gt;Não foram suficientemente fortes contra minhas contestações. Forte como eu tive de ser diante de sua ausência de critérios, de seu pedantismo desmedido, de suas medidas ditatoriais. Engoli o choro e tudo mais o que me vinha à garganta em seu campo de concentração. Fazia tudo menos a massagem diária em seus egos. Nunca consegui.&lt;br /&gt;&lt;br&gt;Um dia fugi. Cansei. Disse-lhes o que ninguém havia sido capaz de. E vocês, agora. Coitados.&lt;br /&gt;Não existem mais. São apenas espuma e água, escorrendo pelos cantos. &lt;br /&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/3878926-107923561166767290?l=recheiodeque.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3878926/posts/default/107923561166767290'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3878926/posts/default/107923561166767290'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://recheiodeque.blogspot.com/2004/03/o-dia-em-que-estourei-seus-egos-como.html' title=''/><author><name>Fernanda</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://bp0.blogger.com/_G7QdkBA8xiw/R_90yIdj-FI/AAAAAAAAAN4/I_yd7X61TQE/S220/Blusa+Florezinhas+PB++Lateral.JPG'/></author></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-3878926.post-107923553082272911</id><published>2004-03-14T00:38:00.000-03:00</published><updated>2004-03-14T00:41:59.560-03:00</updated><title type='text'></title><content type='html'>tá vazio isso aqui&lt;br /&gt;mas ainda existe&lt;br /&gt;às vezes penso que vai sempre existir&lt;br /&gt;mesmo sem.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/3878926-107923553082272911?l=recheiodeque.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3878926/posts/default/107923553082272911'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3878926/posts/default/107923553082272911'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://recheiodeque.blogspot.com/2004/03/t-vazio-isso-aqui-mas-ainda-existe-s.html' title=''/><author><name>Fernanda</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://bp0.blogger.com/_G7QdkBA8xiw/R_90yIdj-FI/AAAAAAAAAN4/I_yd7X61TQE/S220/Blusa+Florezinhas+PB++Lateral.JPG'/></author></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-3878926.post-107568703444026586</id><published>2004-02-01T23:57:00.000-02:00</published><updated>2004-02-01T23:59:28.403-02:00</updated><title type='text'></title><content type='html'>&lt;br&gt;&lt;b&gt;Choque Térmico&lt;/b&gt;&lt;br&gt;&lt;br /&gt;Sim, o morno, o frio, as roupas tentando proteger. Orelhas e narizes formigam, quase em chamas, evoluindo para desintegração inevitável. O tecido sem oxigênio. Ameaça morrer.&lt;br /&gt;Penso nisso todos os dias.&lt;br /&gt;&lt;br&gt;Uma camada espessa de matéria intransponível entre nossos poros. Matéria indizível, recém inventada. Gelo que se distribui uniformemente ao longo do suco. Não flutua, não afunda. Fica suspenso entre céu e inferno. Lugares que, eu sei, não existem mais. &lt;br /&gt;&lt;br&gt;Nossa religião não permite.&lt;br /&gt;&lt;br&gt;Ela tem a pele quente do verão gingado. Emana luz entre sorrisos. Raios inevitáveis em diferentes direções. Mas a claridade o incomoda e ele, sem óculos escuros – acessório indispensável na cidade purgatório – franze por dentro. Enruga os olhos e deixa que o restaurante barulhento lhe sugue as expressões. Todas as bocas profanas agora contêm canudos. Ele perde força e existência. Quase desfalece. Automatiza os próprios sentidos e as palavras de despedida. Que saem monotônicas, mecanizadas, praticamente digitais. Doeram de ouvir. Mas ela não ouviu. Acredita ter adquirido novamente a propriedade de posse sobre a própria abstração. Comprou-a de volta. E diariamente, antes de dormir, tenta convencer-se sobre as maravilhas do livre arbítrio. Mas é hipócrita como todas as outras. Chora sempre que cai. Em si.&lt;br /&gt;&lt;br&gt;O tempo os enganou. Tangenciou de leve a sétima arte e os tornou espectadores da própria história. A vida imita a própria vida: um plágio após o outro. E o vazio entre eles, ela sente. Sente pérfuro-cortantes no fígado à noite. (Ainda mais porque sabe disso: não existe dor hepática.) Ele nega, cega. Não enxerga nada mais com os olhos vermelhos de cansaço auto-denominado.&lt;br /&gt;&lt;br&gt;Paris é lugar para pares. Mas ela vai sozinha. E ele também.&lt;br /&gt;&lt;br&gt;Talvez seja suficiente.&lt;br /&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/3878926-107568703444026586?l=recheiodeque.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3878926/posts/default/107568703444026586'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3878926/posts/default/107568703444026586'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://recheiodeque.blogspot.com/2004/02/choque-trmico-sim-o-morno-o-frio-as.html' title=''/><author><name>Fernanda</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://bp0.blogger.com/_G7QdkBA8xiw/R_90yIdj-FI/AAAAAAAAAN4/I_yd7X61TQE/S220/Blusa+Florezinhas+PB++Lateral.JPG'/></author></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-3878926.post-107509117869954624</id><published>2004-01-26T02:26:00.000-02:00</published><updated>2004-01-26T02:28:23.966-02:00</updated><title type='text'></title><content type='html'>&lt;br&gt;&lt;br&gt;&lt;b&gt;Conversa de elevador&lt;/b&gt;&lt;br&gt;&lt;br /&gt;Virou e me disse que sou muito madura. Assim, como quem descasca fruta passada. Sem me olhar nos olhos, sem pensar direito nas conseqüências, nos impactos. Você é muito madura. Um carimbo pesado, as palavras na minha testa. Depois mudou a conversa. De novo, sem pensar. Como quem muda o canal de madrugada. Continuei ali, no assunto antigo, na frase cuspida, meus pés grudados no chão, a cidade inteira me escondendo. Eu atrás de novela, posição política, violência urbana e, finalmente, o tempo. Tentando discursar sobre tudo e mais aromaterapia pra tentar me esquecer da palavra. Madura. Ainda não esqueci. Mas aí veio uma boa estratégia. Fico mais calma quando falam de tempo. É assunto descompromissado, despretencioso. Nem por isso falso. Quer dizer: ainda estou aqui, você pode me chamar pra te ajudar com o extintor caso a sua casa pegue fogo. Ou ao menos gritar chame o bombeiro. Eu chamo. &lt;br /&gt;&lt;br&gt;Deu sol pra amanhã. Nebulosidade variável. Pancadas de chuva à tarde. &lt;br /&gt;Nada disso pode ser qualificado como específico. E é por isso que eu gosto tanto.&lt;br /&gt;&lt;br&gt;- Amanhã vai dar praia.&lt;br /&gt;- Ah, vai.&lt;br /&gt;&lt;br&gt;E chegou no meu andar.&lt;br /&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/3878926-107509117869954624?l=recheiodeque.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3878926/posts/default/107509117869954624'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3878926/posts/default/107509117869954624'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://recheiodeque.blogspot.com/2004/01/conversa-de-elevador-virou-e-me-disse.html' title=''/><author><name>Fernanda</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://bp0.blogger.com/_G7QdkBA8xiw/R_90yIdj-FI/AAAAAAAAAN4/I_yd7X61TQE/S220/Blusa+Florezinhas+PB++Lateral.JPG'/></author></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-3878926.post-107393616315922185</id><published>2004-01-12T17:36:00.000-02:00</published><updated>2004-01-12T21:29:05.530-02:00</updated><title type='text'></title><content type='html'>&lt;br&gt;&lt;br&gt;&lt;b&gt;Verdades&lt;/b&gt;&lt;br&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Pai, me ajuda a colorir isso aqui?&lt;br /&gt;- Colorir o que, filho? – falou automaticamente, sem desviar os olhos do jornal.&lt;br /&gt;- Isso aqui. A tia pediu.&lt;br /&gt;E então descansou o jornal no colo e virou-se para o menino. Observou rapidamente o desenho. Contornos em preto e branco a serem preenchidos.&lt;br /&gt;- Papai não sabe colorir direito, filho. Sua mãe é melhor pra essas coisas.&lt;br /&gt;- Mamãe está dormindo.&lt;br /&gt;O pai continuou a leitura matinal. O pequeno insistiu:&lt;br /&gt;- Lá no seu trabalho... não tem que colorir?&lt;br /&gt;Tentou conter o riso para não dispersar a seriedade da pergunta.&lt;br /&gt;- Não, filho. Só criança colore.&lt;br /&gt;- Pai, você já foi criança, não foi?&lt;br /&gt;Ele entendeu. Garoto esperto. Venceu.&lt;br /&gt;- Está bem, vamos colorir então.&lt;br /&gt;Levantou-se da poltrona e os dois sentaram-se à mesa do escritório. O filho trouxe uma lata achatada, retangular, repleta de cores em lápis cuidadosamente apontados. Certamente não por ele.&lt;br /&gt;- Você fica com essa parte que eu fico com essa aqui.&lt;br /&gt;O desenho era grande, ocupava a folha A4 inteira. Os dois escolheram suas cores. As do homem neutras, pastéis, seguras. Cinza, preto, bege. As do menino fortes, intensas, ousadas. Cheias de estímulo visual. Vermelho, verde, magenta.&lt;br /&gt;O filho canhoto, o pai destro. Nunca se esbarravam.&lt;br /&gt;- Pra quando é esse desenho?&lt;br /&gt;- Pra quando??&lt;br /&gt;- Quando você tem que entregar ele à professora?&lt;br /&gt;- Ah. Não sei. Ela não disse o dia.&lt;br /&gt;O pai achou graça naquela ausência de prazos. Que só existe em tempos onde quase nada é obrigatório. Tudo era uma questão de impulsos vitais. Depois deduziu que o menino tinha senso de responsabilidade: não precisava da pressão de um ultimato para reconhecer seus deveres. Ficou orgulhoso. &lt;br /&gt;Resolveu pedir opinião.&lt;br /&gt;- Que tal esse cavalo, filho?&lt;br /&gt;Crianças são automaticamente sinceras. Não aprenderam a medir conseqüências. Não foram ainda moldadas pela sutileza das inúmeras possibilidades do tratamento humano. Sentem e rebatem, como parede de quadra de tênis. &lt;br /&gt;Não existem críticos de arte confiáveis. Existem crianças:&lt;br /&gt;- Parece morto.&lt;br /&gt;O pai se decepcionou consigo:&lt;br /&gt;- Morto?!&lt;br /&gt;Tinha colorido com cuidado, com dedicação. Mas, principalmente, com verossimilhança. Cavalo marrom, olhos pretos, crina preta. Talvez tenha sido isso.&lt;br /&gt;- Morto. Parece que morreu assim, em pé.&lt;br /&gt;O pai queria perguntar se o eqüino ao menos teria morrido feliz. Mas considerou que tal conceito ainda não havia sido introduzido. Achou que confundiria o menino. Adultos sempre supõem que as crianças sabem menos do que eles. &lt;br /&gt;Descobriu, então, o que perguntar.&lt;br /&gt;- Foi pro céu?&lt;br /&gt;O menino olhou o animal com atenção. Pensou e rebateu novamente:&lt;br /&gt;- Acho que sim.&lt;br /&gt;E sorriu. O pai sorriu de volta e continuaram a colorir em silêncio. &lt;br /&gt;O morto e o vivo.&lt;br /&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/3878926-107393616315922185?l=recheiodeque.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3878926/posts/default/107393616315922185'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3878926/posts/default/107393616315922185'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://recheiodeque.blogspot.com/2004/01/verdades-pai-me-ajuda-colorir-isso.html' title=''/><author><name>Fernanda</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://bp0.blogger.com/_G7QdkBA8xiw/R_90yIdj-FI/AAAAAAAAAN4/I_yd7X61TQE/S220/Blusa+Florezinhas+PB++Lateral.JPG'/></author></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-3878926.post-107316892848321062</id><published>2004-01-03T20:28:00.000-02:00</published><updated>2004-01-03T22:31:37.013-02:00</updated><title type='text'></title><content type='html'>&lt;br&gt;&lt;b&gt;Eu e o Joaquim Ferreira dos Santos&lt;/b&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Promoção definitiva: vá da Barra ao Leblon e ganhe a Niemeyer de brinde. Aproveite as curvas para reparar: o sol forma pontinhos luminosos no mar, quando a onda levanta, entuba, espuma e cai. Completando seu ciclo vital: nascer, crescer, se multiplicar. Morrer. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O Municipal vigia as formigas apressadas da Cinelândia. Depois deixa-se observar com toda sua permissividade majestosa. Todo dia, depois do almoço, ele dorme sob o sol castigador das duas horas. Sempre lhe pego cochilando quando subo as escadas do metrô e olho pra cima. O céu encontra a estátua que, daqui a pouco, avisa ao Teatro. Que eu cheguei. Mas ele não acorda, nem se importa: dorme pesado, acostumado. Com o calor estacionado bem ali, entre os arranha-céus. As barraquinhas de água de coco invadem as esquinas da Rio Branco e tentam todas as raças, credos, idades e posições hierárquicas das formigas que por ali passam, todas em chamas. A pele gruda no tecido interno da calça, os cabelos se colam na testa e as moedas esquecidas no bolso esquentam além do que deveriam; ameaçam derreter.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Pedestres atravessam a todo custo. Mandam e desmandam na Evaristo, que se torna desarmada de seu arsenal de ônibus e vans. Entre os becos se escondem restaurantes encantadores, barracas de churros, cookies, cachorro quente e churrasco de gato. Não diga que nunca experimentou.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Variar os caminhos da volta é um truque adquirido. Talvez a orla para rever o que já se sabe. Talvez a Copacabana interna, mais calma, menos transgressora, até chegar ao Corte: a curva é engraçada e incômoda de manipular. Talvez a Lagoa, com a poluição esquecida, submersa entre os suspiros de quem admira com vontade. Talvez o Jardim Botânico, estreito e discreto, correndo paralelo aos automóveis. Corre o risco de passar despercebido. &lt;br /&gt;Talvez o Cosme Velho e o charme sobre ladeiras. Os jovens e as senhoras do Largo do Machado: os jovens alternam conversas alegres com sorvetes de casquinha. As senhoras acendem as velas da igreja e oram. Nos tornamos fiéis fervorosos por três segundos. &lt;br /&gt;Depois veio o hábito de descobrir detalhes graduais: o Museu de Arte Naiif, a embaixada da Romênia, o Largo do boticário. Tesouros sem valor estimado. Sentir-se pirata do próprio oceano.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;As palmeiras longilíneas, sempre em forma, passam devagar pelos carros que saltam, engarrafados, nervosos. De um lado elas, de outro o Jockey. Protegido pelo longo muro pichado, rendido nem tanto ao vandalismo, nem tanto aos grafiteiros. Mas simplesmente rendido. Vulnerável e cego aos impulsos externos. Às mãos alheias.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Tudo é bossa inesgotável. Uma bossa de curvas e fios dourados, tingidos por malícia e sinceridade alternadas. Bossa cheia de carne e cheia de alma. Completa por si só. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Carimbando a cidade que, mesmo cinza, paisagens-desgastadas e praias-vazias, é um festival de degustação universal.&lt;br /&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/3878926-107316892848321062?l=recheiodeque.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3878926/posts/default/107316892848321062'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3878926/posts/default/107316892848321062'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://recheiodeque.blogspot.com/2004/01/eu-e-o-joaquim-ferreira-dos-santos.html' title=''/><author><name>Fernanda</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://bp0.blogger.com/_G7QdkBA8xiw/R_90yIdj-FI/AAAAAAAAAN4/I_yd7X61TQE/S220/Blusa+Florezinhas+PB++Lateral.JPG'/></author></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-3878926.post-107267041068521335</id><published>2003-12-29T02:00:00.000-02:00</published><updated>2003-12-29T02:01:39.390-02:00</updated><title type='text'></title><content type='html'>&lt;br&gt;&lt;b&gt;Sobre o irremediável&lt;/b&gt;&lt;br&gt;&lt;br /&gt;A impotência é uma centopéia que desfila em todos os meus centímetros imperfeitos. É uma bebida vermelha e opaca, cheia de luxúria disfarçada. Seu gosto é questionável e, ainda assim, é ela quem me aprecia com moderação. Engulo-a de uma só vez, como xarope para gripe, e ela ateia fogo na garganta e depois, lentamente, nas vísceras intactas. &lt;br /&gt;&lt;br&gt;O meu descuido se reproduz em progressão geométrica. Produz cicatrizes precoces em presentes de natal, derrota minhas próprias tentativas de progredir e esfacela um continente inteiro. Me resta apenas ela, a impotência. Sempre escondida atrás das cortinas enquanto tento me degladiar com um ser agonizante numa maca de metal. O médico vira-se para os pais do jovem e diz: nós fizemos o máximo que pudemos. O irremediável venceu novamente. E talvez seja, de fato, pior para quem fica.&lt;br /&gt;&lt;br&gt;As discussões sócio-políticas à mesa de jantar, configurando um verdadeiro debate de mentes supostamente cultas, não se iluda: serão sempre apenas discussões sócio-políticas à mesa de jantar. Assim, sem artigo definido precedente. Porque não se diferenciam umas das outras, apenas repetem-se ano após ano. São vagas, ridiculamente vagas. Um bombardeio de estatísticas econômicas, uma hemorragia de informações redundantes. Um exibicionismo despropositado de dados reciclados por bocas burguesas que alimentam-se devidamente. A mesa é farta, a carne é fraca e o resto todo é de um pedantismo nauseante. &lt;br /&gt;&lt;br&gt;Porque o continente continua sangrando, aidético e faminto. Enquanto comemos variedades de saladas, assistimos ao filme do momento e abortamos acidentes de percurso. É aqui que nos tornamos esvaziados pelo nosso próprio discurso. Estamos desarmados de nossa própria argumentação.&lt;br /&gt;&lt;br&gt;Mas não se sinta paralítico, não tenha medo de mim. &lt;br /&gt;Tenha raiva. Tenha ódio. Tenha a sede do absurdo. Porque é nela que mora o antídoto. A vacina contra a impotência. Essa desculpa que criamos para a redenção do nosso próprio fracasso.&lt;br /&gt;A impotência é uma ilusão, não existe.&lt;br /&gt;É apenas mais um doce eufemismo.&lt;br /&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/3878926-107267041068521335?l=recheiodeque.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3878926/posts/default/107267041068521335'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3878926/posts/default/107267041068521335'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://recheiodeque.blogspot.com/2003/12/sobre-o-irremedivel-impotncia-uma.html' title=''/><author><name>Fernanda</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://bp0.blogger.com/_G7QdkBA8xiw/R_90yIdj-FI/AAAAAAAAAN4/I_yd7X61TQE/S220/Blusa+Florezinhas+PB++Lateral.JPG'/></author></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-3878926.post-107258543712379093</id><published>2003-12-28T02:23:00.000-02:00</published><updated>2003-12-28T02:30:19.390-02:00</updated><title type='text'></title><content type='html'>&lt;br&gt;&lt;b&gt;A razão&lt;/b&gt;&lt;br&gt;&lt;br /&gt;- Um dia ele me disse que quer comprar um veleiro.&lt;br /&gt;- Um veleiro? Ele?&lt;br /&gt;- É, um veleiro. Qual o problema?&lt;br /&gt;- Ele não é o tipo de pessoa que vai ter um veleiro.&lt;br /&gt;- Por que não?&lt;br /&gt;- Fê. Pelo amor de deus. &lt;br /&gt;- Você prevê o futuro por acaso? Como você pode saber?&lt;br /&gt;- Ninguém precisa ser vidente pra saber que ele não vai ter um veleiro.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Realmente, ele não vai. De repente compreendi. Uma pena.&lt;br /&gt;Agora não consigo atendê-lo toda vez que ele telefona. Não consigo mais ouvir a sua voz. Porque ele quer, mas não vai. &lt;br /&gt;Ele é desse tipo.&lt;br /&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/3878926-107258543712379093?l=recheiodeque.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3878926/posts/default/107258543712379093'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3878926/posts/default/107258543712379093'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://recheiodeque.blogspot.com/2003/12/razo-um-dia-ele-me-disse-que-quer.html' title=''/><author><name>Fernanda</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://bp0.blogger.com/_G7QdkBA8xiw/R_90yIdj-FI/AAAAAAAAAN4/I_yd7X61TQE/S220/Blusa+Florezinhas+PB++Lateral.JPG'/></author></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-3878926.post-107242016531276183</id><published>2003-12-26T04:29:00.000-02:00</published><updated>2003-12-26T04:30:49.890-02:00</updated><title type='text'></title><content type='html'>&lt;BR&gt;&lt;BR&gt;&lt;b&gt;Auto-retrato&lt;/b&gt;&lt;br&gt;&lt;br /&gt;Minha composição é incompleta. Há delicadeza, há vividez. Mas falta o essencial. Não há fluidez. Há expressão, há humor e, por vezes, há luz. Não há homogeneidade e, principalmente, não há especiarias. Cravo da índia, canela, pimenta do reino. Provei-as em cabines diversas, mas simplesmente não se encaixam. Não são mais fabricadas para meu tamanho.&lt;br&gt;&lt;br /&gt;Minha beleza é assimétrica, não começa nem termina. Fica suspensa num limbo entre o grotesco e o sublime. Depende de variáveis infinitas que não traduzem aritmética alguma. Pelo contrário, apenas configuram redemoinhos caóticos de informação visual.&lt;br&gt;&lt;br /&gt;Minhas fotografias me revelam inacabada. Como uma oração sem predicado, despropositadamente adequada a um conjunto ilustre de palavras. Meus detalhes todos desorganizados. Arrastados e afastados por um vendaval de origem obscura.&lt;br&gt;&lt;br /&gt;Gostaria de ser um impressionismo. Mas não posso, sou arte moderna, presa numa dimensão de tempo onde qualquer borrão pode ser julgado e todos são convidados a participar dos meus nuances. &lt;br /&gt;Exceto eu.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/3878926-107242016531276183?l=recheiodeque.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3878926/posts/default/107242016531276183'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3878926/posts/default/107242016531276183'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://recheiodeque.blogspot.com/2003/12/auto-retrato-minha-composio-incompleta.html' title=''/><author><name>Fernanda</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://bp0.blogger.com/_G7QdkBA8xiw/R_90yIdj-FI/AAAAAAAAAN4/I_yd7X61TQE/S220/Blusa+Florezinhas+PB++Lateral.JPG'/></author></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-3878926.post-107185238859459509</id><published>2003-12-19T14:46:00.000-02:00</published><updated>2003-12-19T15:03:02.046-02:00</updated><title type='text'></title><content type='html'>&lt;br&gt;&lt;br&gt;&lt;b&gt;Metonímia&lt;/b&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Minhas unhas já não respondem mais à força das cores escuras que lhes são impostas. Quebram sem direção definida, sem motivo pertinente. Meus olhos não agüentam mais a luz. Nem as repetições, nem o ar condicionado do shopping. Imploraram para simplesmente permanecerem em estado de repouso ou me ameaçam de ardência inexplicável.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Meu olfato já não reconhece o seu perfume. Um outro cheiro sofisticado me distraiu, me convenceu de que você havia chegado. Puxei a toalha rápido, 100% de algodão (exceto efeito decorativo) e fui confirmar a presença tua. A toalha tentou conter os pingos, que se dispersavam no corredor, enquanto a minha certeza andava passos pequenos, silenciosos, em direção à porta. Esperei pela campainha, pelo barulho da chave, por um indício qualquer. Quis ver você entrando e me perguntando se eu tinha melhorado. Mas o olho mágico não revelou nada além do escuro típico dos-vizinhos-dormindo. Desculpe, foi engano. Desliguei assim, meio com vergonha. Vou me vestir, vou me deitar. Não queria mesmo que me visse desse jeito.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Porque todas as minhas partes perderam a função, se desnaturaram. E são apenas uma versão curta-metragem do meu todo. Não se sensibilizam mais ao meu toque. Nem ao seu. Nem ao de ninguém. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Minha temperatura não baixa mais. Me dá marasmo, me dá sono, me dá sonhos abundantes em poucas horas. Me dá frio no verão. &lt;br /&gt;Me tira todo o resto: as vontades.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Minha dor já não cede mais ao paracetamol. Nem ao diclofenaco. Gostaria de transpirá-la em lugares super-lotados.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Poderia ia ao estádio torcer. Mas não me permitiriam o ingresso. O moço da porta falaria: você não pode entrar, está muito esquartejada. Como?! Eu tentaria rir, tentaria citar Proust, tentaria convencer-lhe de que, não, aquilo era um absurdo e eu estava inteira, sã e salva, em carne e osso, bem ali, diante de seu par de olhos céticos. Tentaria, por fim, chorar. Quem sabe a comoção não seja a melhor estratégia? Mas o mundo não se engana mais pelas minhas tentativas de vestir rosa. Eu detesto rosa.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Meus ouvidos já não sabem distinguir Wolfgang de Ernesto. Não sabem, não querem, não se importam. Desejam silêncio estarrecedor de presente de natal. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Desilusões acumuladas não respondem mais à injeção de ânimo do calendário novo. As folhas em branco, as mudanças a pensar, os aniversários a preencher. Nada disso levanta suspeitas sobre uma onda de positividade inevitável. Uma renovação, uma expectativa, uma promessa. Me ensinaram que é tudo besteira.&lt;br /&gt; &lt;br /&gt;Preciso de um mar tão nublado quanto eu. Que me compreenda.&lt;br /&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/3878926-107185238859459509?l=recheiodeque.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3878926/posts/default/107185238859459509'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3878926/posts/default/107185238859459509'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://recheiodeque.blogspot.com/2003/12/metonmia-minhas-unhas-j-no-respondem.html' title=''/><author><name>Fernanda</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://bp0.blogger.com/_G7QdkBA8xiw/R_90yIdj-FI/AAAAAAAAAN4/I_yd7X61TQE/S220/Blusa+Florezinhas+PB++Lateral.JPG'/></author></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-3878926.post-107088900071220987</id><published>2003-12-08T11:10:00.000-02:00</published><updated>2003-12-08T11:11:02.110-02:00</updated><title type='text'></title><content type='html'>&lt;br&gt;&lt;BR&gt;&lt;b&gt;Esboços&lt;/b&gt;&lt;BR&gt;&lt;br /&gt;Nossas despedidas nunca chegaram a terminar. Ganharam autonomia. Agora estão todas vagando, ecoando pelos becos escuros que temos medo de freqüentar.&lt;br /&gt;&lt;br&gt;Seus dedos me deslizam pescoço e cabelos, de raízes a pontas. Me brincam os fios descuidados, esquecidos dentro de dias ocupados pelas coisas que não são visíveis. Você olha doce, fala veludo e abraça em perspectiva. Me deixa ali, tridimensionalmente perdida, buscando pontos de referência em quase-beijos milimetricamente improvisados. &lt;br /&gt;&lt;br&gt;Então eu tento expandir todas as minhas superfícies de contato pra diferenciar aquele momento dos outros todos. Tão iguais e tão singulares. Tento ser uma extensão da minha pele, retina e órgãos. Mas não consigo. Não sou capaz de ir além da minha própria matéria. Não sou capaz de ser alguma coisa que não apenas um corpo estático esperando que as forças externas incidam e determinem algum movimento. Ou alguma iminência.&lt;br /&gt;&lt;br&gt;As fotografias que você tirou de mim. O sabor que escolhi pra você. A garrafa de água que você saiu pra comprar. São personagens. Dos rascunhos de poesias em guardanapos e dos esboços desenhados com lápis de cera. São só palavras e só imagens graficamente representadas. Para apenas sintetizar o que já foi dissecado e analisado. Para deixar tudo isso registrado de uma forma esteticamente aceitável.&lt;br /&gt;&lt;br&gt;Talvez eles sejam mesmo os anjos inatingíveis que eu descrevi. Ou talvez eu seja essencialmente vulnerável a tudo o que me dizem – e a tudo o que deixam de me dizer. Mas você me olha com cuidado e só assim posso me desfolhar em alguém. Posso me separar em camadas sem ter que desmanchar depois. Tenho a garantia da reconstituição completa. Eu te pergunto se você quer sorvete. Você promete que não vai me deixar esquecer da lua.&lt;br /&gt;&lt;br&gt;Depois nos resta a porta semi-aberta. Você, eu, o corredor. Direções opostas. O inevitável crescendo, tomando proporções maiores que a sua arte, maiores que a minha música. Nosso hábito ainda não superou esse grau de angústia. &lt;br /&gt;&lt;br&gt;A porta se fecha dolorida e nossas despedidas desfalecem, tontas de tanto resistir ao próprio desgaste, à própria insanidade polivalente. Penduram-se em algum poste repleto de anúncios de mães-de-santo e depois caem sem forças. O meio-fio é o travesseiro.&lt;br /&gt;&lt;br&gt;Você me percorre de novo, dessa vez sem tato e sem olhos. Sem malabarismos e palavras transbordantes.&lt;br /&gt;Apenas nossas presenças. Que se sabem iguais. &lt;br /&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/3878926-107088900071220987?l=recheiodeque.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3878926/posts/default/107088900071220987'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3878926/posts/default/107088900071220987'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://recheiodeque.blogspot.com/2003/12/esboos-nossas-despedidas-nunca.html' title=''/><author><name>Fernanda</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://bp0.blogger.com/_G7QdkBA8xiw/R_90yIdj-FI/AAAAAAAAAN4/I_yd7X61TQE/S220/Blusa+Florezinhas+PB++Lateral.JPG'/></author></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-3878926.post-107041072879129854</id><published>2003-12-02T22:18:00.000-02:00</published><updated>2003-12-02T22:23:47.076-02:00</updated><title type='text'></title><content type='html'>&lt;br&gt;&lt;br&gt;&lt;b&gt;Mundo adulto&lt;/b&gt;&lt;br&gt;&lt;br /&gt;Vocês estão me boicotando.&lt;br /&gt;Dedicada e exclusivista, passei uma madrugada inteira encerando o chão da sala, uma manhã lavando a varanda e uma tarde lustrando os móveis. Está perfeito, eu pensei. À noite vocês chegaram. Chegaram e me trouxeram limões. Eu obedeci ao ditado ancestral e fiz uma limonada.&lt;br /&gt;Vocês queriam comer pato e eu havia preparado camarão na moranga. Mas não. Vocês queriam pato. Não havia supermercado aberto. Mas e aquele seu pato? eles perguntaram. Não, o meu pato, não. Ele é como um gato pra mim, nenhum de vocês tem gato, cachorro? &lt;br /&gt;Mas não adiantou. Estavam irredutíveis. &lt;br /&gt;Dali a pouco estariam mastigando pedaços do meu carinho mais genuíno. Triturando e digerindo meus cuidados direcionados a um ser mais humano que todos os demais presentes. Devem ter enzimas específicas para sonhos de criança. Eu, traidora, perdi a fome e contive as lágrimas.&lt;br /&gt;Vocês dançaram, beberam, se apaixonaram. Depois foram embora sem se despedir. E eu desperdicei o resto da noite lavando seus pratos. Me empenhei em remover todas as marcas de batom nos seus copos de cristal. &lt;br /&gt;&lt;br&gt;Agora eu vou dormir e eu vejo vocês, irônicos e ferozes. Vejo vocês revirando os olhos e dizendo que delícia esse pato. Vejo vocês e isso me tira o sono, me enoja. Vocês não estão mais aqui. Mas eu continuo dispneica, intoxicada pelos seus perfumes excessivos e cigarros cancerígenos.&lt;br /&gt;&lt;br&gt;Então eu choro, grito e quero sair (à rua) à procura de cada um de vocês. Quero falar palavras que vocês nunca ouviram. Quero despir-lhes de suas armaduras, destruir todas as suas portas corta-fogo. E incendiá-los com os seus próprios isqueiros. Quero banhá-los em querosene e dizer: olha aqui, a vida é feita de som. E Fúria. Depois ir embora e ignorá-los eternamente. Deixá-los a sós, vocês e suas queimaduras de terceiro grau. Eu também sei ser cruel.&lt;br /&gt;&lt;br&gt;Mas não. Não aprendi a deixar a negatividade me consumir. Dizem que eu sou doce demais para o rock’n’roll.&lt;br /&gt;&lt;br&gt;Vocês são dinossauros.&lt;br /&gt;Têm verdadeiros cemitérios de frustrações. Todas devidamente esqueletizadas, sem carne, sem fisionomia. Restaram delas apenas as fotografias espalhadas pelas suas estantes. Completaram todo um ciclo de vida, hoje são osso e pó.&lt;br /&gt;As minhas ainda no berçário. Frágeis, leves, sem qualquer tipo de imunização. Vocês alimentam-nas sempre que podem.&lt;br /&gt;&lt;br&gt;Vocês me fazem tombar as cidades que eu construí. Vocês quebraram o vidro, amassaram o capô e não pagaram o conserto. O prejuízo é uma fortuna e para esse tipo de carro não existe seguro.&lt;br /&gt;&lt;br&gt;E eu. Eu não sei ainda como se faz pra crescer. Só sei que é difícil.&lt;br /&gt;Mas estou tentando.&lt;br /&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/3878926-107041072879129854?l=recheiodeque.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3878926/posts/default/107041072879129854'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3878926/posts/default/107041072879129854'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://recheiodeque.blogspot.com/2003/12/mundo-adulto-vocs-esto-me-boicotando.html' title=''/><author><name>Fernanda</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://bp0.blogger.com/_G7QdkBA8xiw/R_90yIdj-FI/AAAAAAAAAN4/I_yd7X61TQE/S220/Blusa+Florezinhas+PB++Lateral.JPG'/></author></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-3878926.post-106997654921252996</id><published>2003-11-27T21:42:00.000-02:00</published><updated>2003-11-28T14:15:11.233-02:00</updated><title type='text'></title><content type='html'>&lt;br&gt;&lt;br&gt;&lt;b&gt;Nó na garganta&lt;/b&gt;&lt;br&gt;&lt;br /&gt;Você, menina frenética, que finge saber sobre as consistências de todas as dimensões artísticas. Você, que usa salto, saia de vinil e meia arrastão sem parecer vulgar; porque estilo é um dom de poucos afortunados. E você, que se pensa minoria, se inclui no bolo. Você pensa que sabe, pensa que pode, pensa demais. Mas se define emocional, sentimental, absolutamente desprovida daquilo que faz todos os outros mortais hesitarem. O medo, a dúvida, a insegurança. A tríade cruel que nos faz voltar atrás. &lt;br /&gt;&lt;br&gt;Você, menina maluca, que acha que não tem nada a perder, aposta todas as fichas. Às vezes leva. Mas às vezes perde, e então você chora. A maquiagem borra o rosto, que ainda assim parece limpo, você tira uns lencinhos da bolsa e se recompõe. Dali a cinco minutos estará às gargalhadas com desconhecidos. Conseguirá um dinheiro emprestado, uma casa alugada, uns amigos fiéis. Sabe-se lá até quando.&lt;br /&gt;&lt;br&gt;Você, menina perdida, que se perde entre homens e lençóis, entre o amor e o prazer efêmero. Depois conta os casos mais picantes numa mesa redonda e vira o centro das atenções. Ouçam só a voz da experiência. Depois conta segredos para uma ou duas pessoas selecionadas diretamente de sua coleção pessoal. Desperdiça uma seção inteira de discos em promoção; simplesmente porque não considerou a possibilidade de encontrar ali o que precisa. Você se considera desprendida, independente e pós-moderna. Mas secretamente espera alguma coisa um pouco mais encantada que esses meninos bonitinhos que você devora. &lt;br /&gt;&lt;br&gt;Você, menina boba, que já passou por isso, já soube da última, já viu esse filme. Mas deixou escapar os sentidos de todas as entrelinhas. Você olha com olhos que pulsam junto com todo o resto do seu corpo. Você olha tudo como se a vida fosse um eterno déj-à-vu. Aos seus ouvidos, nenhuma história parece ser inédita. Mesmo que ela tenha acabado de ser inventada. &lt;br /&gt;&lt;br&gt;Você, menina incômoda, não faz idéia. Não sabe nada. Você acende um cigarro e some na noite, leviana como todas as outras.&lt;br /&gt;E eu, menina impressionada que sou, gosto de você mesmo assim. &lt;br /&gt;Você pode até saber disso. Mas, tenho certeza, nunca vai respeitar.&lt;br /&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/3878926-106997654921252996?l=recheiodeque.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3878926/posts/default/106997654921252996'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3878926/posts/default/106997654921252996'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://recheiodeque.blogspot.com/2003/11/n-na-garganta-voc-menina-frentica-que.html' title=''/><author><name>Fernanda</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://bp0.blogger.com/_G7QdkBA8xiw/R_90yIdj-FI/AAAAAAAAAN4/I_yd7X61TQE/S220/Blusa+Florezinhas+PB++Lateral.JPG'/></author></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-3878926.post-106980440049830982</id><published>2003-11-25T21:53:00.000-02:00</published><updated>2003-11-25T21:54:05.590-02:00</updated><title type='text'></title><content type='html'>&lt;br&gt;&lt;br&gt;&lt;b&gt;Assustada&lt;/b&gt;&lt;br&gt;&lt;br /&gt;- Hoje eu vou à praia.&lt;br /&gt;- Ela está lá todo dia mesmo...&lt;br /&gt;- E daí? Mas hoje eu vou. Pra comemorar.&lt;br /&gt;- Comemorar o quê? Tenho muito o que fazer, isso sim.&lt;br /&gt;- Me concede o direito de felicidade por alguns minutos?&lt;br /&gt;- Falando assim parece até que eu sou uma invejosa.&lt;br /&gt;- Não, não é invejosa. Você é uma assustada.&lt;br /&gt;- Assustada?&lt;br /&gt;Se espantou.&lt;br /&gt;- Olha, eu não vou te explicar nada. Não adianta nem pedir.&lt;br /&gt;- Você não pode me chamar de assustada e depois não se explicar.&lt;br /&gt;- Dá pra gente ter um pouquinho de paz? Pelo menos até chegar no carro.&lt;br /&gt;Atendeu o pedido. Mas murmurou baixinho:&lt;br /&gt;- Você que está nervoso...&lt;br /&gt;Nervoso, eu, falando de ir à praia e tudo. Vou fingir que não ouvi.&lt;br /&gt;E foram sem falar nada até o carro. Deram 2 reais pro moço e foram embora.&lt;br /&gt;- Você vai continuar calado?&lt;br /&gt;- Hã?&lt;br /&gt;- A gente já está em Copacabana e você não falou uma palavra.&lt;br /&gt;- Eu acho que você está se preocupando à toa, só isso.&lt;br /&gt;- Me preocupando? Com o que?&lt;br /&gt;- Você sabe com que.&lt;br /&gt;- Ah. Como assim estou me preocupando à toa? Meu futuro pra você é uma coisa assim, à toa? Bom saber...&lt;br /&gt;- Não, não é. Mas você tá sofrendo antecipadamente.&lt;br /&gt;Engoliu a raiva. Prendeu os cabelos. Olhou pela janela: o dia estava lindo.&lt;br /&gt;- Acho que vai chover.&lt;br /&gt;- Acha, é? Por que você diz isso?&lt;br /&gt;- Fez muito calor esses dias. Está na hora chover.&lt;br /&gt;- Poxa, que coincidência. Bem no dia que eu queria ir à praia.&lt;br /&gt;- É sério, deu na previsão.&lt;br /&gt;- Eu detesto a previsão, eles sempre erram.&lt;br /&gt;- Eu gosto de me antecipar. Pra saber se eu levo um guarda-chuva ou não quando saio de casa.&lt;br /&gt;- Trouxe guarda-chuva hoje?&lt;br /&gt;- Não.&lt;br /&gt;- Ué, por que? Não levou fé na previsão?&lt;br /&gt;- É meio-dia ainda. Vai chover mais tarde.&lt;br /&gt;- Ah, é? Que horas mais ou menos, você sabe? &lt;br /&gt;- O nome é previsão e não precisão.&lt;br /&gt;- Pena... Queria saber se devia levar ou não meu guarda-chuva pra praia.&lt;br /&gt;- Falando nisso, você me deve um guarda-chuva.&lt;br /&gt;- Eu sei, aquele que eu perdi no teatro.&lt;br /&gt;- Pois é.&lt;br /&gt;- Você pode ficar com o meu se quiser. Eu passo em casa antes de te deixar e pego meu guarda-chuva.&lt;br /&gt;- Não, não precisa. Eu tenho um reserva.&lt;br /&gt;- Quantos guarda-chuvas você compra por mês?&lt;br /&gt;- Eu tinha três. Você perdeu dois, agora eu tenho um.&lt;br /&gt;- Então, por isso mesmo, e se você perder esse um?&lt;br /&gt;- Eu não vou perder. Não sou o tipo de pessoa previsível que perde guarda-chuvas.&lt;br /&gt;- Mesmo assim. Faço questão que você fique com o meu. Assim você fica preparada pra chuva de hoje.&lt;br /&gt;- E você? Não vai levar nenhum pra praia?&lt;br /&gt;- Onde já se viu ir à praia com guarda-chuva? O cúmulo do pessimismo, não acha?&lt;br /&gt;- Não, não acho.&lt;br /&gt;- E, além do mais, uma chuvinha de verão não faz mal a ninguém.&lt;br /&gt;Se lembraram das várias chuvas de verão que já pegaram. Nenhuma específica, apenas genericamente pensando. Mas, obviamente, ninguém falou nada.&lt;br /&gt;- Vem. Vamos lá em cima pegar o bendito guarda-chuva.&lt;br /&gt;- Eu já falei que não precisa, nem sei por que você veio pra cá.&lt;br /&gt;- Vai ficar aí no carro? Vou trancar...&lt;br /&gt;Saiu do carro, contrariada, e subiram os dois.&lt;br /&gt;- Quer um suco?&lt;br /&gt;- Não, obrigada.&lt;br /&gt;Com a última sílaba, um trovão. Os dois incrédulos correram até a janela.&lt;br /&gt;- Mas como você é agourenta. &lt;br /&gt;- ...&lt;br /&gt;- Quando passar a chuva eu te levo pra casa.&lt;br /&gt;- Passa esse guarda-chuva pra cá que eu vou agora.&lt;br /&gt;- Ah, não vai, não.&lt;br /&gt;- Vou sim.&lt;br /&gt;- Não vai... é perigoso.&lt;br /&gt;- Você acha que eu tenho medo de chuva?&lt;br /&gt;Os pingos caíam grossos, machucavam as pedras portuguesas lá em baixo. Os relâmpagos clareavam o que já era dia. O trovão ladrava. Mas não mordia.&lt;br /&gt;- Acho. &lt;br /&gt;- Pois então se engana. Passa esse guarda-chuva, anda.&lt;br /&gt;Ele segurou no cabo do guarda-chuva, apontando-lhe a ponta. Ela achou estranho, mas segurou mesmo assim. Segurou com força. Ele puxou o guarda-chuva de volta. E ela veio junto, involuntária. Ele beijou e ela não mostrou resistência, pela primeira vez no dia.&lt;br /&gt;- Almoça comigo. Depois, quando passar a chuva, te levo em casa.&lt;br /&gt;- Aposto que não tem comida nenhuma.&lt;br /&gt;- Ter, tem. É só fazer.&lt;br /&gt;Ela fazia um ravioli ao funghi maravilhoso. Ele vivia de omelete.&lt;br /&gt;- Ah, entendi.&lt;br /&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/3878926-106980440049830982?l=recheiodeque.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3878926/posts/default/106980440049830982'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3878926/posts/default/106980440049830982'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://recheiodeque.blogspot.com/2003/11/assustada-hoje-eu-vou-praia.html' title=''/><author><name>Fernanda</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://bp0.blogger.com/_G7QdkBA8xiw/R_90yIdj-FI/AAAAAAAAAN4/I_yd7X61TQE/S220/Blusa+Florezinhas+PB++Lateral.JPG'/></author></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-3878926.post-106968139173788008</id><published>2003-11-24T11:43:00.000-02:00</published><updated>2003-11-24T11:43:53.293-02:00</updated><title type='text'></title><content type='html'>&lt;br&gt;&lt;br&gt;&lt;b&gt;Primeira pessoa do plural&lt;/b&gt;&lt;br&gt;&lt;br /&gt;&lt;br&gt;Então me espera que eu te levo&lt;br /&gt;As palavras aveludadas que você conhece&lt;br /&gt;Os contornos que você desenha sem papel&lt;br /&gt;Até calores confusos permearem&lt;br /&gt;E me dissolverem de linho a espuma&lt;br /&gt;&lt;br&gt;Lascas finíssimas de nós mesmos&lt;br /&gt;Resolvem faiscar em sintaxes flutuantes&lt;br /&gt;Impregnadas de todas as casualidades&lt;br /&gt;Que nos trouxeram até aqui:&lt;br /&gt;dois anônimos sem segredos&lt;br /&gt;&lt;br&gt;As ações conjugadas convergem, todas juntas,&lt;br /&gt;Pros improvisos vulneráveis uns aos outros&lt;br /&gt;Um tango quase jazz&lt;br /&gt;Isento das críticas e do resto do mundo&lt;br /&gt;Que já nem existe mais&lt;br /&gt;&lt;br&gt;Me espera como os cabelos esperam as pontas&lt;br /&gt;dos dedos que voam sem vento, povoam&lt;br /&gt;Todo um território sem fronteiras&lt;br /&gt;Arrastando pedaços de histórias sutis&lt;br /&gt;Diluídas no tato experiente de quem sempre esteve lá&lt;br /&gt;&lt;br&gt;Não me deixa inventar de querer escrever&lt;br /&gt;Querer qualificar, querer fosforilar&lt;br /&gt;Sobre tudo aquilo que é impublicável.&lt;br /&gt;Sorrisos não-interpretáveis bastam como caracterização&lt;br /&gt;Desses momentos nossos vazados aqui.&lt;br /&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/3878926-106968139173788008?l=recheiodeque.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3878926/posts/default/106968139173788008'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3878926/posts/default/106968139173788008'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://recheiodeque.blogspot.com/2003/11/primeira-pessoa-do-plural-ento-me.html' title=''/><author><name>Fernanda</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://bp0.blogger.com/_G7QdkBA8xiw/R_90yIdj-FI/AAAAAAAAAN4/I_yd7X61TQE/S220/Blusa+Florezinhas+PB++Lateral.JPG'/></author></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-3878926.post-106938094122471994</id><published>2003-11-21T00:15:00.000-02:00</published><updated>2003-11-21T00:16:18.560-02:00</updated><title type='text'></title><content type='html'>&lt;br&gt;&lt;br&gt;&lt;b&gt;Sobre o plástico&lt;/b&gt;&lt;br&gt;&lt;br /&gt;Por uma noite ela pensou ser a única a chorar pela cicatriz que não tinha. Porque preferiu a plasticidade estética do bisturi. Com doses cavalares de anestésico, é  claro. Um dia decidiu-se: deitou-se, dormiu e, quando acordou, mágica, o conserto estava pronto. O pós-operatório foi pesado. As sessões de análise foram exaustivas. Mas a aceitação geral compensou todo o procedimento, principalmente a sua própria aceitação, que era só sua e de mais ninguém. Sentia-se vitoriosa diante das próprias decisões e apenas isso lhe bastaria.&lt;br /&gt;&lt;br&gt;Mas enganou-se. Enganou-se porque um dia teve medo. De não ter ido além de suas resoluções praticamente decorativas que agora, ao invés de escolha, denunciavam a vaidade e a covardia, típicas dos seres que ela costumava secretamente desprezar. &lt;br /&gt;Então desejou as cicatrizes e fez pior: invejou-as noite adentro. Pensou que gostaria de tê-las deixado abertas por mais tempo. Para que fossem curadas homeopaticamente, botanicamente. Empiricamente, talvez. Tratamento sem comprovação científica prévia. Feridas abertas a sol e vento, chuva ácida e efeito estufa. Que venha a necrose, que venha a gangrena. Já não se importava mais com rostos registráveis ou histórias fotogênicas.&lt;br /&gt;Porque o espelho não sabia mais revelar a identidade, plastificada, enterrada sob o concreto protetor de seus fracassos. &lt;br /&gt;&lt;br&gt;Pensou que devesse ter se entregue vendada à própria exaustão, afundando-se num colchão macio feito da mágoa e do inesperado. Noites de amor e sofrimento convergentes. Sem nomes psiquiatricamente estereotipados. &lt;br /&gt;Só ela e a própria dor.&lt;br /&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/3878926-106938094122471994?l=recheiodeque.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3878926/posts/default/106938094122471994'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3878926/posts/default/106938094122471994'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://recheiodeque.blogspot.com/2003/11/sobre-o-plstico-por-uma-noite-ela.html' title=''/><author><name>Fernanda</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://bp0.blogger.com/_G7QdkBA8xiw/R_90yIdj-FI/AAAAAAAAAN4/I_yd7X61TQE/S220/Blusa+Florezinhas+PB++Lateral.JPG'/></author></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-3878926.post-106904080292866698</id><published>2003-11-17T01:46:00.000-02:00</published><updated>2003-11-17T01:47:14.700-02:00</updated><title type='text'></title><content type='html'>&lt;br&gt;&lt;br&gt;&lt;b&gt;Partes do teu show em gramática proposital&lt;/b&gt;&lt;br&gt;&lt;br /&gt;Eu disse: quero que tu mudes e não voltes nunca mais.&lt;br /&gt;Vai amar meninas intensas que te transformem numa batedeira elétrica. Vai amar meninas complicadas que te roubem noites de sono enquanto montas o quebra-cabeça. Descobre tudo aquilo que sempre soubeste fazer. Mas desconhecias. &lt;br /&gt;Quero que tenhas vontade de parecer bonito, de parecer charmoso, de parecer inatingível. Mas depois te despedaces nos braços de alguém bem doce. Despeja ali toda tua fragilidade intrínseca. Esquece essa obsessão de manipular as situações, de controlar as pessoas. Deixa-te dominar, por uma noite que seja. Deixa-te levar por conselhos absurdos de mentes medíocres.&lt;br /&gt;&lt;br&gt;Faz promessas malucas, tão curtas como um sonho bom. Prometa-te que aceitarás as pessoas como são. Abandona julgamentos, preconceitos, hipocrisias. Seja inferior, humanamente inferior. E busca a humildade até no peito do teu traidor. Mesmo correndo o risco de parecer ridículo. Corre e vai viver alguma coisa que não seja mediana.&lt;br /&gt;&lt;br&gt;Persegue objetivos mais concretos: uma viagem, uma casa tua, uma grana boa. Qualquer coisa que recompense minimamente o medo de crescer.&lt;br /&gt;Fica um pouco sem. Sem máscaras, sem receios, sem fôlego, sem cobranças. Não cobra tanto do mundo, das meninas, nem de você. &lt;br /&gt;&lt;br&gt;Retrocede mais à bossa nova. E menos ao rock’n roll. Meu amor.&lt;br /&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/3878926-106904080292866698?l=recheiodeque.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3878926/posts/default/106904080292866698'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3878926/posts/default/106904080292866698'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://recheiodeque.blogspot.com/2003/11/partes-do-teu-show-em-gramtica.html' title=''/><author><name>Fernanda</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://bp0.blogger.com/_G7QdkBA8xiw/R_90yIdj-FI/AAAAAAAAAN4/I_yd7X61TQE/S220/Blusa+Florezinhas+PB++Lateral.JPG'/></author></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-3878926.post-106904024578032053</id><published>2003-11-17T01:37:00.000-02:00</published><updated>2003-11-17T01:47:05.610-02:00</updated><title type='text'></title><content type='html'>&lt;br&gt;&lt;br&gt;&lt;b&gt;Boas-vindas&lt;/b&gt;&lt;br&gt;&lt;br /&gt;&lt;a href="http://www.1apessoa.blogspot.com"&gt;Gabi&lt;/a&gt;, querida.&lt;br /&gt;Seja bem-vinda de volta.&lt;br /&gt;Assinando e tudo mais.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/3878926-106904024578032053?l=recheiodeque.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3878926/posts/default/106904024578032053'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3878926/posts/default/106904024578032053'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://recheiodeque.blogspot.com/2003/11/boas-vindas-gabi-querida.html' title=''/><author><name>Fernanda</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://bp0.blogger.com/_G7QdkBA8xiw/R_90yIdj-FI/AAAAAAAAAN4/I_yd7X61TQE/S220/Blusa+Florezinhas+PB++Lateral.JPG'/></author></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-3878926.post-106849933810171224</id><published>2003-11-10T19:22:00.000-02:00</published><updated>2003-11-10T19:22:42.030-02:00</updated><title type='text'></title><content type='html'>&lt;br&gt;&lt;br&gt;&lt;b&gt;Estilingues&lt;/b&gt;&lt;br&gt;&lt;br /&gt;O pé encosta cuidadoso no mármore molhado. A água é muito quente ou muito fria, dificilmente equilibrável. É preciso ser minucioso com as torneiras.&lt;br /&gt;Mas às duas da manhã nada é inesgotável e a paciência é uma lembrança longínqua, quase apagada pela tensão afirmativa das primeiras horas da segunda-feira. &lt;br /&gt;&lt;br&gt;A cabeça lateja e formiga. Se inclina para trás, inconsciente, e se permite molhar. Os olhos pesam e parecem não saber mais resistir. Não há cafeína que os convença de que o cansaço é uma ilusão do mundo moderno. &lt;br /&gt;&lt;br&gt;Não querer mais qualquer coisa além de deixar-se encharcar por dentro. Não querer fotografias, não querer o mar, não querer se entrelaçar a nada mais. Apenas a água deslizando sobre os olhos impermeáveis.&lt;br /&gt;&lt;br&gt;Os pingos são grossos e machucam o rosto. As pálpebras se entregam com uma displicência quase ideológica. E só então se percebem delgadas. Frustradas. Sentem-se incapazes de suportar o peso das gotas quentes. Incapazes de proteger o vidro das janelas. Vidro límpido, transparente, impecável. As gotas são as pedras que vêm dos estilingues dos moleques da rua. As cortinas são frágeis. Mas o vidro, ainda bem, é resistente. E resiste bravamente ao apedrejamento de letras, de pingos d’água e de livros biblicamente médicos. Tudo isso dói e tenta descascar o corpo fraco.&lt;br /&gt;&lt;br&gt;A espuma é lavada embora. A toalha envolve e junta os pedaços picotados que vão sendo, pouco a pouco, remendados. Como uma colcha de retalhos. A água evapora e embaça espelho.&lt;br /&gt;&lt;br&gt;A semana herdou apenas dívidas de noites esquecidas no sótão e encontradas em baixo do chuveiro.&lt;br /&gt;Os olhos se fecham, vitoriosos. &lt;br /&gt;Por algumas horas apenas. &lt;br /&gt;Mas se fecham.&lt;br /&gt;Vitoriosos.&lt;br /&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/3878926-106849933810171224?l=recheiodeque.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3878926/posts/default/106849933810171224'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3878926/posts/default/106849933810171224'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://recheiodeque.blogspot.com/2003/11/estilingues-o-p-encosta-cuidadoso-no.html' title=''/><author><name>Fernanda</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://bp0.blogger.com/_G7QdkBA8xiw/R_90yIdj-FI/AAAAAAAAAN4/I_yd7X61TQE/S220/Blusa+Florezinhas+PB++Lateral.JPG'/></author></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-3878926.post-106823452260881835</id><published>2003-11-07T17:48:00.000-02:00</published><updated>2003-11-07T17:49:02.200-02:00</updated><title type='text'></title><content type='html'>&lt;br&gt;&lt;br&gt;&lt;b&gt;Quando&lt;/b&gt;&lt;br&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Eu escrevo quando alguma coisa me emocionar.&lt;br /&gt;E em certas épocas não sobra o tempo pra sentir.&lt;br /&gt;Algo além de uma pressão.&lt;br /&gt;Como aquela de subir a serra.&lt;br /&gt;Ou de descer o mar.&lt;br /&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/3878926-106823452260881835?l=recheiodeque.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3878926/posts/default/106823452260881835'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3878926/posts/default/106823452260881835'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://recheiodeque.blogspot.com/2003/11/quando-eu-escrevo-quando-alguma-coisa.html' title=''/><author><name>Fernanda</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://bp0.blogger.com/_G7QdkBA8xiw/R_90yIdj-FI/AAAAAAAAAN4/I_yd7X61TQE/S220/Blusa+Florezinhas+PB++Lateral.JPG'/></author></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-3878926.post-106823447808577041</id><published>2003-11-07T17:47:00.000-02:00</published><updated>2003-11-07T17:48:17.686-02:00</updated><title type='text'></title><content type='html'>&lt;br&gt;&lt;br&gt;&lt;b&gt;Despedida&lt;/b&gt;&lt;br&gt;&lt;br /&gt;Ela quis se afastar da festa.&lt;br /&gt;Ele trancou a porta.&lt;br /&gt;Ele quase disse fica.&lt;br /&gt;Ela quase disse vem.&lt;br /&gt;Quase porque não adiantava mais.&lt;br /&gt;E se olharam com dó. Com pena daquele amor grande em fase terminal.&lt;br /&gt;Ela queria descontrair o momento. Falou besteiras sem tamanho. Ele constatou: “você está bêbada” e ela reclamou que tinha direito. Dessa vez tinha direito. Ele não falou nada.&lt;br /&gt;Ela ensaiou:&lt;br /&gt;“quem cala...&lt;br /&gt;Ele deixou um “consente” escapar. Contrariado.&lt;br /&gt;Ele era bom em provérbios. Ela era forte pra bebida. Mas sentia-se na obrigação de. Pela própria lucidez. Beber para ficar mais lúcida. &lt;br /&gt;Gente passional tem dessas crenças sem sentido aparente.&lt;br /&gt;“Deixei sua chave dentro da gaveta.”&lt;br /&gt;“É sua... foi um presente, se lembra?”&lt;br /&gt;“Mas você pode dar pra outra pessoa.”&lt;br /&gt;“Aquela é sua. Até a cor dela é sua.”&lt;br /&gt;Ela sorriu.&lt;br /&gt;“A cor dela?”&lt;br /&gt;“É, eu pedi pro chaveiro fazer vermelha. Naquela época em que tudo tinha que ser vermelho.”&lt;br /&gt;“Tudo, nada. Exagerado...”&lt;br /&gt;Ele só sorriu e se esqueceu que gosta tanto de discutir. Ela entendeu tudo, como sempre entendia tudo, e o olhou com aquela ternura latente, pulsante. Aquela mistura de coisas que o confundiam.&lt;br /&gt;“E aí, gostou da festa?”&lt;br /&gt;“Gostei. A música tá ótima...”&lt;br /&gt;“Queria ter chamado menos amigos meus.”&lt;br /&gt;“Os meus amigos não poderiam vir mesmo. Que bom que você chamou os seus. Imagina uma festa vazia que tristeza...”&lt;br /&gt;“É. Foi o que eu pensei.”&lt;br /&gt;Ela detestava ficar mais velha. Ele sentou na beira da cama.&lt;br /&gt;“Deita aqui comigo...”&lt;br&gt;&lt;br /&gt;Ela tirou os óculos. Pra enxergá-lo melhor.&lt;br /&gt;Ele apagou a luz. Para observar cada detalhe.&lt;br /&gt;E ficaram ali, se olhando a noite toda. Até o avião chegar.&lt;br /&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/3878926-106823447808577041?l=recheiodeque.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3878926/posts/default/106823447808577041'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3878926/posts/default/106823447808577041'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://recheiodeque.blogspot.com/2003/11/despedida-ela-quis-se-afastar-da-festa.html' title=''/><author><name>Fernanda</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://bp0.blogger.com/_G7QdkBA8xiw/R_90yIdj-FI/AAAAAAAAAN4/I_yd7X61TQE/S220/Blusa+Florezinhas+PB++Lateral.JPG'/></author></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-3878926.post-106702091750963202</id><published>2003-10-24T16:41:00.000-02:00</published><updated>2003-10-24T16:44:28.110-02:00</updated><title type='text'></title><content type='html'>&lt;br&gt;&lt;br&gt;&lt;b&gt;Porque escrever&lt;/b&gt;&lt;br&gt;&lt;br /&gt;Foi na feira, num domingo chuvoso, que ela descobriu que as ambições literárias tinham entrado em coma profundo. Os médicos não lhe deram esperanças, a fé deixou de dar conta e o tempo passou. De repente não queria mais. Não queria livro, não queria coluna, não queria sequer artigo científico em revista de renome. Queria escrever sem retornos. Para que as repercussões fossem uma questão meramente seqüencial. Sem resultados significativos, sem manifestações ostensivas. Mas, principalmente, sem expectativas. &lt;br /&gt;&lt;br&gt;Percebeu-se inalcançável segundo os próprios padrões. Sentiu-se frustrada. E satisfeita. Estaria condenada a nunca mais ultrapassar o limiar de sua auto-crítica. Ao mesmo tempo, deliciava-se com a consistência de todos os seus pequenos pecados textuais. Conhecia com intimidade cada ingrediente responsável pelo fracasso ou sucesso da receita. Mas fingia ignorá-los.&lt;br /&gt;&lt;br&gt;Lambeu os dedos e perguntou ao pai: “será que eles colocam açúcar nessa melancia?” Ele riu. “Não. É doce assim mesmo. Eles abrem na hora.”&lt;br /&gt;&lt;br&gt;Queria escrever como reflexo patelar. Como resposta imediata aos estímulos externos. Não. Patelar, não. Os impulsos invariavelmente subiriam ao córtex, onde seriam interpretados, modificados, estruturados. Para que só então fossem cuspidos, moldados sob sua percepção distorcida e, finalmente, jogados no chão, onde explodiriam como estalinhos de festa junina.&lt;br /&gt;&lt;br&gt;Provou um biscoito amanteigado que lhe deu sede. Mas a única água disponível vinha do céu.&lt;br /&gt;&lt;br&gt;Escrever para suas emoções viverem mais. Escrever para se deixar permear com maior entendimento. E sem entendimento algum. Escrever por motivos infantis e imaturos. Por geléia de goiaba, bicicletas, amoreiras e piscinas redondas.&lt;br /&gt;&lt;br&gt;“Me ajuda a escolher umas flores pra sua mãe.” Ah, esses lírios aqui. Ela vai adorar o cheiro. “E estão bonitos também... amigo, quanto é?”&lt;br /&gt;&lt;br&gt;Escrever sem leitor, sem teclado, sem lápis e sem papel.&lt;br /&gt;Porque, mesmo sem instrumento algum, de causa ou de conseqüência, continuaria escrevendo.&lt;br /&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/3878926-106702091750963202?l=recheiodeque.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3878926/posts/default/106702091750963202'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3878926/posts/default/106702091750963202'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://recheiodeque.blogspot.com/2003/10/porque-escrever-foi-na-feira-num.html' title=''/><author><name>Fernanda</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://bp0.blogger.com/_G7QdkBA8xiw/R_90yIdj-FI/AAAAAAAAAN4/I_yd7X61TQE/S220/Blusa+Florezinhas+PB++Lateral.JPG'/></author></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-3878926.post-106600620391165000</id><published>2003-10-12T21:50:00.000-03:00</published><updated>2003-10-12T21:59:47.563-03:00</updated><title type='text'></title><content type='html'>&lt;br&gt;&lt;br&gt;&lt;b&gt;Donzela em apuros&lt;/b&gt;&lt;br&gt;&lt;br /&gt;ela não age e não reage&lt;br /&gt;limita-se a estar enquanto existe&lt;br /&gt;condena-se à ausência&lt;br /&gt;dos sujeitos e predicados &lt;br /&gt;de sua própria sintaxe&lt;br /&gt;permanece passiva e permissiva &lt;br /&gt;de tanto saber o que não quer&lt;br /&gt;às vezes se pergunta se é em vão&lt;br /&gt;se seus dedos tocam somente o que é real&lt;br /&gt;ou se valeria a pena fechar os olhos &lt;br /&gt;sem solenidades, sem juras, sem velas&lt;br /&gt;só a entrega humana e carnal &lt;br /&gt;misturada às verdades da ocasião&lt;br /&gt;mas parece não querer se deixar &lt;br /&gt;intoxicar, fragmentar e vencer&lt;br /&gt;parece não perceber o impacto &lt;br /&gt;da inexistência de seus sintomas&lt;br /&gt;(sobre aqueles que demasiadamente são)&lt;br /&gt;&lt;br&gt;seus olhos não encaram&lt;br /&gt;as mãos não gesticulam&lt;br /&gt;os lábios não beijam&lt;br /&gt;e o corpo todo em silêncio&lt;br /&gt;depois se despede e sobe as escadas &lt;br /&gt;carregando o karma fantasmagórico &lt;br /&gt;da fragilidade &lt;br /&gt;coleciona ingenuidades cósmicas &lt;br /&gt;delicadezas categoricamente minuciosas&lt;br /&gt;que a tornam isenta de participação&lt;br /&gt;em conversas mundanas de pobres mortais&lt;br /&gt;&lt;br&gt;certamente nunca experimentou &lt;br /&gt;chover por dentro&lt;br /&gt;enquanto ensaia as palavras trêmulas &lt;br /&gt;de um bilhete amassado&lt;br /&gt;nunca se surpreendeu ridícula&lt;br /&gt;em frente a um espelho imparcial&lt;br /&gt;que não responde às suas lágrimas previsíveis&lt;br /&gt;de fotos queimadas&lt;br /&gt;de cartas rasgadas&lt;br /&gt;&lt;br&gt;se satisfaz sendo démodé, linear, indiferente&lt;br /&gt;sem excessos&lt;br /&gt;não arrisca vintage, acampamento&lt;br /&gt;comida exótica ou filme de kubrich&lt;br /&gt;nunca tem opiniões polêmicas&lt;br /&gt;nem cores fortes, palavras obscenas&lt;br /&gt;ou saudades de um dia pro outro&lt;br /&gt;&lt;br&gt;e eu me sinto enjoativa e sanguinolenta&lt;br /&gt;toda vez que me dirijo a ela&lt;br /&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/3878926-106600620391165000?l=recheiodeque.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3878926/posts/default/106600620391165000'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3878926/posts/default/106600620391165000'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://recheiodeque.blogspot.com/2003/10/donzela-em-apuros-ela-no-age-e-no.html' title=''/><author><name>Fernanda</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://bp0.blogger.com/_G7QdkBA8xiw/R_90yIdj-FI/AAAAAAAAAN4/I_yd7X61TQE/S220/Blusa+Florezinhas+PB++Lateral.JPG'/></author></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-3878926.post-106588254408133354</id><published>2003-10-11T11:29:00.000-03:00</published><updated>2003-10-11T11:29:03.840-03:00</updated><title type='text'></title><content type='html'>&lt;br&gt;&lt;br&gt;&lt;b&gt;Metalinguagem que não se auto explica&lt;/b&gt;&lt;br&gt;&lt;br /&gt;Escrevo fragmentos de verdades e fantasias recortados dos meus dias instantâneos e de meus dias intermináveis. Se as infelicidades extravasarem mais do que as gargalhadas espontâneas não me culpe, não se culpe. Não julgue minhas palavras apenas por sua aparência estática. Não diga que sou dramática, não insinue que estou infeliz. Não se preocupe com minha instabilidade emocional de menina exagerada. &lt;br /&gt;&lt;br&gt;Sou intensamente angular. Cada plano tem sua cor, cada rodapé sua espessura, cada emoção seu tempo certo. Mas me perdôe se nossos tempos não se encontrarem. Me desculpe se eu soar descompassada. Tente não perceber os pequenos instantes onde minha música perde o ritmo, a fluidez, a dinâmica. Não me notifique cada vez que o meu silêncio se prolongar além do esperado. Momentos são apenas momentos. Por isso, não valorize tanto aquilo que passa rápido. &lt;br /&gt;&lt;br&gt;Hoje durmo, sinto dor e tenho febre. Mas amanhã eu posso me tornar capaz de iluminar qualquer lugar. Posso estar cantarolando canções infantis sem me dar conta. Vou te dar um bom dia entusiasmado, te abraçar com saudades sem-motivos e ter crises de riso quando você disser uma besteira. Você não vai entender. Vai dizer por aí que sou desequilibrada, que preciso de ajuda. Você pode dizer. &lt;br /&gt;Mas, por favor, não acredite nisso.&lt;br /&gt;&lt;br&gt;Não se deixe levar por minha necessidade cruel de tornar as coisas mais líricas. Não se deixe levar pelo forte poder da palavra escrita. Ela é a fotografia isolada de um panorama amplo: se responsabiliza pela imortalidade de tudo aquilo que é momentâneo; e é aí que as coisas se fundem e se confundem. &lt;br /&gt;Não me obrigue a provar minha sobriedade, minha lucidez, minha felicidade. Não me obrigue a provar nada, pois posso não me lembrar mais do que se trata.&lt;br /&gt;&lt;br&gt;Se eu quiser, me deixe girar como um ventilador de teto. Se eu precisar, me deixe chorar por tudo aquilo que nunca sofri. Mas simplesmente me deixe.&lt;br /&gt;Eu e minhas palavras mal-empregadas, mal-dosadas. &lt;br /&gt;Mal-interpretadas.&lt;br&gt;&lt;br /&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/3878926-106588254408133354?l=recheiodeque.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3878926/posts/default/106588254408133354'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3878926/posts/default/106588254408133354'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://recheiodeque.blogspot.com/2003/10/metalinguagem-que-no-se-auto-explica.html' title=''/><author><name>Fernanda</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://bp0.blogger.com/_G7QdkBA8xiw/R_90yIdj-FI/AAAAAAAAAN4/I_yd7X61TQE/S220/Blusa+Florezinhas+PB++Lateral.JPG'/></author></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-3878926.post-106588253234156014</id><published>2003-10-11T11:28:00.000-03:00</published><updated>2003-10-11T11:28:52.106-03:00</updated><title type='text'></title><content type='html'>&lt;br&gt;&lt;br&gt;&lt;br /&gt;agora também estou &lt;a href="http://www.blogautores.blogger.com.br"&gt;aqui&lt;/a&gt;, junto com pessoas adoravelmente humanas&lt;br&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/3878926-106588253234156014?l=recheiodeque.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3878926/posts/default/106588253234156014'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3878926/posts/default/106588253234156014'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://recheiodeque.blogspot.com/2003/10/agora-tambm-estou-aqui-junto-com.html' title=''/><author><name>Fernanda</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://bp0.blogger.com/_G7QdkBA8xiw/R_90yIdj-FI/AAAAAAAAAN4/I_yd7X61TQE/S220/Blusa+Florezinhas+PB++Lateral.JPG'/></author></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-3878926.post-106554784744214494</id><published>2003-10-07T14:30:00.000-03:00</published><updated>2003-10-07T14:30:47.276-03:00</updated><title type='text'></title><content type='html'>&lt;br&gt;&lt;br&gt;&lt;b&gt;O que sobrou daqueles dias&lt;/b&gt;&lt;br&gt;&lt;br /&gt;Transplantes de sorrisos sem motivo. &lt;br /&gt;Toda a sintomatologia de tentar dizer o quanto. &lt;br /&gt;Retornos repentinos a conversas inacabadas.&lt;br /&gt;Fragilidades roubadas casualmente.&lt;br /&gt;Divisão de peixe, pizza, batata frita,&lt;br /&gt;crepe de chocolate com sorvete e chantilly.&lt;br /&gt;Um concerto em uma igreja lotada&lt;br /&gt;Uma brincadeira inusitada em restaurante a luz de velas&lt;br /&gt;O garçom cabivelmente vestido de palhaço&lt;br /&gt;Ateliês sutilmente invadidos pela nossa curiosidade&lt;br /&gt;Telhas, cores, gatos e azulejos&lt;br /&gt;Cachorros calmos&lt;br /&gt;Canto lírico por acaso&lt;br /&gt;Lá fora sons&lt;br /&gt;De barco, de música, de homens jogando bola &lt;br /&gt;(de manhã bem cedinho)&lt;br /&gt;De pássaros ao entardecer&lt;br /&gt;Aqui dentro diálogos sem palavras.&lt;br /&gt;Restos de dias inteiros com você.&lt;br /&gt;&lt;br&gt;&lt;br&gt;&lt;br /&gt;&lt;b&gt;Pedaços concretos&lt;/b&gt;&lt;br /&gt;&lt;br&gt;A tarde de sábado foi de Santa Teresa. A noite foi do festival e da alegria boba de conseguir uma vaga em frente à estação. A sede pede um suco, o cansaço pede colo. O domingo era de sol, mas pertenceu à atenção experiente de meus avós. A praia ficou pra próxima. &lt;br /&gt;&lt;br&gt;Segunda de manhã ela se encheu de areia vazia. A água transparecendo peixes grandes e calmos, que no dia anterior provavelmente não arriscariam um passeio tão perto de nossos pés. Tenho vontade de chamar uma, duas, dez pessoas pra dividir uma manhã deserta. Mas é segunda-feira e devo me consolar apenas com o privilégio de estar ali. Devo ser egoísta e tentar não querer dividi-lo com mais ninguém. (Talvez um dia consiga.) As conversas de desconhecidos ao fundo são praticamente inevitáveis. Pequenos pedaços concretos da vida alheia. Pedaços de trabalho, de romances, de lamentações, de sexo, de noites e bebidas, de cinema, de burocracias, de confusões de família. Todo mundo é tão igual.&lt;br /&gt;Levanto, me visto, sacudo a canga. Ponho óculos de sol e pego o tênis com cuidado para não sujá-lo de areia. Vou descalça até em casa. O asfalto queima o pé, mas as pedras portuguesas pretas são ainda mais quentes. Tentar desviar delas é uma alternativa quase instintiva.&lt;br /&gt;Ligo pro cara dos quadros, mas só dá ninguém-atende. Mais tarde finalmente consigo: ele diz que vai me mandar um croqui novo.&lt;br /&gt;Minha mãe ouve Enya lá longe. Convidei-a pro cinema. Filme italiano. Sincero, ingênuo, sem pretensões. Domingo ela viu Frida. E até agora vê as cores mexicanas ao fechar os olhos. Eu bem que avisei. &lt;br /&gt;Meu pai perde o telefone e sai correndo pra comprar outro. Médicos parecem não ter o direito de ficarem desligados ou fora da área de cobertura. Que isso me sirva de aviso. &lt;br /&gt;Ou de exemplo. &lt;br /&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/3878926-106554784744214494?l=recheiodeque.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3878926/posts/default/106554784744214494'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3878926/posts/default/106554784744214494'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://recheiodeque.blogspot.com/2003/10/o-que-sobrou-daqueles-dias.html' title=''/><author><name>Fernanda</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://bp0.blogger.com/_G7QdkBA8xiw/R_90yIdj-FI/AAAAAAAAAN4/I_yd7X61TQE/S220/Blusa+Florezinhas+PB++Lateral.JPG'/></author></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-3878926.post-106450536855772399</id><published>2003-09-25T12:56:00.000-03:00</published><updated>2003-09-25T12:56:07.980-03:00</updated><title type='text'></title><content type='html'>&lt;br&gt;&lt;br&gt;&lt;b&gt;Perder alguém e encontrar a si própria&lt;/b&gt;&lt;br&gt;&lt;br /&gt;Não o reconheceria na rua. Nem ele me reconheceria.&lt;br /&gt;Porque aprendi a tocar violino, escrevi o discurso de formatura da escola e virei acadêmica de medicina. Me apaixonei pelo jazz, descobri o cinema europeu, aprendi a dirigir, cortei o cabelo, fiz skydiving, me mudei, cuidei de filhotes de cachorro, votei no lula, ganhei muitas flores, fiz endoscopia, estourei o ligamento do tornozelo, fui gentilmente carregada pra lá e pra cá durante 1 mês, fiz amigos gays, fiz amigos alternativos, fiz amigos nerds, fiz amigos inesquecíveis, fiz pequenas loucuras por amor, fiz rafting, dei entrevista pra globo, pulei de 3 bungee jumping’s, dissequei cadáver, aprendi a colher sangue, assisti a cirurgias, fiz um blog, descobri maravilhosos escritores anônimos, fui a Minas, fui a Bahia, fui a Natal, fui à Nova Zelândia, descobri que adoro salada, comecei a comer comida vegetariana, aprendi a jogar tarot, apresentei dois amigos de infância que hoje dizem que vão se casar, descobri que adoro correr, conheci o Wando, escalei um vulcão, fiz yoga, quis fazer tatuagem, decidi aprender a surfar, me viciei em nhá benta, andei de camelo, andei ensaiando numa banda, andei mergulhando de skuba, descobri como se faz pra amar alguém com simplicidade, desejo e paciência. Tudo ao mesmo tempo.&lt;br /&gt;Por isso ele não me reconheceria. Nem de longe.&lt;br /&gt;&lt;br&gt;&lt;br /&gt;(ao ver amores longínquos desabarem ao meu redor não digo nada além do óbvio: o tempo é o melhor libertador das mágoas confinadas. e de tudo aquilo que você sempre quis ser.)&lt;br /&gt;&lt;br&gt;&lt;br&gt;&lt;br /&gt;&lt;b&gt;Nuances de existência&lt;/b&gt;&lt;br&gt;&lt;br /&gt;Sou exatamente como sou.&lt;br /&gt;Sou o que esperam que eu seja.&lt;br /&gt;Sou como não admitam que eu seja.&lt;br /&gt;Sou como acredito que deveria ser.&lt;br /&gt;Sou o que gostaria de ser.&lt;br /&gt;E o que não gostaria também.&lt;br /&gt;Sou tudo aquilo que não consigo evitar e tudo o que não posso perdoar em ninguém.&lt;br /&gt;Sou as pessoas que vêm e vão e me deixam impregnada de sinceridade, dor e dúvida.&lt;br /&gt;Sou isso que você acha que sou e sou aquilo que você nunca pensou que eu pudesse ser.&lt;br /&gt;Sou aquilo que não gosto admitir que seja e sou diferente a cada minuto que passa. A cada dia que você me liga pra me contar detalhes. A cada momento em que alguém tenta me analisar com filosofia de botequim e psicologia barata. Sou um cliché avesso a futilidades e obcecado por profundezas inatingíveis. &lt;br /&gt;Sou o que afirmo o tempo todo e o que nunca tive coragem de mostrar. Mas às vezes esqueço o que sou. Como você também parece não se lembrar quem eu sempre fui e sempre vou ser. &lt;br /&gt;Parece que não me conhece...&lt;br /&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/3878926-106450536855772399?l=recheiodeque.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3878926/posts/default/106450536855772399'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3878926/posts/default/106450536855772399'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://recheiodeque.blogspot.com/2003/09/perder-algum-e-encontrar-si-prpria-no.html' title=''/><author><name>Fernanda</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://bp0.blogger.com/_G7QdkBA8xiw/R_90yIdj-FI/AAAAAAAAAN4/I_yd7X61TQE/S220/Blusa+Florezinhas+PB++Lateral.JPG'/></author></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-3878926.post-106324500659729685</id><published>2003-09-10T22:50:00.000-03:00</published><updated>2003-09-10T22:50:06.486-03:00</updated><title type='text'></title><content type='html'>&lt;br&gt;&lt;br&gt;&lt;b&gt;Sobre pertencer a um mundo que não parece seu&lt;/b&gt;&lt;br&gt;&lt;br /&gt;Procurou a chave nova na bolsa velha. Encontrou e pode chegar: cansada, tarde, triste. Disse um oi pequeno, com menos de duas letras. Os olhinhos continham-se de fracassos, mas apertaram-se. Queriam ter o direito de ficar a sós: ela e os próprios olhos. Para que pudessem trocar experiências e travar a guerra diária contra a necessidade de fazer parte do mundo. Ela se deixou pesar inteira, sobre as tábuas corridas, enquanto andava sem forças em direção ao quarto. Jogou a bolsa contra a mesa. As chaves e moedas reclamaram do impacto. Mas ela fingiu não ouvir. E deixou-se deitar. Deixou-se deitar e derrotar pelos olhos contidos, que agora não se lembram mais como se faz para parecer civilizado. Queria esquecer. Queria renegar os luxos e os confortos em toda a sua fútil condição de existência. Para que não tivesse que responder à altura de todo investimento sem recibo. Todos os empréstimos sem juros, sem cobranças, sem prazos de vencimento. Sussurrava que teria que lutar contra isso para sempre: nunca se considerar digna daquilo que consome. &lt;br /&gt;&lt;br&gt;Descontrolava-se por tudo aquilo que não poderia retribuir, todo aquele conjunto de fatores que nunca havia pedido ou sequer sonhado. Nada daquilo parecia ser sinônimo de sua felicidade; mesmo que cada pequeno detalhe contribuísse no seu tempo certo. Ainda assim sentia-se ingrata. Ingrata e ridícula quando estabelecia comparações. Mas dramas particulares não podem ser relativizados. Ou perderão sentido. Ficarão minúsculos diante de um mundo de olhinhos vermelhos e injustiçados.  &lt;br /&gt;&lt;br&gt;Revirou todas as culpas aparentemente infundadas que insistiam em existir. Remoeu todas as contradições que contorciam seus valores. Valores que outro dia, deu no jornal, foram dados como mortos. As buscas foram canceladas. &lt;br /&gt;Mas eles estão aqui, bem aqui, mergulhados no tanque da varanda. Todos de molho.&lt;br /&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/3878926-106324500659729685?l=recheiodeque.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3878926/posts/default/106324500659729685'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3878926/posts/default/106324500659729685'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://recheiodeque.blogspot.com/2003/09/sobre-pertencer-um-mundo-que-no-parece.html' title=''/><author><name>Fernanda</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://bp0.blogger.com/_G7QdkBA8xiw/R_90yIdj-FI/AAAAAAAAAN4/I_yd7X61TQE/S220/Blusa+Florezinhas+PB++Lateral.JPG'/></author></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-3878926.post-106324495821152850</id><published>2003-09-10T22:49:00.000-03:00</published><updated>2003-09-10T22:49:18.106-03:00</updated><title type='text'></title><content type='html'>&lt;br&gt;&lt;br&gt;&lt;b&gt;Caricaturas exageradas&lt;/b&gt;&lt;br&gt;&lt;br /&gt;Eu te congelei entre um olhar frio e um comentário ignorado. Bloqueei seu e-mail, não atendi às suas chamadas e mandei dizer que pra você não estou em casa. Nunca. Você diz que sou inatingível, eu digo que é impressão sua. Você muda de assunto e eu não consigo te escutar. Fala mais alto. Todos já entenderam a estratégia. &lt;br&gt;&lt;br /&gt;Todos riem quando você não está por perto. &lt;br&gt;&lt;br /&gt;Você chega depois da hora e sorri como se a amizade estivesse óbvia, como se a confiança fosse incondicional. Me pede um chiclete (o último). Toma. Me pede uma caneta, me pede anotações. Toma, toma. Me pede que eu imprima 30 páginas pra você. Não, não. A paciência já acabou faz tempo, sobrou apenas a educação. Mas ela também tem limites. Um dia, quem sabe, eu grito, xingo e choro descontroladamente. Fora dos meus domínios particulares. Enquanto isso me mordo de inveja de pessoas dispersivas e escandalosas. Um dia eu esqueço, esqueço as suas mentiras mal dosadas e as suas intimidades inconvenientes. Esqueço tudo aquilo que quero dizer. Esqueço você. Mas prometa que se esquece de mim. Mesmo sem nunca ter lido isso. Mesmo sem nunca saber. Esqueça todas as coisas que nunca te disse. &lt;br /&gt;Porque eu nunca vou dizer.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/3878926-106324495821152850?l=recheiodeque.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3878926/posts/default/106324495821152850'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3878926/posts/default/106324495821152850'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://recheiodeque.blogspot.com/2003/09/caricaturas-exageradas-eu-te-congelei.html' title=''/><author><name>Fernanda</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://bp0.blogger.com/_G7QdkBA8xiw/R_90yIdj-FI/AAAAAAAAAN4/I_yd7X61TQE/S220/Blusa+Florezinhas+PB++Lateral.JPG'/></author></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-3878926.post-106279382085059879</id><published>2003-09-05T17:30:00.000-03:00</published><updated>2003-09-05T17:38:05.266-03:00</updated><title type='text'></title><content type='html'>&lt;br&gt;&lt;br&gt;&lt;b&gt;Poema velho pro amor que se renova&lt;/b&gt;&lt;br&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Vamos relevar os fatos&lt;br /&gt;Porque são os detalhes que me revelam&lt;br /&gt;E denunciam fraquezas &lt;br /&gt;Proclamam virtudes&lt;br /&gt;Enquanto te procuro&lt;br /&gt;Em imagens sem cores&lt;br /&gt;De conversas banais.&lt;br /&gt;Depois conspiro contra a noite&lt;br /&gt;Que não te traduz em sonhos&lt;br /&gt;Para resgatar o adiamento&lt;br /&gt;Dos momentos mais simples&lt;br /&gt;Que transbordam melancólicos&lt;br /&gt;E choram por sua inexistência&lt;br /&gt;Nas quinas dos erros&lt;br /&gt;No contorno nas perfeições.&lt;br /&gt;Enquanto dissipam-se vontades &lt;br /&gt;(de te mostrar um concerto de Bach&lt;br /&gt;mais frenético do que a música eletrônica)&lt;br /&gt;Bobagens importantes acabam deturpadas &lt;br /&gt;Pelo tempo, que furta, negligente, &lt;br /&gt;Pensamentos, idéias, emoções &lt;br /&gt;Que, por serem espontâneas, &lt;br /&gt;São condenadas ao silêncio.&lt;br /&gt;&lt;br&gt;&lt;br /&gt;Me perdoe as frases longas,&lt;br /&gt;Os pensamentos soltos. As idéias fixas.&lt;br /&gt;Mas principalmente as grandes ausências&lt;br /&gt;Que sempre tentarei anestesiar&lt;br /&gt;Com pequenas presenças inesquecíveis.&lt;br /&gt;&lt;br&gt;&lt;br /&gt;Queria ter escrito uma coisa mais alegre...&lt;br /&gt;(te amo até acabar a luz)&lt;br /&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/3878926-106279382085059879?l=recheiodeque.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3878926/posts/default/106279382085059879'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3878926/posts/default/106279382085059879'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://recheiodeque.blogspot.com/2003/09/poema-velho-pro-amor-que-se-renova.html' title=''/><author><name>Fernanda</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://bp0.blogger.com/_G7QdkBA8xiw/R_90yIdj-FI/AAAAAAAAAN4/I_yd7X61TQE/S220/Blusa+Florezinhas+PB++Lateral.JPG'/></author></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-3878926.post-106261176561837290</id><published>2003-09-03T14:56:00.000-03:00</published><updated>2003-09-05T11:41:52.793-03:00</updated><title type='text'></title><content type='html'>&lt;br&gt;&lt;br&gt;&lt;b&gt;Os modernos&lt;/b&gt;&lt;br&gt;&lt;br /&gt;Então, de repente, todo mundo quer ler o Pergunte Ao Pó, todo mundo gosta de Charles Bukowski, Paulo Leminski e Henry Miller. Todo mundo já viu Alta Fidelidade e recomenda Trainspotting. Todo mundo ouve Bowie, Velvet, Suede. Todo mundo quer ter franjinha, usar meias coloridas, saia de pregas e óculos de aro grosso. Todo mundo tem blog, fotolog e baixa um milhão de mp3 por dia. Ninguém passa mais de 5 dias sem ver e-mail e mais de uma semana sem consultar London Burning e S&amp;Y. Todo mundo sabe exatamente onde fica a Casa da Matriz e acha os anos 80 uma coisa muito trash e cool. Todo mundo fala de &lt;i&gt;flash mob&lt;/i&gt; e usa até a exaustão expressões como “blasé”, “fofeeeenhos”, “amigueeenhos” e “indie”. Todo mundo tem barrafobia e uma estranha obsessão por piercings e/ou taguagens. &lt;br /&gt;&lt;br&gt;Eu continuo achando esse povo moderno realmente muito original.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/3878926-106261176561837290?l=recheiodeque.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3878926/posts/default/106261176561837290'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3878926/posts/default/106261176561837290'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://recheiodeque.blogspot.com/2003/09/os-modernos-ento-de-repente-todo-mundo.html' title=''/><author><name>Fernanda</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://bp0.blogger.com/_G7QdkBA8xiw/R_90yIdj-FI/AAAAAAAAAN4/I_yd7X61TQE/S220/Blusa+Florezinhas+PB++Lateral.JPG'/></author></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-3878926.post-106241957775441747</id><published>2003-09-01T09:32:00.000-03:00</published><updated>2003-09-01T09:32:57.686-03:00</updated><title type='text'></title><content type='html'>&lt;br&gt;&lt;b&gt;Eu concordo com você&lt;/b&gt;&lt;br&gt;&lt;br /&gt;É verdade: o concreto não me atrai. Talvez porque ele esteja exageradamente exposto por aí. O concreto está nas manhãs, dentro da minha xícara de porcelana, dissolvido no leite quente que inaugura o dia. O concreto está neste teclado. Através dele mando e-mails chorosos para amigos distantes. (Depois geralmente me arrependo: devo ser realmente uma chata.) Não vou dizer nada que me pareça absolutamente trivial; para isso servem os momentos verbais. Quero falar cada vez mais do recheio e menos do glacê. Aquela massaroca branca que todo mundo separa e deixa no cantinho do prato. &lt;br /&gt;Escrevo para despejar mais as impressões, mais as sensações e menos os fatos. Os fatos não podem ser desgastados: são para o mundo real. São para os diálogos nos engarrafamentos, para os bares da vida, para os telefonemas saudosos. Para impressionar alguém ou simplesmente manter contato.&lt;br /&gt;&lt;br&gt;Não consigo mais publicar nada que não esteja suficientemente implícito, que não esteja carregado de toda a sensibilidade mal interpretada que as circunstâncias normais me impedem de dizer.&lt;br /&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/3878926-106241957775441747?l=recheiodeque.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3878926/posts/default/106241957775441747'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3878926/posts/default/106241957775441747'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://recheiodeque.blogspot.com/2003/09/eu-concordo-com-voc-verdade-o-concreto.html' title=''/><author><name>Fernanda</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://bp0.blogger.com/_G7QdkBA8xiw/R_90yIdj-FI/AAAAAAAAAN4/I_yd7X61TQE/S220/Blusa+Florezinhas+PB++Lateral.JPG'/></author></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-3878926.post-106182034311583948</id><published>2003-08-25T11:05:00.000-03:00</published><updated>2003-08-25T11:09:39.193-03:00</updated><title type='text'></title><content type='html'>&lt;br&gt;&lt;br&gt;&lt;b&gt;Faxina com água salgada&lt;/b&gt;&lt;br&gt;&lt;br /&gt;A esteira em baixo de mim passa rápido e os pensamentos somem. Conforme a velocidade aumenta, aumenta também a demanda de concentração em empurrar o chão para trás. As preocupações vão ficando pequenas, pequenas. Minúsculas. Até que somem. O moço da bicicleta do lado canta bem alto. Eu sorrio pra ele e digo, espaçadamente, que quem-canta... seus-males-espanta. Clichê. Ele canta mais alto ainda. Correr também expulsa anjos e demônios. A pulsação é latente, demarcada, perfeita. E posso senti-la na roupa. A roupa pulsa, o olho pulsa, tudo pulsa. Nada parece tão importante quanto correr sem parar. Até ver o cronômetro virar 29:59... 30:00. Como um reveillon, só que com mais adrenalina e menos promessas. Correr e pensar torna-se improvável e, por vezes, impossível. É aí que mora o segredo. &lt;br /&gt;&lt;br&gt;Alguém passa e diz que estou vermelhinha. Eu respondo rapidamente que se eu não ficar vermelhinha é porque tem alguma coisa errada. Lembro, então, das aulas de educação física quando, desde pequena, os amiguinhos riam do meu rubor exagerado durante atividades físicas. Mas a corrida me barra de novo, me poupa de qualquer esforço mental. Até mesmo no hipocampo, essa gaveta enorme que eu tenho pra guardar memórias.&lt;br&gt;&lt;br /&gt;Às vezes eu corro no inclinado e não chego a lugar algum. Mesmo assim me esforço. E então tudo é deslocado para um segundo plano que só existe em momentos como esse. Todas as desilusões estocadas, a raiva contida e as palavras grosseiras entaladas na garganta. Tudo se dissipa pelos poros, sob forma de água salgada. Salgada de tanto guardar, relevar e esperar o momento certo. Esse é o momento certo. Até mesmo a minha infinita lista deprimente de filmes e peças a ver parece perder sentido. As pessoas medíocres, as atitudes hipócritas, a falsidade explícita e descarada e todo o conceito popular de passar a perna em alguém. Tudo transpirado. A falta de tempo para os sentimentos nobres. Esquecida. Pelo menos por enquanto.  &lt;br /&gt;No momento certo, a inclinação se desfaz. E volta ao nível do mar. Sair do inclinado é como chegar num despenhadeiro e conseguir se equilibrar. O alívio. &lt;br /&gt;&lt;br&gt;Não bebo, não fumo... só jogo quando vale a pena. Não uso pílulas da felicidade, nem perfumes delirantes. Mas a endorfina é bem-vinda e fisiológica. Faz bem à circulação, à respiração e à auto-estima. E não vem com uma advertência desagradável. O fim do barato não traz a culpa ou a depressão.&lt;br /&gt;&lt;br&gt;Quando o tempo se esgota eu me sinto leve. A água limpa encontra a boca quente e desce gelada pelos órgãos cansados, irrigando o que foi agressivamente faxinado. &lt;br /&gt;E tudo se suaviza.&lt;br /&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/3878926-106182034311583948?l=recheiodeque.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3878926/posts/default/106182034311583948'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3878926/posts/default/106182034311583948'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://recheiodeque.blogspot.com/2003/08/faxina-com-gua-salgada-esteira-em.html' title=''/><author><name>Fernanda</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://bp0.blogger.com/_G7QdkBA8xiw/R_90yIdj-FI/AAAAAAAAAN4/I_yd7X61TQE/S220/Blusa+Florezinhas+PB++Lateral.JPG'/></author></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-3878926.post-106182029920535135</id><published>2003-08-25T11:04:00.000-03:00</published><updated>2003-08-25T11:15:18.773-03:00</updated><title type='text'></title><content type='html'>&lt;br&gt;&lt;br&gt;&lt;b&gt;Conselhos alojados&lt;/b&gt;&lt;br&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Eu estava no banco de carona quando, de repente, interrompendo o silêncio das reflexões solitárias, ele me perguntou:&lt;br /&gt;- Fê... O que é que tem de errado comigo?&lt;br /&gt;Eu me espantei.&lt;br /&gt;- Hã?? Como assim?&lt;br /&gt;- O que é que eu faço de errado?&lt;br /&gt;Pela fisionomia eu entendi, entendi tudo. Estava falando de mulher. (Se tem alguma coisa mais deprê do que mulher com dor de cotovelo é homem descrente da raça feminina.)&lt;br /&gt;&lt;br&gt;Eu quis falar tudo o que sempre senti em relação a ele.&lt;br /&gt;- Sabe o que te falta? Naturalidade.&lt;br /&gt;- Naturalidade??? Você me acha artificial?&lt;br /&gt;Eu hesitaria. Mas mandaria na lata.&lt;br /&gt;- Acho. Acho, sim. Falta um quê de poesia desleixada, subentendida naqueles olhinhos vívidos de quem não sei deixa levar pelos cochichos alheios.&lt;br /&gt;- Mas nadar contra a corrente o tempo todo também é exaustivo.&lt;br /&gt;- Eu sei, eu sei, você tá coberto de razão. &lt;br /&gt;- Mas então se eu...&lt;br /&gt;- Falta a paciência de quem espera sem saber. Falta matar o tempo com pequenos prazeres Amelié-Poulainicos: mergulhar a mão em um saco de lentilhas, afundar o pé nu em terra molhada, o barulho do pote do gato ao encontro do azulejo da cozinha. Falta aprender a saborear um único bombom ao invés de devorar a caixa inteira. &lt;br&gt;&lt;br /&gt;Você precisa ser mais essência, mais impulso. Menos tentativas, menos especulações e estratégias. Mais suco da fruta e menos suco da latinha: colorido e aromatizado artificialmente. Esqueça os conservantes e corra o perigoso risco de apodrecer, se decompor, definhar e desaparecer. Pra depois começar tudo de novo.&lt;br /&gt;Não se estabeleça um prazo de validade. Mas também não me peça um certificado de incompetência. Não agora, não assim, desse jeito. Não perca as esperanças antes da hora.&lt;br /&gt;&lt;br&gt;Se atenha mais aos detalhes: o jeito com que ela molha os lábios, o barulho que ela faz ao rir, as meias que ela gosta de usar e a alteração de voz quando ela fica triste. A gente se apaixona pelos detalhes.&lt;br /&gt;Seja bicho-do-mato mais vezes por semana. Quieto, introspectivo, minucioso. E dali a dois segundos preciso, extremo, instintivo. Tome menos cuidados com as palavras. Nossos dias estão repletos de gente civilizada, cheia de dedos e medos. Tenha menos preguiça de ser, mesmo que você seja um milhão de pessoas diferentes. Assuma todas elas; contanto que sejam... naturais.&lt;br&gt;&lt;br /&gt;Mas acabei respondendo alguma coisa bem óbvia e trivial, omitindo tudo. Como dizer a uma pessoa que ela parece forçada sem induzir uma grave crise existencial?&lt;br /&gt;Deus do céu, como sou hipócrita.&lt;br /&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/3878926-106182029920535135?l=recheiodeque.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3878926/posts/default/106182029920535135'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3878926/posts/default/106182029920535135'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://recheiodeque.blogspot.com/2003/08/conselhos-alojados-eu-estava-no-banco.html' title=''/><author><name>Fernanda</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://bp0.blogger.com/_G7QdkBA8xiw/R_90yIdj-FI/AAAAAAAAAN4/I_yd7X61TQE/S220/Blusa+Florezinhas+PB++Lateral.JPG'/></author></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-3878926.post-106008703705607566</id><published>2003-08-05T09:37:00.000-03:00</published><updated>2003-08-05T09:42:00.833-03:00</updated><title type='text'></title><content type='html'>&lt;br&gt;&lt;br&gt;&lt;b&gt;Vida em trânsito&lt;/b&gt;&lt;br&gt;&lt;br /&gt;Piso no freio. &lt;br /&gt;&lt;br&gt;O rosto da moça do carro de trás se enche de vermelho. Mas ela parece não perceber. Está concentrada no sinal e no que ocorre em volta. Está escuro e eu deveria estar fazendo o mesmo. Mas o vermelho no rosto dela me incomoda. Solto o freio devagar até constatar que o carro continua parado. Eu me distraio, entre as músicas do disco novo e a lista mental de afazeres. Chegar em casa, jantar, tomar banho e estudar mais um pouco sobre os espetaculares bloqueadores neuromusculares. Não. Cansada demais. Chegar em casa, jantar, tomar banho e dormir. Dormir direito. Amanhã acordo 6 e meia.&lt;br /&gt;&lt;br&gt;Abre o sinal. Pra chegar em casa tenho que passar por uma rua escura e cheia de lendas urbanas. Mas isso não me incomoda mais. A rua é minha amiga e me poupa tempo, essa coisa que quanto mais a gente precisa, menos a gente tem. Pro meu pai, o tempo parece ser praticamente uma relíquia. Um fóssil de importante valor histórico. &lt;br /&gt;Pros meus avós, o tempo é um pé de tangerina, que cresce lento e demorado. E dali a 3 meses eu pergunto: “vó, e a tangerina? Já deu?” Ela diz não. Ainda não. E sorri, sem pressa. Mas mamão tá dando a bessa.&lt;br /&gt;&lt;br&gt;Um cara me fecha, mas eu não reclamo. Tenho que fazer o trabalho de fisiologia ainda hoje. Pegar a aula que perdi no sábado. Revelar 2 filmes. Comprar 2 presentes. Isso fora o do meu pai. (Engraçado como oportunidades de demonstração de carinho, mesmo com intenções reais comerciais, podem se tornar fontes de estresse coletivo.) E, mesmo findadas as obrigações, sinto como se estivesse dormindo pouco, namorando pouco, vendo meus amigos pouco, estudando pouco. Indo a poucas peças, lendo poucos livros. O que será que ando fazendo muito para estar vivendo pouco? Um sinal ali na frente amarela e dou aquela aceleradinha carioca. Ufa... Passei. Lembro daquela música da Adriana Calcanhoto que eu detesto: “cariocas não gostam de sinais fechados...” Detesto mais ainda concordar com ela. &lt;br /&gt;&lt;br&gt;Chego em casa. Oi pro porteiro. Garagem. Estaciona. Sai. Elevador. Subo com um menininho que diz que o elevador tem cheiro de meleca. A mãe o repreende: menino, o que é isso? Hahaha. Tchau. Até logo. Relevemos o cansaço e a dor de garganta em prol da gentileza com os vizinhos. Isso me parece nobre.&lt;br /&gt;&lt;br&gt;Porta. Casa. Festa de cachorro, sempre pontual, sua fofa. Oi pra todo mundo. Estou com fome. Tem sopa, pode esquentar. Hum, o cheiro está bom. Como foi seu dia? Depois banho, depois cama. Igual a todo mundo. Mas aí ele me liga. Voz cansada. Diz que quer me levar amanhã. No caminho pro centro a gente conversa, hoje não deu. &lt;br /&gt;Não deu tempo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/3878926-106008703705607566?l=recheiodeque.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3878926/posts/default/106008703705607566'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3878926/posts/default/106008703705607566'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://recheiodeque.blogspot.com/2003/08/vida-em-trnsito-piso-no-freio.html' title=''/><author><name>Fernanda</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://bp0.blogger.com/_G7QdkBA8xiw/R_90yIdj-FI/AAAAAAAAAN4/I_yd7X61TQE/S220/Blusa+Florezinhas+PB++Lateral.JPG'/></author></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-3878926.post-105977109622327685</id><published>2003-08-01T17:51:00.000-03:00</published><updated>2003-08-01T17:59:04.820-03:00</updated><title type='text'></title><content type='html'>&lt;br&gt;&lt;br&gt;&lt;b&gt;Futilidades da vida privada&lt;/b&gt;&lt;br&gt;&lt;br /&gt;É verdade, tenho vontade de deixar o cabelo crescer de novo. Mas as vantagens não me parecem lá muito estimulantes quando comparadas ao prático corte curtinho&lt;br /&gt;&lt;br&gt;&lt;u&gt;Vantagens do cabelo curto:&lt;/u&gt;&lt;br&gt;&lt;br /&gt;- 3 minutos pra lavar&lt;br /&gt;- 1 minuto pra pentear&lt;br /&gt;- o shampoo e o condicionador duram um tempão&lt;br /&gt;- economia de água e energia elétrica&lt;br /&gt;- maleabilidade: dá pra inventar um monte de caras diferentes sem sair de casa&lt;br /&gt;- alívio térmico insubstituível nos dias de sauna no Rio de Janeiro&lt;br /&gt;- alívio térmico indispensável em shows superlotados&lt;br /&gt;- escova e corte mais baratos e rápidos&lt;br /&gt;&lt;br&gt;&lt;br /&gt;&lt;u&gt;Vantagens do cabelo comprido:&lt;/u&gt;&lt;br&gt;&lt;br /&gt;- aparentemente ele é mais... feminino, bonito, sexy&lt;br /&gt;&lt;br&gt;Escolha difícil.&lt;br&gt;&lt;br&gt;&lt;br /&gt;&lt;b&gt;Quem vai me julgar&lt;/b&gt;&lt;br&gt;&lt;br /&gt;E se eu quiser emagrecer? E se eu quiser uma sandália nova? E se eu quiser um quadro enorme? E se eu não quiser mais tocar violino? Por enquanto, até eu me arrepender e tocar durante 1 hora, 2 horas. Sem parar. E se eu quiser ficar sem escrever nada lírico ou poético? E se eu estiver tão cansada a ponto de não conseguir comer? Cama sem mesa e sem banho. E se eu não quiser sair e nem ficar em casa? Não querer mais decidir, nem pensar, nem ponderar nada. E se eu quiser tirar fotografias da parede? E se eu quiser andar de pedalinho? E se eu quiser tomar um porre? Cantar num karaokê de verdade? Espantar a timidez de alguma forma, essa coisa que me caracteriza e descaracteriza. E me contradiz. Tudo ao mesmo tempo. E se eu não quiser fazer mais nada só pra agradar alguém? E se eu não quiser conhecer ninguém novo? Cansada de desconfiar das máscaras alheias. Bando de &lt;i&gt;posers&lt;/i&gt;. E se eu quiser matar aula e ir à praia? E se eu nunca mais quiser usar maquiagem, salto alto ou vestido longo? Ninguém vai me demover. E se eu quiser ficar 3 dias sem falar? Sem música, sem tv. Só o vento lá fora. &lt;br /&gt;Estiagem aqui dentro.&lt;br /&gt;&lt;br&gt;&lt;br&gt;&lt;b&gt;Por que ir a shows&lt;/b&gt;&lt;br&gt;&lt;br /&gt;Los Hermanos e toda a sua sutileza. &lt;br /&gt;No palco eles viram gigantes sensíveis. Entoamos até mesmo os solos dos metais. Eles se emocionam.&lt;br /&gt;E nos sentimos importantes. &lt;br /&gt;&lt;br&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/3878926-105977109622327685?l=recheiodeque.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3878926/posts/default/105977109622327685'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3878926/posts/default/105977109622327685'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://recheiodeque.blogspot.com/2003/08/futilidades-da-vida-privada-verdade.html' title=''/><author><name>Fernanda</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://bp0.blogger.com/_G7QdkBA8xiw/R_90yIdj-FI/AAAAAAAAAN4/I_yd7X61TQE/S220/Blusa+Florezinhas+PB++Lateral.JPG'/></author></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-3878926.post-105898036297034580</id><published>2003-07-23T14:12:00.000-03:00</published><updated>2003-07-23T14:24:31.343-03:00</updated><title type='text'></title><content type='html'>&lt;br&gt;&lt;br&gt;&lt;b&gt;High school sweet-heart&lt;/b&gt;&lt;br&gt;&lt;br /&gt;“Olha quem tá ali...” ele me disse assim, meio sem compromisso. E ela nos reconheceu quase que imediatamente. Veio falar conosco. Sorriu com os grandes olhos azuis que sempre me chamaram a atenção ali, entre as ruguinhas do rosto. De já voux: escola e todo o seu ritual. Eu elaborava uma redação com facilidade. Alguém do meu lado deixava escapar baixinho: “como os olhos dessa professora são bonitos...” O sinal tocava, eu entregava a redação, arrumava tudo e corria pra encontrar meus amigos no corredor. Eles eram de outras turmas, outros anos. Dispersos em um sentido. Unidos em outro. Queridos em todos os ângulos possíveis. A sensação nostálgica já é instalada e subentendida.&lt;br /&gt;&lt;br&gt;Ela nos cumprimenta:&lt;br /&gt;- E aí, tá fazendo o quê?&lt;br /&gt;- Medicina. &lt;br /&gt;- E você? &lt;br /&gt;- Desenho industrial. &lt;br /&gt;- Que bom... Tão passeando?&lt;br /&gt;- Pois é, os meus pais estão morando aqui... a gente veio passar uns dias. &lt;br /&gt;- Ah é bom pra descansar um pouco, né?&lt;br /&gt;Ela sorri daquele jeito tranqüilo de quem já viveu a fase da fome de viver.&lt;br /&gt;- Que bom que vocês ainda estão juntos.&lt;br /&gt;A gente se despede e ele me pergunta:&lt;br /&gt;- Você acha que ela se lembra onde a gente teve aula com ela?&lt;br /&gt;- Ah, acho que não. É muita gente...&lt;br /&gt;Ele encerra o assunto rapidinho. Sabe que sou saudosista. &lt;br /&gt;Que bom que ainda estamos juntos.&lt;br /&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/3878926-105898036297034580?l=recheiodeque.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3878926/posts/default/105898036297034580'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3878926/posts/default/105898036297034580'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://recheiodeque.blogspot.com/2003/07/high-school-sweet-heart-olha-quem-t.html' title=''/><author><name>Fernanda</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://bp0.blogger.com/_G7QdkBA8xiw/R_90yIdj-FI/AAAAAAAAAN4/I_yd7X61TQE/S220/Blusa+Florezinhas+PB++Lateral.JPG'/></author></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-3878926.post-105898027714204046</id><published>2003-07-23T14:11:00.000-03:00</published><updated>2003-07-23T14:21:13.300-03:00</updated><title type='text'></title><content type='html'>&lt;br&gt;&lt;br&gt;&lt;b&gt;Ponto de Fuga&lt;/b&gt;&lt;br&gt;&lt;br /&gt;Quando os momentos são muito ternos e a paz é intermitente, a inspiração não vem. Não vem, não adianta. Os textos não fluem e as palavras são escassas para definir a sensação de amplidão durante uma calmaria generalizada. Como deitar-se num campo que se estende até o horizonte. O mato do seu lado, ultrapassando o nível do seu corpo, e o céu lá em cima, azul, poucas nuvens. Buscar algum sentido em tudo isso aqui. Depois chegar à mesma conclusão unânime de todo mundo e todo tempo: não faz sentido algum. Conformar-se. Levantar-se. Tirar a poeira da roupa. E depois pensar algo como: “talvez em uma única pessoa eu encontre um motivo que eleve meus acasos à condição de decisões”. Como decidir sua vida em um minuto. É verdade, estamos sempre decidindo nossas vidas em um minuto. Uma palavra de conforto na hora certa, uma sinceridade na hora errada e um beijo no momento mais inesperado de todos. Um ingresso de teatro ganho, uma passagem de avião perdida, um ônibus que vai para o lugar errado. Um poema, um texto, uma homilia do padre dizendo tudo aquilo que você precisava escutar. Os olhos se enchem d’água, mas você se controla para não deixar transparecer assim, gratuitamente. O homem tem essa mania de querer ser grande, maduro, forte e poderoso. Eu também tenho: chorar em público sempre me pareceu uma tarefa árdua e nada digna de uma mocinha crescida. Nunca cogitei usar os hormônios femininos como desculpa óbvia para os nervos à flor da pele. E, por isso, já fui interpretada como insensível, conformada, passiva... Já me disseram: “você não sabe querer” e, por alguns momentos, cheguei a acreditar nisso. E não há nada mais retrógrado em termos de auto-conhecimento do que acreditar em algo controverso que alguém disse sobre você. &lt;br&gt;&lt;br /&gt;Hoje acredito em algo menos pragmático. Não sou uma das pessoas mais argumentativas que conheço. Mas isso não significa que sou passiva diante de todo esse processo de interação. A menina ruiva sabia das coisas: “Não responder verbalmente não significa, necessariamente, ser passivo. Estamos nos comunicando em tantos níveis simultaneamente...” Em pleno império da globalização de idéias, onde a linguagem é o princípio ativo da vida, as pessoas se esquecem das várias camadas da comunicação e dos vários sentidos que as palavras “passivo” e “ativo” podem assumir. De repente me encontro engajada em um processo ativo, sendo lavada e levada pelas informações, mas sem uma função definida nesta hierarquia desordenada. Até que o silêncio apaga as luzes e estou sozinha novamente. Sem certezas, sem palavras. Apenas o impulso de voltar pra casa e adiar os confrontos, cansada demais para enfrentar a linguagem... Quem sabe talvez num texto longo e sem desfecho. Talvez a nossa espera pelo final do livro seja árdua demais. Talvez ele não tenha um final. E talvez isso o torne algo mais que um livro, um filme, um "post viajante".&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/3878926-105898027714204046?l=recheiodeque.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3878926/posts/default/105898027714204046'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3878926/posts/default/105898027714204046'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://recheiodeque.blogspot.com/2003/07/ponto-de-fuga-quando-os-momentos-so.html' title=''/><author><name>Fernanda</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://bp0.blogger.com/_G7QdkBA8xiw/R_90yIdj-FI/AAAAAAAAAN4/I_yd7X61TQE/S220/Blusa+Florezinhas+PB++Lateral.JPG'/></author></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-3878926.post-105819101154569951</id><published>2003-07-14T10:56:00.000-03:00</published><updated>2003-07-14T11:12:42.166-03:00</updated><title type='text'></title><content type='html'>&lt;br&gt;&lt;Br&gt;&lt;b&gt;As pequenas coisas maravilhosas &lt;/b&gt;&lt;Br&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Uma vez você me disse que o que mais gostava em mim era “essa sua capacidade de amar pequenas e grandes coisas.” Fiz uma lista do tamanho do meu carinho e da minha atenção. E da minha minuciosidade.&lt;br /&gt;&lt;Br&gt;Posteriormente, quem sabe, ela não vira um elemento permanente aí do lado, em algum cantinho da receita.&lt;br /&gt;&lt;Br&gt;&lt;b&gt;Gosto:&lt;/b&gt; de acreditar na previsão do tempo, de ler devagar, de escrever cartão, de comprar presente, de fazer as unhas, de óculos escuros, de foto de Polaroid, de pizza de banana, do centro da cidade, de carne mal passada, de comida vegetariana, de mato, de ler a crítica do filme, de praia de manhã cedinho, de correr, de nadar, de spinning, de fotografia em preto-e-branco, de marchinhas francesas, de comer massa de bolo antes de levá-la ao forno, de sauna a vapor, de meditação, de caderno novo, de arte moderna, de montanha russa, de rabanadas da vovó no natal, de seriados bobos, de musicais dos anos 30, de cheiro de pólvora, de tamanduá bandeira, de visual anos 50, com cabelos com cachinhos e vestidos de bolinhas, de crepe de chocolate, de salada, de brigadeiro na panela, de sopa de legumes, de ouvir Rádio MEC, de anotar provérbios, de colecionar caixinhas de fósforo, de neve, de aromaterapia, de toda noite procurar a lua, de mergulho em alto mar, de ficar descalça, de piano de cauda longa e de deitar no chão.&lt;br /&gt;&lt;Br&gt;&lt;b&gt;Não gosto:&lt;/b&gt; de programa de baixaria de auditório, de coca-cola, de motel, de celular com musiquinha, de ver passarinho em gaiola, de aula depois do almoço em anfiteatros grandes e escuros, de Carnaval, de ficar sozinha em casa, de encher bola de festa, de mangá, de cigarro, de falar em público, de camarão, de ficar horas no telefone, da minha constante desorganização, de ser indecisa, de prova de múltipla escolha, de festas black-tye, que são sempre cheias de gentes com máscaras invisíveis e palavras com segundas intenções, de maquiagem, de salto alto, de me sentir menina-indefesa-donzela-em-apuros, de strogonoff, de relógio digital, de máquina digital, de tomar banho sem lavar o cabelo, de bebida alcoólica, de gente blasé, de extremismos, de mostarda, de usar maiô, de rave, de café, de comer besteira, de ser rotulada, de lugares superlotados, de fazer conta, de estacionar o carro, de beijos casuais, de biscoito globo doce, de passar roupa, de fazer açougue, de estar na moda e de dormir à tarde.&lt;br /&gt;&lt;Br&gt;&lt;b&gt;Alternativamente:&lt;/b&gt; Radiohead, &lt;a href=http://www.animamundi.com.br&gt;Anima Mundi&lt;/a&gt;, Travis, meias coloridas, Blur, all star, Belle &amp; Sebastian, &lt;a href=http://www.londonburning.com.br&gt;London Burning&lt;/a&gt;, Black Box Recorder, &lt;a href="http://www. mmrecords.com.br"&gt;Midsummer Madness&lt;/a&gt;, Reindeer Section, Tributo ao Inédito, Dave Matthew’s Band, &lt;a href=http://www.bscene.cjb.net&gt;B-Scene&lt;/a&gt;, Garbage, &lt;a href=http://www.bacana.art.br&gt;Bacana&lt;/a&gt;, Portishead, Matriz e Bunker, The Cardigans, The Smiths, The Cranberries, The Cure, The Charlatans, filmes do Kevin Smith, Weezer, Teenage Fanclub e toda a interminável lista de mp3s a baixar&lt;br /&gt;&lt;Br&gt;&lt;b&gt;Classicamente:&lt;/b&gt; o poderoso Bach, o incrível Beethoven, o perfeito Mozart, o emocionante Dvorak, o inesquecível Vivaldi. Os outros gênios queridos: Chopin, Brahms, Schumann, Ravel, Tchaikowsky, Mendelsshon, Stravinsky, Rachmaninov, Wagner, Handel, Haydn, Liszt, Schubert, Verdi, Prokofiev. E os músicos-anjos Jacqueline Du Pré, Yo-yo Ma e as Filarmônicas de Berlim e Vienna.&lt;br /&gt;&lt;br&gt;&lt;b&gt;Jazzisticamente:&lt;/b&gt; Miles Davis, Stan Getz, Chet Baker, Billie Holiday, Charlie Parker, Duke Ellington, Frank Zappa, Eddie Condon, John Coltrane, Ella Fitzgerald, Donald Byrd, Nina Simone&lt;br /&gt;&lt;Br&gt;&lt;b&gt;Brasileiramente:&lt;/b&gt; chorinho, Pixinguinha, samba de raiz, nossa sexy bossa nova, Tom, Vinícius, Elis, João Gilberto, Toquinho, Baden, Miucha, Los Hermanos, Gil, Pato Fu, Milton Nascimento, Kid Abelha, Hermeto Pascoal, Ernesto Nazareth, Paralamas, Seu Jorge, Astrud Gilberto, Titãs, Chico Buarque, Fernanda Porto, Rita Lee, Joaquim Ferreira dos Santos, Rubem Braga, Cecília, Clarice, Vinícius, Machado, Veríssimo, Quintana, João Ubaldo Ribeiro, Jorge Amado, Jorge Furtado&lt;br /&gt;&lt;br&gt;&lt;b&gt;As Divas minhas:&lt;/b&gt; Tori Amos, Fiona Apple, Billie, Ella e Nina, Bebel Gilberto, Madonna, Sarah McLachlan, Sarah Vaughan, Tracy Chapman e Aretha Franklin&lt;br /&gt;&lt;br&gt;&lt;b&gt;Eternamente:&lt;/b&gt; Beatles, Creedence, Led Zeppelin, Velvet, Queen, Stones, The Doors, The Moody Blues, Louis Armstrong, Shakespeare, Neruda, Nietzsche, Woody Allen, Stanley Kubrich, David Lynch, Moliére, Ayrton Senna, Monet, Van Gogh, Rodin e Marilyn Monroe&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/3878926-105819101154569951?l=recheiodeque.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3878926/posts/default/105819101154569951'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3878926/posts/default/105819101154569951'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://recheiodeque.blogspot.com/2003/07/as-pequenas-coisas-maravilhosas-uma.html' title=''/><author><name>Fernanda</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://bp0.blogger.com/_G7QdkBA8xiw/R_90yIdj-FI/AAAAAAAAAN4/I_yd7X61TQE/S220/Blusa+Florezinhas+PB++Lateral.JPG'/></author></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-3878926.post-105762804954335350</id><published>2003-07-07T22:34:00.000-03:00</published><updated>2003-07-07T23:22:45.753-03:00</updated><title type='text'></title><content type='html'>&lt;br&gt;&lt;br&gt;&lt;b&gt;Liquidificador&lt;/b&gt;&lt;br&gt;&lt;br /&gt;Se eu perdesse a luminosidade você ainda seria capaz de me enxergar? Se eu esquecesse a velocidade das ondas sonoras você ainda ouviria as minhas notas arranhadas? &lt;br&gt;&lt;br /&gt;Às vezes tenho medo de não conseguir mais ser brasa, brisa, nova, neve. Ardendo em chamas como gelo e fogo. Pra manter as coisas vivas aqui dentro e lá fora. Me peça alguma coisa.&lt;br /&gt;&lt;br&gt;Posso ser uma orquestra de jazz se você quiser. Posso ser o prelúdio em dó menor de Bach, com aquela dinâmica de charme e tristeza. Mas não peça que me torne uma banda de rock, assim, de repente. Posso não estar preparada para toda a loucura, a força e o desprendimento que o rock exige. Não me entenda mal: eu preciso do rock em todas as suas pretensões de incorporar a língua, a saliva e os dentes de nossos sentimentos modernos. O problema é que não sei bem como provocar um tornado de verdade e fúria. Então peço a tempestade emprestada ao rock. Às vezes me esqueço de devolver e ela me torna inconstante e incompreensível. &lt;br /&gt;&lt;br&gt;Tenho medo de me tornar ilegível. De misturar sentimentos exagerados a uma prolixidade confusa dentro de um liquidificador quebrado. E de ser hipnotizada pelas espirais formadas lá dentro e, depois, servir um suco intragável de emoções com prazo de validade vencido. Gerando uma intoxicação generalizada. Inclusive a minha própria. Me peça algo concreto agora. Nada que eu possa abstrair o sentido e me esconder atrás de palavras metaforizadas. Me peça um beijo.&lt;br /&gt;&lt;br&gt;Você fala sem parar. Eu ainda não aprendi a dosar meus silêncios perdidos entre cada uma de suas fascinantes impressões. Um filme, um poeta, uma reportagem, uma história de um desconhecido. Um trunfo, uma derrota. E todas as suas conclusões imperfeitas. Te dou um conselho redundante e você fala daquela minha mania, daquela coisa de querer cuidar do mundo. Eu finjo ficar com raiva. Você sorri e muda de assunto. E o céu muda de cor. &lt;br /&gt;Mas o nosso filme é preto e branco.&lt;br&gt;&lt;br&gt;&lt;br&gt;&lt;br&gt;&lt;br /&gt;(imagens novas &lt;a href="http://www.maisdemil.blogger.com.br"&gt;por lá&lt;/a&gt;)&lt;br&gt;&lt;br /&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/3878926-105762804954335350?l=recheiodeque.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3878926/posts/default/105762804954335350'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3878926/posts/default/105762804954335350'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://recheiodeque.blogspot.com/2003/07/liquidificador-se-eu-perdesse.html' title=''/><author><name>Fernanda</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://bp0.blogger.com/_G7QdkBA8xiw/R_90yIdj-FI/AAAAAAAAAN4/I_yd7X61TQE/S220/Blusa+Florezinhas+PB++Lateral.JPG'/></author></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-3878926.post-96003788</id><published>2003-06-25T01:01:00.000-03:00</published><updated>2003-06-25T01:08:07.000-03:00</updated><title type='text'></title><content type='html'>&lt;br&gt;&lt;br&gt;&lt;b&gt;Noites em claro&lt;/b&gt;&lt;br&gt;&lt;br /&gt;E de repente férias. Como é bom ser estudante. Réles acadêmica com orgulho. Deveria me render às coisas mundanas da vida. Mas as palavras pulam rapidamente da mente aos dedos, sem esperar a hora certa, sem construir uma fila indiana de fluxogramas e esquematizações de idéias racionais. Porque não são racionais. Algumas escapolem, outras se fixam no plano branco como decalques em meus cadernos de criança. Decalques que eu dissolvia na água e depois apertava, cuidadosamente, contra a capa dos cadernos, secando-os, em seguida, com uma toalha. Pouco antes do advento dos adesivos e de toda a descoberta de sua versatilidade. &lt;br /&gt;&lt;br&gt;Mas a madrugada me intriga. E as idéias voltam todas para extinguir os conceitos mais recorrentes da madrugada, em todos os seus nuances camaleônicos. A intenção seria contrariar o senso comum do frenessi e da magia indiscutíveis, sob pontos de vista que gritam, em uníssono, qual seria a intenção da noite. A medicina me trouxe, em sua forma mais didática, a propriedade de admirá-las de igual para igual, eu e minhas noites de sono negligenciadas. &lt;br /&gt;&lt;br&gt;Sou uma admiradora platônica e declarada das madrugadas. Juntei meus pedaços de papel em livros e cadernos tal como &lt;a href="http://www.ohomemquecopiava.com.br"&gt;André &lt;/a&gt;juntara dinheiro para comprar seu binóculo e admirar a vizinha do prédio em frente. Nesse sentido, sou tão voyeur quanto ele.&lt;br /&gt;&lt;br&gt;Não sou uma devoradora voraz de todos os deleites que a noite pode oferecer. Não sou uma aproveitadora perspicaz de toda a sua pimenta e tempero bem dosados. Não tenho o sarcasmo e o despreendimento necessários para tirar proveito de todas as suas intrigas e seduções irresistíveis. Nem a paciência digna de seus labirintos embutidos na teoria imediatista do “viver intensamente”. Sou o menino de óculos que sentava atrás da garota de trancinhas e perdia a fala toda vez que ela olhava pra ele. Hoje ele se formou, ficou bonito e namorou muitas moças. Mas nunca encostou os dedos nos cabelos dela. &lt;br /&gt;&lt;br&gt;Compreendo a madrugada dentro de sua quietude experiente, acompanhando as luzes dos prédios que se apagam todas, uma a uma. Mas não a minha. Pois ainda há muita informação a ser engavetada enquanto o tempo lento da noite pinga, pinga e não faz barulho. Esse tempo que apenas os que resistem ao sono são capazes de reconhecer. A resistência se dá pela arma química da cafeína encapsulada na perseverança que vem de dentro. E mesmo quando a obrigação de levantar cedo é provisoriamente suspensa me surpreendo buscando o olhar atencioso e, ao mesmo tempo, ausente da madrugada, tentando decifrar suas intenções absolutas e me localizar entre sua consideração e sua indiferença. Quero me libertar de todos as suas definições impostas por mentes prolixas como a minha.&lt;br /&gt;&lt;br&gt;A Noite é essa mulher complicada com infinitos detalhes que eu nunca vou conseguir dimensionar. Porque não é minha. Nunca foi e nunca será. &lt;br /&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/3878926-96003788?l=recheiodeque.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3878926/posts/default/96003788'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3878926/posts/default/96003788'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://recheiodeque.blogspot.com/2003/06/noites-em-claro-e-de-repente-frias.html' title=''/><author><name>Fernanda</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://bp0.blogger.com/_G7QdkBA8xiw/R_90yIdj-FI/AAAAAAAAAN4/I_yd7X61TQE/S220/Blusa+Florezinhas+PB++Lateral.JPG'/></author></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-3878926.post-95954262</id><published>2003-06-23T15:39:00.000-03:00</published><updated>2003-06-23T15:39:15.926-03:00</updated><title type='text'></title><content type='html'>&lt;br&gt;&lt;br&gt;&lt;b&gt;Idéias de jerico?&lt;/b&gt;&lt;br&gt;&lt;br /&gt;Todo mundo tem idéias loucas para invenções improváveis. Um dia comecei a anotar as minhas e, contrariando os comentários gerais de que os textos andam viajantes e tristes, compartilho aqui 5 delas. &lt;br /&gt;&lt;br&gt;&lt;b&gt;Seguro-Guarda-Chuva.&lt;/b&gt; O guarda-chuva é aquele objeto que parece pedir pra ser esquecido em algum lugar, simplesmente porque só nos lembramos dele enquanto está chovendo e, mesmo assim, quando a chuva é forte, porque eu sou capaz de andar meia-hora numa chuvinha mocoronga e não pegar o guarda-chuva dentro da mochila. Um dia meu pai, meu avô e meu tio, todos tricolores doentes, foram ao Maracanã debaixo de um toró. Os três levaram seus respectivos guardas-chuva. Os três esqueceram seus guardas-chuva na arquibancada. Ou o jogo foi muito bom e eles saíram de lá gritando e dançando e correram pro bar mais próximo; ou o jogo foi muito ruim e eles saíram de lá deprimidos e correram pro bar mais próximo; ou então eles simplesmente deram o azar de a chuva ter parado, as ruas terem secado e , assim, perderam todos os guardas-chuva ao mesmo tempo. Por essas e outras deveria ser inventada uma espécie de seguro. Todas as lojas e camelôs que vendem guardas-chuva deveriam oferecer à pessoa uma promoção do tipo: “se você pagar mais, sei lá, 4 reais ao levar esse guarda-chuva, você pode vir aqui pegar outro igual quando perdê-lo”. Ideal. Está bem, pode até conter alguns problemas estruturais do tipo "como provar que o cara realmente perdeu o guarda-chuva e não está levando um guarda-chuva mais barato pra outra pessoa?" Mas a essência da idéia me parece interessante.&lt;br /&gt;&lt;br&gt;&lt;b&gt;Sing-a-long de Partitura.&lt;/b&gt; Todo mundo já viu, pelo menos algum relance, de um sing-a-long da Disney. Os bichinhos cantam e dançam felizes da vida e aparece, na parte inferior da tela, a letra da música. A sílaba ou palavra da música que está sendo cantada vai sendo destacada por um iluminador ou por um objeto (como um pote de mel no caso do Ursinho Puff). E assim vai. E assim você decora a música. Eu preciso de um esquema desses pra não me perder nas partituras. Às vezes, no meio de um compasso, tudo está indo muito bem quando de repente: branco. Onde eu estava? E me perco no meio de todas as notinhas embaralhadas, a música fica capenga e perde o sentido e eu tenho que voltar desde o início. Por isso, preciso de um Sing-a-long de Partitura imediatamente! Minha professora agradece.&lt;br /&gt;&lt;br&gt;&lt;b&gt;Embaralhador virtual de papelzinho de amigo oculto.&lt;/b&gt; Pois é, o fato é que eu tenho esses 30 amigos íntimos. E entre nós, uma reuniãozinha petit comitee sempre acaba virando uma festona com uma falação doida e muitas gente no chão porque todos os sofás e cadeiras já estão ocupados. Então, por ser muita gente, fim de ano é sempre a mesma coisa: todo mundo quer participar do amigo oculto. Mas nunca conseguimos reunir todo mundo num dia só pra sortear. O dia do amigo oculto em si também é um parto a ser decidido (uma vez ele foi tão adiado que acabou acontecendo no final de março), mas esse já é outro problema. Amigo oculto virtual não dá, mas as confusões pra sorteá-lo poderiam ser perfeitamente evitáveis já que todo mundo é devidamente informatizado e tecnológico. Inventa-se um embaralhador virtual de papelzinhos e pronto. Cada um recebe, por email, o seu amigo oculto. Relativamente seguro e altamente prático.&lt;br /&gt;&lt;br&gt;&lt;b&gt;Luzinha indicativa na chave do carro.&lt;/b&gt; Sempre, depois de sair do carro, 30 passos depois, vem a dúvida: “tranquei o carro?” O problema está nessas chaves teoricamente práticas porque tudo o que você precisa fazer é apertar um botãozinho pra trancar e destrancar o carro. Mas, ainda assim, minha memória para fatos recentes parecia ter alguma disfunção patológica porque 5 minutos depois eu já não me lembrava se tinha ou não trancado a porta. Preocupada, fui ter com outros amigos motoristas e eles me confessaram ser portadores da mesma deficiência. Então pensei que, se nas chaves de todos os carros houvesse um pequeno indicador de quando o carro está trancado (ex: luzinha verde) e de quando está destrancado (ex: luzinha amarela), nossas vidas seriam bem mais simples e isentas de culpas infundadas. &lt;br /&gt;&lt;br&gt;&lt;b&gt;Rede portátil.&lt;/b&gt; No meio de todo o calor carioca, todo mundo sabe que não temos direito àquela invejável sesta européia. E quem trabalha ou estuda no Rio de Janeiro depois do almoço sabe o quanto isso é cruel. Principalmente em meses mais insuportáveis como dezembro, fevereiro e março. Já foi comprovado cientificamente que uma horinha de sono depois da refeição é saudável e facilita o processo de digestão, melhorando, conseqüentemente, o foco de atenção e raciocínio e aumentando a produtividade de uma pessoa durante a tarde. Portanto, na falta de lugar melhor, tiremos um cochilo no próprio trabalho ou na faculdade. Inventa-se uma rede portátil e dobrável, que caiba na bolsa ou na mochila e resolve-se o problema daquele sono terrível que nos atormenta até umas 3 horas da tarde. Que tal?&lt;br /&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/3878926-95954262?l=recheiodeque.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3878926/posts/default/95954262'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3878926/posts/default/95954262'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://recheiodeque.blogspot.com/2003/06/idias-de-jerico-todo-mundo-tem-idias.html' title=''/><author><name>Fernanda</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://bp0.blogger.com/_G7QdkBA8xiw/R_90yIdj-FI/AAAAAAAAAN4/I_yd7X61TQE/S220/Blusa+Florezinhas+PB++Lateral.JPG'/></author></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-3878926.post-95948848</id><published>2003-06-23T12:51:00.000-03:00</published><updated>2003-06-23T13:06:10.000-03:00</updated><title type='text'></title><content type='html'>&lt;br&gt;&lt;br&gt;&lt;b&gt;Uma imagem vale mais...&lt;/b&gt;&lt;br&gt;&lt;br /&gt;Que &lt;a href="http://www.maisdemil.blogger.com.br"&gt;mil palavras&lt;/a&gt;. Vamos questionar isso por favor.&lt;br /&gt;Blog novo. Mas as palavras continuam por aqui.&lt;br&gt;&lt;br /&gt;E links novos aí ao lado.&lt;br /&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/3878926-95948848?l=recheiodeque.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3878926/posts/default/95948848'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3878926/posts/default/95948848'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://recheiodeque.blogspot.com/2003/06/uma-imagem-vale-mais.html' title=''/><author><name>Fernanda</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://bp0.blogger.com/_G7QdkBA8xiw/R_90yIdj-FI/AAAAAAAAAN4/I_yd7X61TQE/S220/Blusa+Florezinhas+PB++Lateral.JPG'/></author></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-3878926.post-95811390</id><published>2003-06-18T22:47:00.000-03:00</published><updated>2003-06-18T22:47:30.370-03:00</updated><title type='text'></title><content type='html'>&lt;br&gt;&lt;br&gt;&lt;b&gt;Cavalos Marinhos&lt;/b&gt;&lt;br&gt;&lt;br /&gt; Outro dia me encantei com um cavalo marinho. Imponente, amarelo e grande. O maior que já me lembro de ter visto, incluindo até os áureos tempos de skuba. Seus movimentos eram mesmo peculiares: sem braços, sem pernas. Só tronco, cauda e nariz. Se deslocava simplesmente inclinando-se para frente e para trás e realmente não precisava de nada além disso. Talvez porque nunca havia experimentado, talvez porque braços e pernas são, de fato, dispensáveis para seres tão simples. Reparei em outros cavalos marinhos: menores e discretos, um pretinho e outro azul, escondidos atrás das algas. Sem pretensões. Depois o amarelo parecia ainda maior e me encarava timidamente. Flutuava sem esforços, um líder talvez. Sábio e pensativo, imerso naquele silêncio incompreensível da água. Tive vontade de tocar pra ele, de apresentar-lhe a música e todas as suas emoções virtuosas e nobres. Escolheria uma música à altura de sua serenidade minuciosa. Se não fosse aquele ar de melancolia diria até que estava satisfeito. Se não fossem aquelas paredes de vidro, diria até que era feliz. &lt;br /&gt;&lt;br&gt;Incrível como os detalhes enriquecem as impressões.&lt;br /&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/3878926-95811390?l=recheiodeque.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3878926/posts/default/95811390'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3878926/posts/default/95811390'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://recheiodeque.blogspot.com/2003/06/cavalos-marinhos-outro-dia-me-encantei.html' title=''/><author><name>Fernanda</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://bp0.blogger.com/_G7QdkBA8xiw/R_90yIdj-FI/AAAAAAAAAN4/I_yd7X61TQE/S220/Blusa+Florezinhas+PB++Lateral.JPG'/></author></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-3878926.post-95558045</id><published>2003-06-11T15:09:00.000-03:00</published><updated>2003-06-11T15:09:03.106-03:00</updated><title type='text'></title><content type='html'>&lt;Br&gt;&lt;Br&gt;&lt;b&gt;Sexta-feira 13&lt;/b&gt;&lt;Br&gt;&lt;br /&gt;Vamos falar de coisas minimalistas. &lt;br /&gt;Ao contrário de muita gente que conheço, eu adoro fazer aniversário. E assumo. Adoro a sensação de ter um dia no calendário que é ilusoriamente só seu. Atender telefone e receber o “feliz aniversário” idêntico de todo mundo, mas singular de cada um. Receber os abraços e os sorrisos por um motivo simples e justo. Sim, justo. O aniversário é o direito declarado e escancarado de ser egocêntrico. E isso se torna uma desculpa pra praticamente tudo que você fizer de errado, porém perfeitamente perdoável, dentro daquele espacinho de 24 horas. Portanto, aproveite.&lt;Br&gt;&lt;br /&gt;Tem o “parabéns” embaraçoso e reticente de quem se esqueceu e foi cutucado. Ou de quem nem ao menos sabia. Ou daquele cara que só se lembra uma semana depois. Tem o amigo que falta à comemoração e fica chateado, tem aqueles familiares que te mandam flores e sempre tem alguém que te dá um presente mesmo que você não faça nada.  E isso me lembra o “não deu pra comprar presente”, seguido do “que besteira, não precisava”. São todos momentos praticamente padronizados, que se repetem todos os anos, todos os dias. Mas que são adoravelmente ritualísticos. &lt;Br&gt;&lt;br /&gt;Sexta-feira eu vou poder escolher o prato no almoço, e eu quero arroz com cenoura, feijão manteiga, bife e batata frita. Porque não há nada melhor que comida de criança. Mesmo que você esteja ficando mais velha. Vou encomendar a Santo Antônio um dia bem ensolarado e que ele me livre dessa gripe terrível. Pra poder comemorar com energias estocadas. Quero uma mesa redonda, onde todo mundo possa se ver e onde eu possa ver todo mundo. Quero todo mundo. Todo o meu mundo de amigos queridos.&lt;Br&gt;&lt;br /&gt;Nessa sexta-feira 13 quero meus parabéns.&lt;br /&gt;Abraços a todos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/3878926-95558045?l=recheiodeque.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3878926/posts/default/95558045'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3878926/posts/default/95558045'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://recheiodeque.blogspot.com/2003/06/sexta-feira-13-vamos-falar-de-coisas.html' title=''/><author><name>Fernanda</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://bp0.blogger.com/_G7QdkBA8xiw/R_90yIdj-FI/AAAAAAAAAN4/I_yd7X61TQE/S220/Blusa+Florezinhas+PB++Lateral.JPG'/></author></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-3878926.post-95416113</id><published>2003-06-07T19:12:00.000-03:00</published><updated>2003-06-07T19:12:52.776-03:00</updated><title type='text'></title><content type='html'>&lt;br&gt;&lt;br&gt;&lt;b&gt;Menina Veneno&lt;/b&gt;&lt;br&gt;&lt;br /&gt;A noite cai e ela bebe.&lt;br /&gt;Jaqueta de couro até o joelho, cabelos cacheados, olhos azuis e pequeninos.&lt;br /&gt;Um menino cochicha que ela parece um anjinho.&lt;br /&gt;E ela finge estar surpresa, finge estar lisonjeda, finge ter ouvido palavras inéditas. Depois pensa algo inaudivelmente imprevisível. O rapaz some. Outros virão.&lt;br /&gt;A música ensurdece e ela dança. Fecha os olhos e deixa-se embalar.&lt;br /&gt;&lt;br&gt;Os amigos chegam às duas e gritam seu nome. Ela grita de volta e ilumina a pista. Eles vem ao seu encontro e a abraçam, com intimidade e indiferença bem dosadas. São todos altos e magros. Um deles veste plumas e paetês e cumprimenta a todos, que riem escandalosamente sempre que ele abre a boca. O outro veio de preto, cabelos lisos e compridos, cigarrinho entre os dedos e muito charme em todos os nuances. A outra usa uma saia de couro vermelha, meia arrastão e ainda assim não parece vulgar. Alguém comenta, inocentemente, que &lt;i&gt;gente cool é um caso sério&lt;/i&gt;...&lt;br&gt;&lt;br /&gt;A festa se abarrota. Enquanto isso ela dança. E não há uma única pessoa que ainda não a tenha percebido. Que não tenha se perguntado quem ela é, onde ela mora, por que ela ri. Que não tenha experimentado uma pontinha de inveja de todo o carisma de quem não precisa falar uma palavra para ter luz e vida próprias.&lt;br&gt;&lt;br /&gt;A noite cai. E ela bebe mais um pouco. Já se foram 4 margueritas e 2 tequilas. Ela sempre foi forte pra bebida: pai ausente, mãe alcoólatra, você conhece o histórico. Mas ali, enquanto ela recebe elogios e abraços afetuosos, você nem imagina. Na sua frente ela é beldade, real e anjo inatingível. Mas você sabe: à noite todos os gatos são pardos. Quando a manhã transparecer e a música cessar, ela te olhará no fundo dos olhos e desaparecerá, de mãos e braços dados com os amigos e fiéis escudeiros. Eles riem e contam-lhe histórias inacreditáveis, disputando sua atenção como crianças. Ela olha pra trás, pra você e pra todos ao redor. Como final de filme em câmera lenta. O olhar é triste e vazio como você nunca imaginou. Você sentirá um frio interno inexplicável enquanto ela desaparecerá pela porta da frente. Para se tornar apenas uma lembrança surreal das noitadas da juventude.  Você comentará sobre ela com algum colega de trabalho, depois com seu filho e quem sabe até com o neto. E ela se eternizará como aquela mulher incrível que você não conheceu. &lt;br&gt;&lt;br /&gt;Aquela que cai enquanto a noite bebe. &lt;br&gt; &lt;br /&gt;Agora não importa. Mas, por favor, nunca me pergunte se a conheço de algum lugar. Nunca me pergunte sobre seus mistérios e suas milhares de palavras profundas proferidas aos ouvidos alheios. Abafadas pela música que estremece o chão. Ela é um ser humano que fala meio tom acima dos demais. &lt;br /&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/3878926-95416113?l=recheiodeque.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3878926/posts/default/95416113'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3878926/posts/default/95416113'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://recheiodeque.blogspot.com/2003/06/menina-veneno-noite-cai-e-ela-bebe.html' title=''/><author><name>Fernanda</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://bp0.blogger.com/_G7QdkBA8xiw/R_90yIdj-FI/AAAAAAAAAN4/I_yd7X61TQE/S220/Blusa+Florezinhas+PB++Lateral.JPG'/></author></entry></feed>
